“AQUI ESTÁ O QUE PRODUZ O NOSSO POVO, QUE MERECE RESPEITO”: XANGAI FAZ SHOW NA FEIRA DO MST
O evento, que traz à população urbana 500 toneladas de produtos da reforma agrária, vai até domingo (11)
Xangai e banda se apresentam na primeira noite da Feira Nacional da Reforma Agrária do MST – Daniel Violal / @violalfoto
“É o povo querendo sair dos lugares onde os escravagistas, os arquimilionários – que às vezes não batem um prego numa barra de sabão – querem que estejam. E perseguem. Claro, não querem largar o osso nunca. Então fiquei encantado, a feira linda. Aqui está o que produz o nosso povo, que merece respeito”, defendeu Xangai, que se apresentou antes do também violeiro Almir Sater.

Em sua quinta edição, a Feira reúne agricultores de 23 estados e do Distrito Federal, com o intuito de mostrar e oferecer, na prática, aquilo que pode ser produzido a partir da reforma agrária. São 500 toneladas de alimentos saudáveis e 1,8 mil tipos de produtos. De acordo com o MST, a ideia é apresentar à população “os frutos da luta pela terra e a viabilidade do projeto de reforma agrária popular para enfrentar a fome, o alto preço dos alimentos, além da crise ambiental e o modelo de morte do agronegócio”.
“Para ter feira, é preciso ter assentamento. E para ter assentamento, é preciso ter ocupação”, ressaltou Gilmar Mauro, da direção nacional do MST, no ato político que abriu o evento.
“O MST se fez porque estabeleceu com muita clareza desde os seus primórdios que devia lutar pela terra, pela reforma agrária e por transformação social. Se quiser, pelo socialismo”, descreveu Gilmar Mauro.
“De que nós faríamos luta e luta de massas. Não porque a gente acha bonito fazer ocupação, embora tenha beleza e ludicidade nas nossas lutas”, seguiu o porta-voz do movimento: “Mas é porque é a única linguagem que a classe dominante escravocrata entende nesse país”.
Entre o repertório apresentado, Xangai cantou “Matança”, gravada em 1984, ano de fundação do MST. Já naquela época, a canção denunciava o desmatamento. “Quem hoje é vivo corre perigo / E os inimigos do verde dá sombra ao ar / Que se respira e a clorofila / Das matas virgens destruídas vão lembrar”, diz a composição de Augusto Jatobá. Passados cerca de 40 anos, o artista considera a música ainda mais atual.
“Metem os tratores e o correntão, vão destruindo. Os sem-terra não precisam fazer isso. É pequena produção e sobra, tem para todo mundo. Os mega miliardários metem o correntão, não respeitam. Acabou. Vai ver se acha um lobo guará. Pequi é uma raridade. Andiroba. Um amigo que foi lá em [Vitória da] Conquista me ver, falou ‘Xangai, é só soja e milho’. Isso aí é uma coisa altamente escandalosa e danosa para a realidade da natureza. É o que eu sempre cantei e gosto de fazer”, declarou Xangai.
“Sou uma pessoa que procuro compreender não só a minha necessidade. A necessidade do nosso povo todo. Que é muito fácil artistas que usam chapéu de caubói e que não dizem nada, que só falam porcaria. Mas existem os artistas verdadeiros. Estou com um aqui no peito”, sorriu Xangai, mostrando a camiseta de Gilberto Gil.
“No meu repertório eu não tenho o direito de cantar porcaria. É meu dever mostrar o que de melhor têm dentro da poesia, da musicalidade, da novidade. A mesmice não me interessa”, salientou. Eu quero ver quem respeita o povo, quem gosta do povo, que faz pelo povo que o povo merece”, afirmou Xangai.
Na sexta (9), a programação segue cheia, confira aqui. Além de oficinas, seminários e saraus, haverá shows de Teresa Cristina e de Djonga.