“CARECA DO INSS” RECEBEU R$ 53,5 MILHÕES EM ESQUEMA DE FRAUDES, APONTA PF
PF aponta que lobista usou empresas para intermediar repasses milionários a servidores e ex-diretores do INSS
Segundo as investigações, os pagamentos foram feitos por meio de empresas ligadas a Antunes, que atuava como um “facilitador” no esquema, prestando consultoria a entidades que firmaram acordos de cooperação técnica com o INSS. O lobista aparece como sócio de 21 empresas, das quais 19 foram abertas a partir de 2022. Pelo menos quatro delas estão diretamente envolvidas na chamada “farra do INSS”, afirma a PF
“As empresas de Antonio Carlos Camilo Antunes funcionavam como intermediárias financeiras, recebendo recursos de diversas associações. Parte desses valores foi repassada a servidores do INSS”, diz trecho do relatório.
Ao todo, Antunes teria transferido R$ 9,32 milhões a servidores públicos e empresas ligadas à cúpula do instituto. Entre os beneficiários estão Virgílio Filho, ex-procurador-geral do INSS, além de André Fidelis e Alexandre Guimarães, ambos ex-diretores do órgão.
Outro repasse suspeito envolve o escritório de advocacia do filho de André Fidelis, ex-diretor de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão, que permaneceu no cargo até julho de 2024. O escritório recebeu R$ 1,46 milhão.
Outro nome citado é o de Alexandre Guimarães, ex-diretor de Governança, Planejamento e Inovação do INSS, que deixou o cargo em abril de 2023. Uma empresa ligada a ele recebeu R$ 313,2 mil de Antunes, de acordo com os investigadores.
Embora o relatório não detalhe as datas exatas das transações, as movimentações financeiras analisadas abrangem o período entre 2022 e 2024, segundo os dados de inteligência financeira obtidos pela PF.
Operação Sem Desconto e queda do presidente do INSS
Antunes foi um dos alvos da Operação Sem Desconto, deflagrada na última quarta-feira (23), que investiga práticas ilegais envolvendo o desconto automático de mensalidades associativas dos benefícios previdenciários. As apurações apontam que essas entidades, que deveriam representar os interesses de aposentados e pensionistas, teriam cobrado valores indevidos que somam R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
A operação teve repercussões imediatas e o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi exonerado do cargo.