JORGE FURTADO: “TODA COMÉDIA É POLÍTICA, FALA DAS MAZELAS E, RINDO, CORRIGEM-SE COSTUMES

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NOVO FILME

Cineasta comenta novo filme, que usa humor para provocar reflexão sobre algoritmos, deep fakes e consentimento

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Diretor Jorge Furtado e elenco do filme “Muito Prazer”: Samantha Jones, Daniel Oliveira e Luisa Arraes | Crédito: Fabio Rebelo

O novo longa-metragem do diretor e roteirista Jorge Furtado, “Muito Prazer”, não poderia trazer para as telas um tema mais atual: deep fake, pornografia digital, inteligência artificial e o lucrativo mercado das plataformas de conteúdo.

Com elenco formado por Luisa Arraes, Daniel de Oliveira e Samantha Jones, a produção acompanha a história de três jovens talentosos e sem dinheiro que, para pagar as contas e sobreviver, decidem reabrir um motel falido. Diante das dificuldades financeiras, eles passam a filmar os hóspedes, com a promessa de proteger suas identidades, e a publicar as imagens na internet para gerar renda. O que começa como uma típica comédia leve e divertida rapidamente se transforma em uma contundente crítica social sobre o uso indiscriminado da inteligência artificial e a mercantilização da intimidade no digital.

Ao Conversa Bem Viver, Furtado defende que o humor é o veículo ideal para provocar reflexões profundas sobre o comportamento contemporâneo. “A gente está vivendo nesse mundo de algoritmos, que nos indica que a gente deve gostar disso ou deve gostar daquilo, gente querendo dizer, policiar e catalogar desejos”, afirma.

Segundo o diretor, debater temas como a pornografia na internet é urgente para que os jovens compreendam a importância do consentimento e da privacidade. “Toda comédia é política. Toda comédia fala das mazelas da sociedade e aponta, rindo, corrigem-se os costumes”, afirma o cineasta, pontuando que o filme busca alertar sobre o avanço perigoso de práticas que violam a intimidade alheia, sem cair em discursos hipócritas.

Jorge Furtado destaca que a pornografia sempre existiu e que não foi a internet que inaugurou esse consumo. Por isso, o caminho não é proibir, mas regular e colocar limites. “Ela [a pornografia] existe desde que o sistema foi inventado. Pompeia está cheia de imagens eróticas nas paredes. Isso é do homem, da sexualidade humana. Ninguém vai proibir isso, mas tem que impedir que criança veja, tem que impedir conteúdo colhido sem que a pessoa autorize. Tem várias coisas que você tem que prestar atenção sobre como a internet está lidando com isso”, avalia.

A discussão ética proposta por “Muito Prazer” estende-se também ao uso de deep fakes e às tentativas de regulação jurídica no ambiente virtual. Para Furtado, o julgamento sobre a veracidade de conteúdos manipulados tecnologicamente não deve se basear em critérios puramente visuais. “Não vai ser a legislação, a lei que vai dizer o que é realismo e o que não é realismo. Essas questões não são questões estéticas. Elas são questões éticas”, adverte. O diretor argumenta para que a discussão foque no discurso e na responsabilidade de quem fala, e não nas ferramentas técnicas utilizadas.

“O filme é para divertir e as reações das plateias até agora têm sido ótimas, as pessoas riem bastante, mas ele também faz pensar, eu acho que isso é importante”, define o cineasta.

Conhecido por obras importantes do cinema brasileiro, como “Saneamento Básico” e “Ilha das Flores”, Furtado destaca o papel transformador da cultura e a importância de facilitar o acesso do público às produções nacionais. E deixa um convite para que o público valorize o potencial de reflexão que o cinema pode proporcionar: “Veja um filme no cinema. É uma experiência única ver um filme no cinema.”

Confira a entrevista completa:

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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