FILÓSOFO JOSÉ ALCIMAR: VIVA A LUTA DA CLASSE TRABALHADORA!

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José Alcimar de Oliveira *

 

Pobres trabalhadores. Enganados e além do mais pisados! O trabalho é uma maldição, Saturno.  Abaixo
o trabalho que temos que fazer para ganhar a vida! Esse trabalho não nos honra, como dizem, só serve

para encher a pança dos porcos que nos exploram. (Luis Buñuel, Tristana).

 

Primeiro de maio de 2023.

Dia Especial de Luta da Classe
Trabalhadora. Dia de afirmar a ontologia social e o poder formativo da
categoria trabalho, sem o que não haverá consciência de classe.
O dominante discurso ideológico da burguesia parasitária prefere
falar em dia do trabalho, separado da classe trabalhadora, a única classe
que produz riqueza. Como falar em dia do trabalho abstraído de mãos e
mentes que trabalham?

 

Conforme o jovem Marx, nos célebres Manuscritos de Paris, não
existe uma natureza humana abstrata. Somos irremediavelmente
condicionados tempo da história, pelo espaço da geografia e pelas relações
sociais em que nos inserimos, como produtos e produtores.
Sob os grilhões da exploração burguesa só há lugar para o
trabalho convertido em mercadoria, expropriado de sua potência
humanizadora e educativa. Recuperar o trabalho como princípio educativo
da classe trabalhadora está entre as condições incontornáveis da luta de
classes.

 

Para a dominação burguesa, com seu desejo doentio de posse e,
nas palavras de Paulo Freire, “apetite do êxito pessoal”, só interessa o
trabalho enquanto trabalho alienado, seja em sua efetivação abstrata ou
concreta. Para essa consciência apequenada, que a tudo venaliza, os dramas
da classe trabalhadora não contam.

 

 

O trabalho, segundo o Mouro de Trier, (…) é uma condição da
existência humana independentemente de qual seja a forma de sociedade; é
uma necessidade natural eterna que medeia o metabolismo entre homem e
natureza e, portanto, a própria vida humana".
Para a classe que vive do trabalho e para a única Filosofia (o
materialismo histórico e dialético) que afirma o trabalho como categoria
fundante do ser social, é somente pelo trabalho positivamente humano que
mulheres e homens podem transformar-se a si mesmos e ao mundo.

 

 

Fora dessa compreensão, e desde os tempos pré-adâmicos, o
trabalho será sempre uma maldição, e mais notadamente hoje, sob a intensa
e abrangente alienação do sistema do capital. Em nenhuma outra formação
social o valor de uso de todas as coisas tornou-se tão restrito quanto no
dominante reino do capital, que a tudo mercantiliza e precifica, pessoas e
coisas.

 

Esse tipo de trabalho, que desumaniza o ser social, não merece
comemoração nenhuma. A esperança que conta é aquela que a classe
trabalhadora organiza na alegria da luta.
Por isso, o Dia da Classe Trabalhadora deve ser mais um dia de
luta, para afirmar que a porta de saída da exploração passa pela organização
e consciência de classe da classe trabalhadora.

 

* José Alcimar de Oliveira é professor do Departamento de Filosofia da Universidade Federal do
Amazonas, teólogo sem cátedra, filho do cruzamento dos rios Solimões (em Bela Vista, Manacapuru,
AM) e Jaguaribe (em Jaguaruana, CE).

Base da ADUA Seção Sindical e eleitor da CHAPA 1 nas eleições para a Diretoria do ANDES-SN nos próximos dias 10 e 11 de maio de 2023.

Manaus, AM, primeiro demaio de 2023, no Dia de Luta da Classe Trabalhadora.

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