Com medo de uma debandada de votos de deputados de partidos de esquerda em sua candidatura para a presidência da Câmara, Baleia Rossi (MDB-SP) agiu rápido após dizer em entrevista que seria “mentira” o compromisso de analisar os pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro, caso seja eleito.
“Falei com a presidente [do PT] @gleisi agora pouco. Ressaltei que vou honrar cada compromisso firmado com os partidos de oposição, o que inclui usar todos instrumentos constitucionais em defesa da democracia. Antecipar juízos agora não ajuda. Isso é o que disse à @folha”, tuitou Baleia.
A publicação ocorreu exatos 50 minutos após a presidenta do PT ir às redes dizer que a declaração do medebista ao jornal Folha de S.Paulo, de que “não há compromisso” na frente ampla em torno da análise de impeachment de Bolsonaro, faria com que ele perdesse votos no PT.
Em entrevista a Julia Chaib, na Folha de S.Paulo, Baleia Rossi disse que “não há nenhum compromisso, como muitos falam, de abertura de impeachment” contra Bolsonaro.
“Não há nenhum compromisso, como muitos falam, de abertura de impeachment. É uma mentira. [Dar início] é uma prerrogativa do presidente da Câmara, mas nós precisamos, ainda mais neste momento em que a pandemia dá sinais de crescimento, de estabilidade”, afirmou.
Rossi é o candidato da frente de oposição liderada por Rodrigo Maia (DEM-RJ) na eleição para a presidência da Câmara, que ganhou apoio do PT e partidos do campo progressista contra o Arthur Lira (PP-AL), que representa Jair Bolsonaro.
Artigo
Na sequência do tuite, Baleia ainda compartilha um link do artigo escrito por ele que foi divulgado pelo jornal O Globo. “Como escrevi em artigo hoje em @JornalOGlobo, o centro e a esquerda democráticos construíram uma frente ampla histórica na Câmara. Somos plurais. Uma das nossas virtudes é respeitar quem pensa diferente”, escreveu.
No texto, Baleia afirma que “é atribuição do Parlamento fiscalizar o Executivo” e que o “Brasil enfrenta um momento crucial de sua história”, mas não faz nenhuma menção à possibilidade de afastamento e nem menciona as responsabilidades do presidente da República frente à “maior crise econômica já registrada […] sucedida pela devastação da pandemia de Covid-19”.