DEPUTADOS GOVERNISTAS FORAM AOS EUA PARA CONTESTAR TARIFA E APROXIMAR DEMOCRATAS DA PAUTA BRASILEIRA
afinsophia 05/06/2026 0
SOBERANIA
Parlamentares apresentam dados comerciais favoráveis para contestar tarifa dos EUA
- BRASÍLIA (DF)
- ISEGUN OLIVEIRA
Um grupo de deputados federais alinhados ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está em Washington desde quinta-feira (4) para apresentar a parlamentares estadunidenses documentos e informações que contestam as justificativas utilizadas pela administração dos Estados Unidos para impor tarifas contra produtos brasileiros.
“Os Estados Unidos também precisam conhecer o outro lado”, afirmou Pedro Campos ao Brasil de Fato. De acordo com o deputado pernambucano, a missão buscou ampliar o diálogo com integrantes do Partido Democrata e construir uma contraposição à atuação do senador Flávio Bolsonaro e do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que têm intensificado contatos com setores do Partido Republicano.
O líder do governo Lula disse que “é importante que as provas sejam apresentadas” e que o ambiente se torne “conhecedor” da relação comercial entre Brasil e EUA. Durante a visita a Washington, entre as agendas, os parlamentares brasileiros se reuniram com a congressista democrata Sydney Kamlager-Dove. Segundo Pedro Campos, a deputada se comprometeu a solicitar uma investigação sobre as denúncias relacionadas ao Banco Master e ao envio de recursos ao exterior, supostamente destinados à produção do filme “Dark Horse”, que trata da vida de Jair Bolsonaro.
A iniciativa ocorre em meio ao aumento das tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e à ofensiva de aliados do bolsonarismo junto a setores conservadores estadunidenses. Para os deputados governistas, a aproximação com parlamentares democratas é uma forma de apresentar informações que, segundo eles, têm sido omitidas do debate e defender os interesses econômicos brasileiros diante das medidas tarifárias adotadas por Washington.
‘Tariflávio’
O governo de Donald Trump anunciou uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil, sob a justificativa de que essas economias falharam em impedir a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. A decisão foi tomada logo após visita do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador e pré-candidato ao Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Sobre a nova tarifa de 12,5%, a investigação foi aberta em março com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Segundo o governo estadunidense, os países analisados não adotam mecanismos suficientes para impedir o trabalho forçado e a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outras partes do mundo. Portanto, a justificativa não está centrada somente na produção doméstica dessas economias, mas também na fiscalização de produtos importados que entram em seus mercados.