RECUSA DE ESCOLTA DA POLÍCIA FEDERAL POR FLÁVIO BOLSONARO CRIA NARRATIVA DE PERSEGUIÇÃO

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CORRIDA ELEITORAL

Rosemary Segurado aponta que ataques à Policia Federal buscam deslegitimar investigações e inflar desconfiança

Minas Gerais registra atualmente 970.499 eleitores com o título cancelado | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

As convenções partidárias, período para que as legendas definam seus candidatos, começaram nesta segunda-feira (20) e seguem até o dia 5 de agosto, em meio ao cenário de disputa presidencial polarizado entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

A candidatura de Flávio perdeu vários pontos percentuais nas pesquisas de intenção de voto após a série de escândalos: desde o envolvimento dele com o banqueiro Daniel Vorcaro e seu capanga, conhecido como Sicário, até a briga pública com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que expôs o racha no clã Bolsonaro.

Flávio, aliás, publicou no domingo (19), em seu perfil no X, uma mensagem em que afirma estar abrindo mão da escolta oferecida pela Polícia Federal (PF) para os presidenciáveis e levanta suspeita sobre o órgão. Para a cientista política, trata-se de uma estratégia bastante conhecida do bolsonarismo.

A cientista política Rosemary Segurado avalia que se trata de uma estratégia para desacreditar o órgão que, no momento, conduz uma série de investigações sobre o próprio Flávio.

“Tentam deslegitimar um órgão que tem feito investigações muito importantes, buscas e apreensões de documentos, de celulares, de computadores, de aliados importantes de Flávio Bolsonaro. Eu acho que tem essa história de fazer essa desconfiança brotar, cultivar essa desconfiança no eleitorado. E mais que isso, eu acho que também tem um processo de tentar construir uma narrativa de que essas instituições não gostariam da sua candidatura”, avalia. “Além disso tudo, com a Polícia Federal seguindo seus passos, ele também não vai poder fazer nada que possa ser considerado fora daquilo que prescreve a legislação”, argumenta.

De olho no Parlamento

Rosemary Segurado analisa que, apesar da importância dos cargos de presidente e governadores, a formação do Congresso será fundamental nessas eleições. “O Congresso pode ser propositivo de mudanças muito importantes para o país. São duas casas legislativas que têm tido um peso tanto para contribuir para uma política pública de qualidade, que atenda às necessidades da população, quanto muitas vezes em bloquear ou em impedir seu avanço”, explica, destacando o fato de que o Parlamento está entrando em recesso sem aprovar o fim da escala 6×1.

Convenções definirão vices

A cientista política Rosemary Segurado avalia que é pouco provável que as convenções tragam alterações nos quadros que estão sendo consolidados nesta fase de pré-campanha. Algumas surpresas podem surgir apenas na definição dos vices.

“O Flávio Bolsonaro, que é o presidenciável pelo PL, não tem vice. Tem uma conversa de que ele quer uma mulher para diminuir um dos seus maiores problemas nas eleições: a grande rejeição que ele tem no grupo de mulheres”, diz. “[Romeu] Zema andou flertando com uma suposta vice-candidatura de Michelle Bolsonaro, mas acredito que foi provocação a Flávio”, analisa em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.

O presidente Lula manterá o atual vice-presidente, Geraldo Alckmin, como companheiro de chapa. Já Ronaldo Caiado (PSD) tem definido como vice o presidente do seu partido, Gilberto Kassab.

Editado por: Gia Matheus Almeida

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