QUEM É A BASE FORTE DO PSICOPATA DO PLANALTO?, POR REGINALDO MORAES

CARTA MAIOR

Por Reginaldo Moraes

17/06/2019.

Quando falo em “base forte” tento identificar o alvo principal de suas mensagens a atitudes mais extremas. Falo daqueles que o defendem mesmo diante de perdas evidentes, desatinos, desastres. Aqueles que são capazes de negar qualquer evidência em nome do “mito”. Mais ainda, aqueles dispostos a mobilizar-se por ele, até mesmo organizando grupos de ataque. Eles são o magneto que permite a expansão para fora dos “fiéis incondicionais”. O discurso da famiglia (não apenas do chefe) tem que ser extremada porque manter eletrizado esse núcleo é essencial ao jogo e é essencial para pautar o resto.

Assim, vejamos esta recente mensagem, em defendeu o armamento “do povo” para confrontar “tentações de governantes”; De Quê e de quem fala – de qual povo, de quais tentações e de quais governantes?

Não é a massa dos seus 58 milhões de eleitores.  Táokei, milhões de pobres votaram em bolsonaro? Sim. Uma inspeção preliminar nos mapas eleitorais das cidades de S. Paulo e Rio, porem, mostra algo mais do que isso. Nos bairros populares, favelas e comunidades, mais do que eleitores de Bolsonaro temos gente que se auto-excluiu. Não foi votar ou foi e anulou. Desconfio que isso valha pro pais inteiro. Não creio que essa base pobre vá se mobilizar para apoiar Bolsonaro em alguma contingencia forte. Pode se calar, é outra coisa.

Serão os trabalhadores da Ford, que, dizem, teriam votado no ex-capitão? Duvido. Serão os comerciantes do subúrbio, os que colaboram e até festejam coisas como milícias e justiceiros? Será? Será a classe média dos bairros mais finos?

Desconfio que o bolsonarismo (se é que existe isso) tem uma outra base mais compacta, mais sedimentada. Militares e policiais militares – ativos e da reserva.

Não me refiro aos 150 generais aposentados atualmente em Brasília, Talvez até eles sejam a parte mais condecorada, mas menos eficaz. Talvez até, em um embate direto, sejam liquidados. Acumulam humilhações desde o início do governo. Engolem.

Não sou conhecedor do ramo, gostaria que especialistas desenvolvessem isso, corrigissem, explicassem. Menciono apenas alguns números coletados como curioso preocupado.

 Há 320 mil militares na ativa, uns 200 mil no Exercito. E uns 3,5 milhões na reserva.

Há uns 5 mil generais na reserva.

Há uns 150 generais na ativa, proporção grande para o total do efetivo, maior proporção do que exércitos em guerra e operações de porte (Estados Unidos, Israel, Inglaterra, etc.). Parece que, paradoxalmente, perde para Venezuela. O que dá a pensar.

Vou mencionar as patentes do exercito, especificamente. Mas há equivalência nas outras armas e nas PMs.

Entre os superiores top (generais e equivalentes nas outras armas), há uns 300 caras.

Os oficiais superiores abaixo dos generais (coronel, major, tenente-coronel) somam uns 40 mil.

E os oficiais subalternos (capitão, tenente) somam uns 100 mil.

Dai seguem os sargentos, cabos, soldados, uns 200 mil.

Capitulo especial cabe às PMs, talvez até mais próximas do bolsonarismo do que o exercito. Salvo engano, não tem quartel de exército com nome Bolsonaro. Da PM tem – no Rio, em homenagem ao pai do presidente.

Quem são e o que pensam os oficiais superiores e os “médios” da PM? E seus sargentos. Estes últimos em alguns lugares têm enorme importância.

Policia militar do Rio, por exemplo, tem mais chefes do que comandados. 15 mil sargentos, 11 mil cabos, 9 mil soldados.

Na PM de SP ha pouco mais de 1100 coronéis (patente máxima). Mas apenas uns 100 na ativa. O que são os “desmobilizados” do exercito e das PMs? O que fazem? A que estão dispostos?

Aposentam-se com valores bem acima do INSS. Em geral, em idade conveniente para se dedicar a outra atividade. Qual? Empresas de segurança? Tempos atrás, jornal paulista informou que mais da metade dos desmanches de automóveis da Grande São Paulo era propriedade de oficiais aposentados da PM. Oficiais da PM não se especializam em conserto de carro durante a carreira. O que significa isso?

Se somarmos esses números e utilizarmos alguma imaginação sociológica para pensar o que é essa massa cheirosa de farda (ou de pijama), podemos suspeitar de que temos aí um pequeno exercito de militantes mobilizáveis, inclusive para ações mais ofensivas. Será?

Como disse, não conheço esse campo, sou apenas um curioso preocupado. Será que alguém tem o que dizer a respeito? Certamente há gente estudando isso. É hora de difundir esse conhecimento.

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