RBA: COM 200 MIL EM SÃO PAULO, CENTRAIS DEFENDEM GREVE GERAL EM 14 DE JUNHO E RETIRADA DE PROJETO

DIA DO TRABALHADOR
“A briga é muito dura”, disse o presidente da CUT, destacando a importância da organização unificada da greve geral, para pressionar o Congresso. Leci Brandão faz homenagem a Beth Carvalho
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 01/05/2019
ROBERTO PARIZOTTI/CUT

São Paulo – Concluída a parte política do 1º de Maio – após as 14h, começaram as apresentações musicais –, representantes das centrais sindicais estimaram em 200 mil o número de pessoas no Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo, em ato que teve a “reforma” da Previdência como tema principal. Dirigentes pediram a retirada do projeto como ponto de partida para um eventual princípio de diálogo. Mas apostam na greve geral, marcada para 14 de junho, como fator fundamental para derrotar o governo.

“A briga é muito dura. Temos condições de barrá-la (a proposta governista). Mas eles também têm condições de aprovar. Precisamos convencer a opinião pública a pressionar os deputados”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, depois dos pronunciamentos de representantes das 10 centrais que se uniram pela primeira vez nesta data. “É um sinal de amadurecimento das centrais”, comentou o presidente da Força, Miguel Torres.

Segundo Vagner, as entidades estão de acordo quanto à necessidade de “ajustes” no sistema previdenciário. “Tem de pegar sonegadores, pegar as empresas que sonegam. Mas o que Bolsonaro quer fazer é acabar com a Previdência“, afirmou.

Durante o ato, líderes políticos enfatizaram a necessidade de unir a oposição em torno de uma agenda mínima e contra a “reforma”. O ex-candidato Fernando Haddad (PT) disse que o governo tem “pessoas obscurantistas” e afirmou que a economia está patinando. Segundo ele, Bolsonaro é hoje “persona non grata no mundo inteiro”.

Carlos Lupi, do PDT, aposta num “rastilho de pólvora”, no sentido da mobilização social contra o governo, que ao apresentar a proposta de reforma estaria sofrendo o que ele chama de “maldição dos pobres”, tornando-se, com poucos meses, o mais impopular da história brasileira.

O presidente da CTB, Adilson Araújo, acredita que a “centralidade” do movimento oposicionista está em uma agenda que contemple itens como a reforma tributária, aumentando o limite de isenção do Imposto de Renda na fonte, por exemplo. Citando dados de lucros de bancos e indicadores econômicos, Adilson afirmou que “esses dados são reveladores de que quem está pagando a conta da crise é a classe trabalhadora”. “É um governo desqualificado, despreparado, sem um projeto para o país.”

Para o presidente da UGT, Ricardo Patah, ainda há possibilidade de diálogo com o governo. “Senti essa possibilidade na reunião com Bolsonaro”, afirmou o o sindicalista, que esteve com o presidente da República na última segunda-feira (29). “Pedi a ele que pudesse ampliar a participação com todas as centrais”, disse Patah, para quem é possível, apesar de pensamentos divergentes, encontrar composição em alguns itens, mesmo na questão previdenciária. E o movimento sindical não pode ser “sufocado”. “Temos de exaurir o diálogo”, acrescentou.

Na próxima segunda-feira (6), à tarde, dirigentes das centrais vão se reunir em São Paulo para fazer um balanço do ato de hoje e discutir os próximos passos.

A cantora Beth Carvalho, que morreu ontem, foi homenageada por vários oradores. Pouco antes das 15h, Leci Brandão subiu ao palco cantando As Rosas não Falam, sucesso de Cartola que se tornou parte do repertório de Beth. “Vamos fazer uma resistência contra essa reforma maldosa”, conclamou Leci. “Viva a democracia.”

 

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