PESQUISA DA PERSPECTIVA NÃO ENXERGA A MAIS ÓBVIA PERSPECTIVA: A CASSAÇÃO

Dizem algumas línguas que a única pesquisa cem por cento confiável é aquela que aponta a existência de doentes em um hospital, e mesmo assim há controvérsias.

De qualquer sorte a empresa Perspectiva, do guru do prefeito interino, Durango Kid, lançou pesquisa no final de semana em que coloca a faixa de governador no atual prefeito (s)em exercício, Amazonino Mendes. Em qualquer situação (ou perspectiva), de acordo com a pesquisa, Amazonino leva, seja contra Alfredo, seja contra Arthur (aí é covardia – com o povo amazonense!), seja contra Praciano ou Serafim. Será o fim do Amazonas?

A PERSPECTIVA OBNUBILADA MAIS UMA VEZ

A estatística é a voz das massas, afirmam os intelectuais numéricos. Através delas, pode-se ouvir o rumor das massas silenciosas. Ledo engano, e duplo engano. Primeiro, porque as estatísticas menos ocultam o acontecimento do que o elucidam. Daí a impotência da alcunhada oposição aos seguidos recordes de de popularidade do governo Lula, a título de ilustração. Segundo, porque as massas, de silenciosas não têm nada.

A estatística não apenas não traduz os ruídos das massas, como não tem maior valor que um rádio que captura as ondas eletromagnéticas do chamado espaço sideral. A polifonia das ruas não cabe nos números de uma pesquisa estatística. Ainda assim, há quem creia nelas como o último refúgio da verdade factual. Equívoco conceitual de quem acredita que o conceito do Social é uma condição sine qua non para a análise política. Ignora que as produções sociais, na absoluta maioria das vezes, se fazem fora dos códigos e da semiótica dominante. Daí o lúcido sociólogo e cientista político Marcos Coimbra, presidente do vox Populi, ter compreendido os acontecimentos que levaram Lula à reeleição, a despeito do que pensava a inteligentsia da direitaça. Ele sabe que a polifonia não se termina no número, ela sequer começa nele, deixando, quando muito, um rastro do acontecimento.

Daí a obnubilação da Perspectiva: o cowboy Durango não consegue enxergar os números para além da imaginação restritiva. Sempre a favor do interesse do patrão.

A PERSPECTIVA QUE ECOA DAS RUAS NÃO APARECEU NA PESQUISA DA PERSPECTIVA

Pergunta-se: onde está a perspectiva, cada vez mais evidente, da cassação de Amazonino e Carlos Souza? Não passou pelo crivo da Perspectiva durangânica, sequer como componente do questionário aos pretensos 2500 ouvidos. Daí, sem o elemento epistemológico do real, a pesquisa deixa de ser ciência e se torna fantasia.

Durango, sempre próximo de Amazonino, lançou a pesquisa como cientista social, mas ignorou o sintoma social bem ao seu lado: Amazonino, dizem, padece fisicamente, a cada vez que um dos quatro processos de cassação se mexe na Procuradoria Geral Eleitoral ou no TSE.

Não ouve, como suposto intérprete da voz rouca das ruas, os rumores de que a gestão de Amazonino vai terminar antes mesmo de começar. O povo já anda dizendo por aí (desde janeiro, aliás!) que com Serafim era devagar, mas com Amazonino, parou de vez. É essa voz que levará Amazonino ao palácio do governo, em 2010?

Talvez no afã de trazer ao chefe um alento, um lenitivo para as dores de tantas atribulações (criadas por ele mesmo), Durango Kid sacou a arma mais rápido que seus oponentes, mas ela não estava carregada. Basta uma canetada do TSE, mera questão de tempo, e Amazonino, de ex-candidato a prefeito, se transforma em ex-candidato a candidato ao governo do Amazonas. E a Perspectiva ficará sem perspectiva, de novo.

2 thoughts on “PESQUISA DA PERSPECTIVA NÃO ENXERGA A MAIS ÓBVIA PERSPECTIVA: A CASSAÇÃO

  1. Era uma vez no Oeste(C’era una volta il West)
    Um manda-chuva contratou mercenários para tomar na marra as terras dos camponeses, eles faziam as próprias leis numa terra sem leis, Sérgio Leone (diretor) deste Western spaghetti criou uma nova visão para os famosos farwests ou oeste distante, pois os americanos faziam filmes com o mesmo formato de sempre, ou seja, mocinho-mocinha-vilão, nessa película Sérgio revelou o cinema onde não existiam clichês tradicionais, os considerados cowboys fora-da-lei como o Cheyenne (Jason Robards) e o Harmônica (Charles Bronson) tinham outra visão da realidade enquanto o empresário Morton (Grabrielle Ferzetti) e o seu capataz-capanga Frank (Harry Fonda) barbarizavam com suas ambições. Kid assiste este cinema e muda a tua perspectiva sobre a realidade.

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