MARX EM MANAUS: “TUDO O QUE É SÓLIDO DESMANCHA NO AR”

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Tudo o que é sólido desmancha no ar, tudo o que é sagrado é profanado, e os homens são finalmente forçados a enfrentar com sentidos mais sóbrios suas reais condições de vida e sua relação com outros homens.” (Manifesto Comunista)

Certa vez em conversa com o filósofo Sartre, a filósofa Simone de Beauvoir, inquieta com a aparente calma do pós-guerra, comentou que às vezes parecia que na história nada de novo estava acontecendo. Sartre respondeu que tudo se encontrava em estado de Recorrência. Movimento das forças não percebidas prestes a eclodir.

O filósofo Foucault, por sua vez, diria tratar-se dos entrelaçamentos (enfrentamentos) de forças antagônicas para uma emergir como Acontecimento. O novo.

A análise de Marx sobre o sistema capitalista, em sua tendência de auto-gerenciamento absoluto, verdade única, disseminado em uma subjetividade/semiótica para além do econômico manifestado em suas múltiplas formas de sedução e dominação — suas próprias contradições — geradoras da crença de uma corpo concreto inabalável, não passa de uma ilusão que um simples sopro dialético “desmancha no ar”.

Toda a ambição fetichista do capitalismo, expressada em seu sentido opulente protegido por uma moral pragmática vinculada estreitamente aos dogmas místicos, causas do amolecimento da vontade humana, perdem sua sustentação fantasiosa diante da força crítica e produtiva da razão coletiva. Processual de forças que se compõem nos territórios invisíveis do corpo social e se manifesta no momento em que se forma como problema que tece sua própria solução. “O homem só se coloca problemas quando pode resolvê-lo (Marx).”

MANAUS DESMANCHA SEU SÓLIDO

O entendimento de política do senso comum, mesmo quando este senso não se queria comum, sempre foi mais para a tirania do que para democracia. Não por outro motivo que foi cunhada a grande desconfiança sobre a atividade parlamentar e executiva. Sempre vista como a técnica de preparar “armadilha contra o povo”, como diz o filósofo Spinoza. Manaus não fugiu deste entendimento. Daí que esta prática, da mesma maneira como ganhou seus oponentes, ganhou seus adeptos. Aqueles que pretendiam as benesses saídas destes tipos de “profissionais”. Assim, durante anos se formou uma contagiante sociedade dos especuladores das instâncias legislativas e executivas. Uma sociedade tamanha, da ordem do “querer se dar bem, ou meu pirão primeiro”, que representantes de quase todos os seguimento da sociedade foram arrolados neste círculo. Deixando nos demais, os examinadores e recusadores desta prática, uma sensação deplorável de que em Manaus a história jamais aconteceria, em função da pré-história imposta por estes personagens.

Mas eis que nesse momento, a Recorrência de Sartre e o Acontecimento de Foucault, como novo, emerge na sociedade manauara em forma de justiças. Código Penal e Código Eleitoral. No primeiro caso, os desdobramentos da acusação de suspeitas do envolvimento do deputado Wallace Souza, com o crime. E, no segundo, o caso da cassação do prefeito Amazonino, processo que começou com sua cassação em Primeira Instância pela digníssima e proba juíza Maria Eunice Torres do Nascimento, e ética-política engajada do insigne procurador geral Edmilson Barreiros.

O caso do deputado deve tramitar, como práxis da justiça, nos estatutos da Assembléia Legislativa e Justiça Criminal. Enquanto o caso do prefeito Amazonino tramita, agora, na justiça eleitoral sob exame do Tribunal Superior Eleitoral.

É o sólido da moral capitalista-burguesa se desmanchando no ar pela ação da força coletiva, mostrando que neste sistema sua solidez não passa de invólucro-resina. Agora, em Manaus, “os homens são finalmente forçados a enfrentar com sentidos mais sóbrios suas reais condições de vida e sua relação com os outros homens”.

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