PELO DIREITO AO BANQUETE NA MESA DO POBRE

Fartura é um bichinho que anda lentamente e juntando restos de comida. É muito comum nos interiores do Amazonas. Pela crença popular, quando a fartura passa é que tempos de vacas gordas estão chegando. Infelizmente, nos interiores abandonados dos estados e nas grandes e pequenas cidades, nem vacas magras chegam. Às vezes, a mesa do pobre é que nem uma longa noite sem sonhos. O problema é que os pobres estão acordados e muitas vezes não lhes resta nem pesadelos, apenas vareação, pilora, piripaque nas crianças raquíticas e adultos esquálidos. Realidade objetiva imposta violentamente pelo banquete indigesto dos poderes.
É justamente esta realidade objetiva que o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e representantes estaduais do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), reunidos ontem e hoje em Brasília na oficina Construindo o Sistema de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan), tentam modificar, discutindo “medidas para assegurar o direito humano à alimentação adequada”. Nada contra o tradicional chibé, mas é que são necessárias muitas outras proteínas para que uma criança cresça saudável e um adulto sinta-se sadio do que as encontradas no pirão de farinha, água e sal.

No encontro será discutida a implementação do sistema, criado pela Lei de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan) em 2006, que atribuiu ao Sisan a competência de articular e coordenar as políticas públicas e a ação do Estado para assegurar o direito humano à alimentação adequada. (Agência Brasil)
Para a fenomenologia, a realidade humana é ôntica e ontológica; ou seja, para realizar suas ações necessárias ativamente no mundo (ontologia), preservando seu ser, o homem necessita antes preservar seu ente, a partir das contingências comer, dormir, transar, vestir, beber, etc. É nesse sentido que Lula criou provavelmente o mais importante programa social em execução atualmente no mundo, o Bolsa-Família. Não apenas abundante, o banquete na mesa do pobre tem de conter variedades de alimentos e seguir um número adequado de refeições, e não apenas quando a criança berrar.
A partir daí, é só inventar outras fomes, a de justiça, por exemplo — se são mesmo os pobres que tudo inventam —, como tão bem sacou o de-compositor Tom Zé e o lançou no seu Desafio…
Meus senhores, vou lhes apresentar
A figura do homem popular,
Esse tipo idiota e muquirana
É um bicho que imita a raça humana.
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O doutor exagera e desatina
Pois quando o pobre tem no seu repasto
O direito a escola e proteína
O seu cérebro cresce qual um astro
E começa a nascer pra todo lado
Jesus Cristo e muito Fidel Castro
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Refrão:
Africará mingüê e favelará
mérica de verme que deusará
Iocuné Tatuapé Irará
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Veja o pobre de hoje: quer tratar
Do direito, da lei, ecologia.
É na merda que eles vão parar
Ou na peste, maleita, hidropisia.
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Mas o Direito, na sua amplitude
Serve o grande e o pequeno também.
Além disso quem chega-se à virtude
E da lei se aproxima e se convém
Tá mostrando ao doutor solicitude
Por querer o que dele advém.
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Refrão