DUAS NOTAS ELEITORAIS SOBRE O ILOCUTÓRIO DO GOVERNO BRAGA

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PRIMEIRA NOTA – RÉ MENOR – O governador “Maria da Penha Nele!” Braga nomeou o amigo íntimo e filho do presidente do TRE/AM, Ari Moutinho ‘Filho’, para a vaga pendente no TCE. A vaga, desde há incontáveis eras, estava desocupada, e vários foram os seus pretendentes, de José “Ponte do Crime” Melo a Belão-Balão. Frequentador assíduo dos inquéritos da Polícia Federal, de Albatroz a Saúva, passando pela mala de dinheiro no aeroporto Eduardinho às vésperas da eleição de 2004, Ari Moutinho foi sabatinado pela “inteligência arguta” da ALE, não sem uma ponta de receio, já que não se considera ainda preparado para a aposentadoria, ao contrário aquele que o antecedeu. O critério na escolha de Ari ‘Filho’ é o mais transparente possível: “O critério que eu utilizei é meu, pessoal. A vaga é minha. Eu nomeio aqueles que eu acho que reúnem o meu critério de avaliação”. Transparece bem os interesses do governo de Braga. Fica evidente, por exemplo, o uso da vaga no TCE, verdadeiro prêmio por serviços prestados (a quem mesmo?) e seu uso como moeda de troca de favores. Dizem algumas línguas que o escudeiro fiel de Braga foi indicado para a merecida aposentadoria para evitar os comentários de que seu pai, Ari Moutinho, o presidente do TRE/AM, estaria agindo em causa própria, ao diplomar e empossar, muito além dos limites do direito democrático, o candidato Amazonino e seu vice, Carlos Souza, o homem que daria a sonhada vaga de deputado federal a Ari ‘Filho’, e mais mais sonhada ainda imunidade parlamentar. Afinal, freqüentar inquéritos da PF sem uma salva-guarda deve mesmo tirar o sono dos justos…

SEGUNDA NOTA – FÁ MAIOR – Enquanto o Amazonas figura, orgulhoso, o Orgulho de Ser Amazonense, incluindo as oito cidades que estão bem colocadas no ranking das cidades brasileiras com maior desigualdade social, o governador “Maria da Penha Nele!” Braga afirmou, sobre a segurança pública e a condição de miserabilidade em que se encontra a perícia técnica: “Vivemos no Amazonas e não na Suíça. A gente não assiste a filme de ficção, a gente vive a realidade”. Freud, que gostaria de descansar em paz, é obrigado a ressuscitar para explicar, psicanaliticamente, o ato falho do governador. Ficção é uma produção semiológica que “substitui” a chamada realidade, a partir da impossibilidade do Ego em estabelecer uma relação de gozo com o real. A depender da intensidade e do grau de desterritorialização destes signos (aí já esquizoanaliticamente), pode-se cair numa neurose ou numa psicose. Daí inferir, pela fala de Braga, que ele não crê na existência da Suíça. Caso, sem dúvida, para interdição legal, diria a psiquiatria de Estado. Conclusão que poderiam chegar os peritos técnicos do IML, sem a necessidade dos recurso financeiros e técnicos e as condições mínimas de trabalho que o governo lhe nega. Mais: realidade, para Braga – segundo ele próprio – é a atual condição do Estado, com a perícia técnica capenga, a TV Cultura sofrendo ataques ditatoriais do próprio governador, a educação em último lugar no ENEM, a cultura colonizada e recurso-dependente, as operações constantes da PF, a aridez ética e intelectiva dos tribunais. Realidade vista assim, somente quando a capacidade intelectual de abstração é limitada, produto de uma existência reprimida e pobre de estímulos e experiências. Braga não enxerga o visível: essa “realidade” que ele coloca como obstáculo é uma ficção sociopática, produto das administrações públicas, anteriores e a dele. E agora, psiquiatria manoniquim?

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