TRANSPORTE COLETIVO AGONIZA E REVELA O VERDADEIRO PREFEITO DE MANAUS

A briga pelo aumento na tarifa do transporte coletivo urbano de Manaus tem, neste final de ano, diversos campos de batalha: de rodoviários até o empresário, dono da Eucatur/Transmanaus, passando pelo prefeito que ora sai, e principalmente pelo que ora entra, travestido de novo. Mas somente uma vítima: a economia da cidade e o transeunte-cidadão.

Num campo da briga de interesses, o presidente do SINETRAM e do consórcio Transmanaus, Acyr Gurgacz, que pretende impedir que os estudantes utilizem a meia-passagem nas férias, alegando que quase 50% da população usuária do TCU (transporte coletivo urbano) paga meia-passagem em Manaus, e ainda contando com a anuência do atual prefeito, Serafim, que ratificou o argumento do empresário e ainda afirmou que esta é uma questão que não diz respeito ao poder Executivo.

De outro/mesmo lado, ônibus parando pela cidade por falta de combustível, e frota reduzida em 80% nos finais de semana, já a algum tempo. Sintomas recentes de uma antiga tática: penalizar o usuário, penalizar o funcionário, conforme este Bloguinho acompanhou, quando fez uma pesquisa entre os funcionários destas empresas.

De um outro/mesmo lado, conta-se com a omissão do atual prefeito, Serafim, e com o providencial silêncio do prefeito eleito, Amazonino, que não deseja “herdar” o problema.

Ainda, o sindicato dos rodoviários, que protesta com razão, mas sem usar a mesma, planejando uma greve que atende menos aos interesses da categoria que os do empresário, já que o presidente desistiu de fazer o protesto pela via econômica (circular com catraca livre), e optou pelo tradicional enclausuramento dos veículos nas garagens, a partir do dia 1o de dezembro, prejudicando a população, jogando a “batata quente” para a prefeitura e não prejudicando em nenhum momento o empresário. Josildo Oliveira, presidente do sindicato, teria afirmado à imprensa que é pago para defender os direitos dos rodoviários, não da cidade.

UM ANO (DESTE CAPÍTULO) DA NOVELA…

Os atuais acontecimentos no TCU de Manaus envolvem uma trama que antecede a eleição municipal em um ano. O prefeito Serafim foi eleito em 2004, e uma de suas bandeiras de campanha era a resolução dos problemas do transporte, sobretudo o malfadado Expresso, não terminado pelo atual ministro e então prefeito Alfredo Nascimento, do mesmo grupo de Amazonino.

Serafim herdou um sistema de transporte inoperante, caro e sucateado, e que no entanto pagava embutida na tarifa, segundo a CPI do Transporte, presidida pelo então vereador Francisco Praciano, 0,22 centavos a mais por passagem individual paga durante oito anos. No início do mandato de Serafim, Praciano tentou emplacar uma fiscalização mais rigorosa por parte da prefeitura e da CMM, inclusive tomando para o IMTU a responsabilidade de gerir o sistema de bilhetagem eletrônica. Serafim vetou o projeto de lei.

Serafim continuou mostrando que fazia uma administração sem diferenças com seus antecessores. No episódio que ficou conhecido como “os baderneiros”, Serafim impediu, via vereadores da sua base, a instalação de uma CPI que visava investigar os acontecimentos ocorridos no centro da cidade.

Depois disso, a malfadada e ainda investigada pelo MPE licitação da concessão do transporte coletivo, que consagrou a única participante, a Transmanaus (Eucatur/Transmanaus), de Acyr Gurgacz. Gurgacz, impossibilitado de participar da licitação com a Eucatur, tratou de providenciar um novo CNPJ e um nome de fantasia, “Consórcio Transmanaus”, que juntava sob sua administração as mesmas empresas que já exploravam o TCU manoniquim. Venceu, e a prefeitura trocou seis por meia-dúzia.

Daí, o episódio do contrato verbal entre Serafim, Gurgacz e o sindicato dos rodoviários, garantindo o congelamento da tarifa por um ano em troca da concessão, “coincidentemente” um ano antes das eleições. E o já anedótico episódio dos “500 Ônibus Novos. Eu Sou Um Deles”, que até hoje não chegaram, já que efetivamente não existe transporte coletivo urbano em Manaus no plano do controle municipal e da efetividade do serviço, ainda que houvessem, numericamente, 5000 ônibus.

No meio desta história toda, ainda houve o episódio do Vírus IMTU/SINETRAM, que o leitor intempestivo acompanhou neste bloguinho.

Um ano depois, nem mais, nem menos, Gurgacz vem cobrar a fatura do contrato de gaveta com a prefeitura de Serafim, que terá de cumprir a sua parte, mesmo que não tenha conseguido nas urnas o que pretendia quando o formulou.

NO QUESITO TRANSPORTE, O “PREFEITO” SEMPRE FOI ELE: ACYR GURGACZ

O homem dos mais de 200 processos judiciais, o homem que pretende assumir mesmo assim a vaga de suplente do senador rondoniense cassado, Expedito Junior (PR-RO), o homem que foi preso na Operação Articulados (que envolveu os 500 ônibus), da PF, e é acusado de crimes ambientais, estelionato, falsidade ideológica, uso de documento falso, é processado por danos materiais e morais no Amazonas, Pará e Rondônia, já tendo sido condenado a quatro anos e três meses de prisão. Este é Acyr Gurgacz, dono da Eucatur, da Transmanaus, e personagem envolvido no TCU de Manaus desde os tempos do ex-e-agora-de-novo prefeito, Amazonino Mendes.

A Eucatur surgiu em 1964, fundada pelo pai de Acyr, Assis Gurgacz (também preso na Operação Articulados), e cresceu vertiginosamente na região Norte durante a época da ditadura. Em Manaus, a EUCATUR chegou ainda como União Cascavel, e em 1991 inaugurou sua primeira garagem, localizada na Cidade Nova. Um ano antes, Amazonino saía do governo para o senado, ficando lá até 1992, quando foi eleito prefeito da cidade.

De lá pra cá, a União Cascavel/Eucatur, passou pelas administrações de Arthur Neto (1989 a 1992), Amazonino (1993-1994), Eduardo Braga (1994-1997), Alfredo Nascimento (1998-2004), Carijó (prefeito-tampão, 2004), Serafim Corrêa (2005-2008), e muito provavelmente, Amazonino de novo.

Em todos estes mandatos, a Cascavel/Eucatur, em parceria com outros empresários de transporte coletivo, sempre geriu o sistema sem nenhum tipo de inconveniência ou pressão governamental. Fato é que tudo é gerido pelo SINETRAM, que tem atribuições de órgão público, como a emissão de carteiras estudantis, passe-estudantil (quando existia) e cadastro dos estudantes, enquanto o IMTU, que era EMTU, se reduzia a cuidar da organização (?) das vias públicas.

Evidentemente, não se trata de Acyr Gurgacz enquanto indivíduo, mas o seu envolvimento com uma subjetividade anti-democrática, aliado a pessoas que utilizam o poder público municipal/estadual no Amazonas e em grande parte do Brasil para realizar interesses escusos. É esta subjetividade de apropriação dos mecanismos governamentais por parte de pessoas sequeladas, carregadoras da frustração do existir, da dor e do ressentimento, que é necessário enfraquecer.

EMPURRA-EMPURRA DO AUMENTO: A CORDA ARREBENTA NO BOLSO DO CIDADÃO

Enquanto o prefeito Serafim faz de conta que não é com ele, e o futuro prefeito Amazonino aproveita para silenciar, mas torce e pressiona para que o aumento seja dado na administração do rival/igual, só há uma certeza para o transeunte/cidadão. Quem vai pagar a conta de toda esta novela, somos nós.

1 thought on “TRANSPORTE COLETIVO AGONIZA E REVELA O VERDADEIRO PREFEITO DE MANAUS

  1. realmente sofremos mito com esse transporte que sempre foi abaixo da critica aqui na nossa cidade, mais graças a deus parecem que as coisas começaram a mudar… aqui no meu bairro já até apareceram onibus novos… vamos ver se vão manter esse padrão ne!!!!????

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