A INTELIGÊNCIA DO MARKETING ELEITORAL
Que não há vida inteligente no marketing, isso se sabe. E muito menos no marketing eleitoral, sabe-se mais ainda. Magicar truques persuasivos para vender objetos desnecessários, como soe acontecer com a publicidade de consumo, não fica nenhuma dúvida sobre a miséria intelectual dos marqueteiros. E quando se trata dos truques dos marqueteiros eleitorais, aí escancara a inutilidade epistemológica. Vejamos dois momentos marqueteiros da campanha de Amazonino.
1 – “Manaus inteira quer a volta do “Negão”. Entre nesse coro.”
2 – “O trabalho está de volta.”
Com zero esforço cognitivo se tem a confirmação da nula inteligência.
Primeiro momento – “Manaus inteira” corresponde ao conjunto de toda população manauara: eleitores, não eleitores, turistas, cachorros, gatos, periquitos, todo ser vivo e não vivo que compõe a Cite-Manô. Logo, todos querem o “Negão” de volta. Inclusive nós deste bloguinho intempestivo, o próprio candidato Serafim, e todos os que vão votar no lusitano. Na linguagem reducionista: “Não tem pra ninguém!” Só para o “Negão”. É a glória do princípio de identidade: Uno-“Negão”. “Manaus inteira” mostra que não há eleição em Manaus. Tudo não passa de simulação. Só tem “Negão”. A exacerbação do pensamento mágico: desejar que a realidade corresponda à magia da imaginação. Triste truque.
“Entre nesse coro”. Como entrar no coro se Manaus inteira encontra-se atolada de “Negão” e não cabe mais nem um assobio? Aqui, pede-se a atenção da justiça eleitoral: Quem é convidado para entrar no coro é quem está fora de Manaus, e os fora de Manaus são eleitores de outros municípios. Se eles entrarem no coro, fica caracterizado um estelionato eleitoral, onde o “Negão” é eleito com votos “itinerantes”, vindos de outras cidades. Aí se materializa a ilusão: o “Negão” não vai ser só prefeito de Manaus, mas de toda a região metropolitana. E, de quebra, dançam todos os outros prefeitos dos municípios “negãomente” metropolitanizados. Até o petista de Itacoatiara. Essa a “parainteligência” dos marqueteiros “negãonizados”: a mágica da pomba saindo da cartola. Se colar, colou.
Segundo momento – Como Amazonino encontra-se quase seis anos fora do poder executivo, o seu “o trabalho está de volta”, força o ínfimo esforço intelectual acreditar que durante seis anos ninguém trabalhou em Manaus. O que significa que todos que receberam seus salários durante estes anos receberam injustamente, já que não trabalharam. Inclusive seus eleitores. E o pior: Manaus se tornou uma cidade assombrada, onde todos os trabalhadores são fantasmas: ganham sem trabalhar. Uma pergunta: se todos são fantasmas, quem vai pôr “as mãos às obras”? Pelo que se sabe, fantasma não encara o pesado, a matéria que implica a produção do trabalho. Fantasma é fantasma, nada mais do que fantasma, como poderia dizer Shakespeare. E se uma criança de 4 aninhos, ouvindo esse “trabalho está de volta”, pergunta a sua mãezinha: “Mãe, como é esse trabalho?” Qual poderia ser a resposta dessa bondosa mãe para satisfazer a curiosidade da filhota? Qual seria o recurso didático capaz de levar a criança a entender? Usar uma imagem? Mas trabalho não tem imagem. E aí, que trabalho é esse? Por certo que sendo uma mãe sincera ela iria se desvencilhar da pretensão e confessar: “Filha, fico te devendo essa. Vou estudar Marx, que ele pode muito bem me ensinar o que é o não-trabalho, então estarei capacitada para responder tua inquietação”.
E assim, de truque em truque, os marqueteiros vão mostrando suas inteligências.