As psiquês, as sociologias, antropologias e as religiões, historicamente, tentaram definir a criança. Prendê-la em seus enunciados, mas nenhum conseguiu seu perverso intento. A criança não é definível. Conceituável. Ela é incapturável, dado seu seus trajetos, suas variações, deslocamentos, seus meios, suas longitudes, latitudes, extensividades, intensividades, cartografias corpos que o adulto não apreende. O criançar é tomar os percursos como enriquecimentos do existir pelos corpos afetos. Sempre aumento de potência de agir.

Ver em uma rua não suas casas, calçadas, pessoas, prédios, mas construir trajetos. Nada que permanece em um passado construído pela memória da rua, tudo que conforta e concede segurança ao adulto. Esse seu devir criativo-distributivo, a sua potência democrática. Esse o infinitivo que os saberes credores do real, as ditas ciências, não conseguem capturar para adesivá-lo. Ela é intempestiva, desterritorializada. Tudo que desespera os adultos. Daí suas trapaças, seus engodos, seus programas de TV, suas disciplinaridades, suas camisas-de-força e seus anestesiantes para transformá-la em um autômato controlável. Deplorável didática.

Pois bem, é entendendo exatamente a criança como devir democrático, que a AFIN – Associação Filosofia Itinerante, estará atualizando com crianças, hoje, domingo dia 12, no bairros Novo Aleixo, rua Rio Jaú, 43, virtuais intempestivos/criativos. Corpos fundadores da democracia. O que carece a democracia representativa atual.

Criança não é um estágio nem um modo de ser, mas um movimento infinito. Aí sua contínua novidade.

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