MINISTÉRIO PÚBLICO DE SÃO PAULO INVESTIGA ELO DO ESCÂNDALO MASTER COM PRIVATIZAÇÃO DA SABESP E EMAE POR TARCÍSIO FREITAS
Promotora Cíntia Marangoni deu 45 dias para envio de informações sobre suposto elo entre a privatização da Sabesp e Emae com o caso Master, de Vorcaro, em providências preliminares para definir sobre investigação do governo Tarcísio.
OMinistério Público de São Paulo, por meio da Promotoria do Patrimônio Público e Social, instaurou uma notícia de fato para tomar providências preliminares sobre a ação que investiga suposto elo com o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro, no processo de privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp, e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A., a Emae, conduzidas pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) entre abril e julho de 2024.
“O objeto ora delimitado consiste em apurar, em caráter preliminar, a existência de elementos mínimos acerca de eventuais atos de improbidade administrativa, lesão ao patrimônio público estadual, violação aos princípios da Administração Pública, frustração da competitividade, deficiência deliberada de diligência administrativa, conflito de interesses ou favorecimento indevido de particulares nos processos de privatização da EMAE, desestatização da SABESP e posterior aquisição do controle da EMAE pela SABESP”, diz o despacho assinada pela promotora Cíntia Marangoni no último dia 15 de julho.
No ofício, a promotora pede informações à Sabesp, Emae, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ao governo Tarcísio para iniciar a análise da denúncia feita pelo deputado Antônio Donato (PT-SP), líder do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo Paulo (Alesp).
“A atuação desta Promotoria de Justiça deve concentrar-se, nesta fase, na verificação de eventual lesão ao patrimônio público estadual, violação dolosa de deveres funcionais, frustração da competitividade, favorecimento indevido de particulares, conflito de interesses e eventual utilização de entidades submetidas ou anteriormente submetidas ao controle estatal em benefício de determinado núcleo privado”, afirma ainda a procuradora, que deu prazo de 45 dias para o envio das informações.
Após o recebimento das informações ou decurso do prazo de 45 dias, a promotora decidirá se há justa causa para instaurar o inquérito civil.
Leia a íntegra da Despacho do MP-SP sobre a privatização da Sabesp e caso Master
Entenda
Antônio Donato é autor da denuncia analisada pela Promotoria de Justiça do Patrimônio Público (PJPP) do Ministério Público de São Paulo obre uma possível conexão entre o escândalo envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e as privatizações da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, a Sabesp, e da Empresa Metropolitana de Águas e Energia S.A., a Emae, conduzidas pelo governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) entre abril e julho de 2024, em meio à uma série de suspeitas de fraudes.
Donato entrou com o pedido de investigação após levantar informações e divulgar um vídeo, em fevereiro, em que revela “a existência de complexa arquitetura financeira envolvendo o Banco Master, com potenciais repercussões sobre o sistema financeiro nacional”.
“Parte dessa estrutura envolve organizações societárias e financeiras relacionadas ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, ao investidor Nelson Tanure e ao empresário Carlos Piani, no contexto de operações vinculadas a processos de privatização no Estado de São Paulo”, diz, na representação que está em análise no Ministério Público.
Segundo Donato, o banco Master, de Daniel Vorcaro, teria atuado intensamente na estruturação e no financiamento de grupos empresariais interessados na privatização da EMAE e da Sabesp.
Após receber doação de R$ 2 milhões do pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, em sua campanha ao governo do Estado, Tarcísio de Freitas iniciou seu governo visando as privatizações.
A Emae foi leiloada na Bovespa em 19 de abril de 2024. O Fundo Phoenix sagrou-se vencedor do leilão das ações estaduais da EMAE, pelo valor aproximado de R$ 1,04 bilhão, superando levemente a proposta da EDF. O fundo foi constituído em 20/03/2024, menos de um mês antes do certame, e teve como principal lastro ações da AMBIPAR.
Segundo Donato, as ações foram infladas em mais de 700% em uma ação estruturada realizada pelo presidente do Conselho de Administração da Ambipar, Carlos Augusto Leone Piani, que ficou no cargo até 24 de setembro de 2024.
Conforme o Parecer Técnico da Superintendência de Registro de Emissores da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o pagamento da aquisição de controle da EMAE foi viabilizado pelo Banco Master, via Trustee, por Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Junior, fundador e controlador da Ambipar, por meio de uma emissão privada de debêntures da Phoenix S.A..
Além disso, após ser privatizada, a EMAE elegeu como presidenta Karla Maciel Dolabella, que antes liderava a área de fusões e aquisições do Banco Master. Membro do Conselho de Administração da Light, Karla Maciel renunciou em dezembro de 2025 aos cargos de CEO e de diretora de Pessoas e Sustentabilidade na Emae por “razões de foro pessoal”.
A renúncia aconteceu na esteira das investigações de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal e em meio à transferência do controle da EMAE para a Sabesp, em outro movimento recheado de indícios de fraudes.
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Sabesp
Em julho de 2024, o governo Tarcísio de Freitas abriu mão do controle da Sabesp vendendo ações de uma das maiores empresas de saneamento do mundo por um valor 44% abaixo do real, segundo especialistas do Observatório Nacional das Águas (Ondas), da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e da Associação de Profissionais Universitários da Sabesp (APU).
“Tarcísio de Freitas privatiza a Sabesp. E quem compra a Sabesp? A Equatorial. Quem era o presidente do Conselho Administrativo da Equatorial? Carlos Piani, que também a acumulava a presidência do conselho administrativo da Ambipar”, diz Donato no vídeo, que originou a ação.
Após deixar a presidência do Conselho da Ambipar, Piani assume, em outubro de 2024, a presidência da Sabesp. E segue no posto até os dias atuais. Na última sexta-feira (8), a Sabesp, agora controlada pela Equatorial, se credenciou também para a privatização da Copasa, empresa estatal de saneamento de Minas Gerais, colocada à venda durante a gestão Romeu Zema.
“Julho a setembro de 2025: Nelson Tanure pega R$ 160 milhões de reais do Caixa da Emae e compra CDBs podres do Banco Master. Outubro de 2025: Tanure não quita o empréstimo com a XP Investimentos que lhe permitiu comprar a Emae. A XP executa a dívida e assume o controle da Emae. Imediatamente depois, a Sabesp privatizada, comandada por Carlos Piani, compra a Emae da XP”, conta Donato.
“Resumindo, Carlos Piani, que no início estruturou uma operação fraudulenta para comprar a Emae, agora fecha o círculo e leva para dentro da Sabesp privatizada a Emae, uma empresa estratégica para gestão dos recursos hídricos do Estado de São Paulo. Novembro de 2025: Banco Master é liquidado pelo Banco Central e esse esquema todo começa a ser investigado. Tarcísio, não adianta esconder, as suas relações com o Banco Master estão todas aqui”, conclui Donato no vídeo.
Na ação, Donato detalha a participação de Zettel, que doou R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro em 2022.
Segundo a representação, o cunhado de Vorcaro e pastor da igreja Lagoinha, de André Valadão, foi uma das peças do Banco Master na parceria para aquisição da EMAE, envolvendo Nelson Tanure, a AMBIPAR, a REAG gestora de fundos e a Trustee DTVM, administradora da rede de fundos pertencentes a esses atores.
“Todos são hoje investigados no âmbito das Operações Carbono Oculto e Compliance por lavagem de dinheiro para o PCC e por fraudes financeiras e contábeis”, relata o documento, que inclui um fluxograma sobre o grupo.
O deputado pede investigação do grupo por crimes contra o mercado de capitais, contra o sistema financeiro nacional, lavagem de dinheiro, organização criminosa e atos de improbidade administrativa.

Fluxograma que liga privatização da Sabesp ao caso Master (Reprodução)