PESQUISA UNISOL UNI-SE AO IBOPE E A PERSPECTIVA
O tempo real da televisão é o tempo virtual. O tempo da história defasada e do acontecimento desativado. A fraude da comunicação: o telespectador nunca tem o acontecimento historicamente ativo. Tem o que não atua mais, e só “existe” na imaginação.
Eis a semelhança da pesquisa de intenção de votos da Unisol com a Perspectiva e o IBOPE, publicada ontem (domingo,21) pelo jornal Acrítica, cujo tempo real é para mais ou para menos: para sábado (jornal circula no sábado), ou para domingo (o jornal pretende o presente/passado no domingo).
A Unisol é uma empresa agente globalizada que presta serviços à Universidade do Amazonas (serviço que a própria universidade poderia realizar, mas a globalização…), portanto suas pesquisas não traduzem a cientificidade-comprometida da Universidade, instituição reflexo da imagem do pensamento do Estado. Todavia, de qualquer sorte, manifesta o nome de um professor da UFAM, Edmilson Araujo, que, por nenhuma sorte, é a síntese do pensamento da instituição de ensino. Logo, a infalibilidade do pensamento universitário da pesquisa está fora de cogitação.
OBNUBILADA UNIÃO
A pesquisa da Unisol, em seu método e publicação não apresenta nada diferente de suas congêneres Perspectiva e IBOPE. Estão unidas em três topos-perspectivos.
1- Desrealização do tempo. Querer que o passado seja o presente: pesquisa feita em dias passados (quase uma semana), publicada como um agora. Para alguns candidatos efusão a-temporal. Desespero e alegria: pseudos.
2 – Elogio ao semi-imutável. Amostragem de mudança da pesquisa de agora com a de outro agora (9,10 e 11 de agosto). Tudo como dantes: as três empresas mostram o mesmo resultado, tirando a não queda de Amazonino, só o candidato Praciano se destacou além da margem de erros. Serafim tinha 11,02%, passou para 14,77%. Unisol diz: margem de erros. Omar tinha 18,23%, passou para 21,68. Unisol diz: margem de erros. Praciano tinha 5,32%, passou para 12,59. Unisol, diz: sem margem de erros. E Amazonino? Como as outras duas empresas, a Unisol repete a simulação que produz a terceiro topo-perspectivo.
3 – Em sua ilógica, não universitária, a Unisol, como as outras empresas, não mostrou graus, um pouquinho maior de inteligência: não mostrou a partir da primeira pesquisa que a opinião publica no Brasil mudou, e no Amazonas, também. Principalmente com as combinações de saberes dos migrantes com os dos amazonenses. Corpos sócio/econômicos/cultural modificadores das formas de sentir e compreender outra Manaus. Sem esse entendimento, a Unisol, usou o mesmo método: saiu com Amazonino lá no espaço sideral, ponto inatingível pelos outros candidatos, quando ele está muito bem sentado na terra manô. Agora, como as outras, começa encolher a linha de seu papagaio de papel marquetista.
Claro, nenhum corpo é idêntico a outro, mas estas pesquisas estão querendo, para os eleitores, afirmar o contrário: “somos todas unidamente iguais”. Aí, muito bem postadas, para elas, a opinião pública não é mutável. “Mas que ela se move, se move” (Galileu/Brecht).