A MULTIPLICAÇÃO DAS MEIAS DÚZIAS NA PETROBRAS E PRÉ-SAL
Na história da humanidade, a invenção dos números pelo homem é um momento evolutivo fundamental para modificação dos modos e costumes, toda a concepção existencial do mundo das pessoas. Seguindo a pedagogia de Jean Piaget, seria a saída do homem do período sensório-motor. Para a filosofia da virtualização, atualizava-se uma nova forma de percepção (percepto) do mundo: o numeral. Mas não demorou para que a força da “acumulação” operasse a falseação nos cálculos: desigualdade, igualdade, comparação, hierarquização. Quem tem mais? Quem não tem? O número passou a ser um enunciado manipulável de acordo com quem o emitia como voz de comando. Num dos pontos onde a mídia seqüelada, o ex-governo e a atual oposição, em relação ao governo Lula, mais tentam manipular os enunciados numéricos é no que diz respeito à Petrobras e, agora, também à Pré-Sal.
OS AVANÇOS DEMOCRÁTICOS DA PETROBRAS
A Petrobras, a maior empresa estatal brasileira — um dos sonhos privatistas que o ex-presidente Fernando Henrique não pode realizar; ou melhor, desrealizar —, a cada ano vai aumentando vai só se consolidando e batendo seus próprios recordes. Na segunda-feira passada (11), foi anunciado o maior lucro trimestral (R$ 8,78 bilhões) e semestral (R$ 15,7 bilhões) da história da empresa. Mais números: uma geração operacional de caixa de R$ 32,7 bilhões e receita operacional líquida de R$ 101,4 bilhões, tudo como nunca antes na história da companhia, diria Lula, para inveja e desespero do tucanato.
A NOVIDADE PRÉ-SAL
Pra completar, todo o investimento científico-tecnológico fomentado pelo governo Lula na Petrobras culminaram com a descoberta da mega-camada pré-sal, que compreende cerca de 800 km, entre o Espírito Santo e Santa Catarina. Com a descoberta, a ministra Dilma Roussef diz que o Brasil deixará de ser importador, para ser exportador de petróleo. Mas o principal na fala de Dilma é que “isso define fundamentalmente o princípio que vai nortear o governo no uso do petróleo: tomar todas as medidas para transformar esse grande recurso do pré-sal em uma fonte que vai permitir aos brasileiros melhorias e que vai permitir que nós avancemos”. Lula, então, terça-feira (12), no lançamento da Caravana da UNE, convocou os estudantes a mexer na Lei do Petróleo (Lei 9.478/97), criada durante o governo Fernando Henrique com “o objetivo de beneficiar o cartel chefiado pela Exxon e pela Shell”, muito bem lembrado por Sérgio Cruz, do Jornal Hora do Povo. Lula falou ainda do decreto que criou uma comissão interministerial, a qual tem dois meses para preparar a proposta de extração de petróleo da Pré-Sal, acrescentando que deve ser usado para “resolver definitivamente os problemas da educação”, de modo que não venham a ficar “na mão de meia dúzia de empresas”.
O INSOSSO DISCURSO DA MÍDIA SEQÜELADA
Com o anúncio de que pretende criar uma nova estatal para gerir a Pré-Sal, a mídia logo se pôs em defesa dos interesses mais capitalísticos, afirmando, em unanimidade, que se for para o Governo Federal tratar a nova estatal tal qual a Petrobras, “é trocar seis por meia dúzia”. Que redução cognitiva! Não ver e não pode ver que os avanços que citamos acima na Petrobras não são apenas numéricos, mas com consistência numeral de projetos culturais, como os em parceria com o Minc. Nem ao menos atentou que de forma nenhuma daria para trocar seis por meia dúzia, pois que a Pré-Sal já sai de início com um patrimônio quatro vezes maior que a Petrobras, que fechou o semestre passado com nada menos de R$ 457 bilhões. Não é um simples equívoco com as operações matemáticas básicas. A dificuldade da mídia, assim como a da oposição, é um “erro” decorrente da estupidez que não suporta perceber que as riquezas brasileiras vão sendo usadas como devem, não somente para as empresas, mas para todo o povo brasileiro. A estupidez chega a tanto que a Folha de São Paulo chega a tascar o discurso de Lula de nacionalista. Esquece que a Petrobras acaba de comprar duas empresas, no Chile, pela bagatela de R$ 400 bilhões. Mas, como diria o filósofo-comunista Rui Brito, eles estão certos, não conseguem ver diferenças, para eles tudo é tudo o mesmo, não interessa o cálculo que façam, já que nada conseguem perceber.
DO MERCADO GLOBAL PARA A FEIRA
O que lhes interessa é a posição do enunciado fantasioso. Diríamos, fôssemos piagetianos, que não chegaram sequer ao período sensório-motor. Mas como não nos vão bem estágios e classificações, como não têm nada de real, não podem de forma nenhuma chegar ao numeral, ficando desesperados quando não conseguem impor a palavra de ordem numérica. É isso o mais doloroso para a mídia-direita: que Lula vai forçando a linguagem do Mercado Global, que gira todo pelo capital volátil, onde tudo vai sendo corrompido pela desrealização, a matéria-prima e o dinheiro. Para Lula, como presidente-operário, os trilhões do petróleo podem se tornar em meia dúzia de pães, uma cambada de mapará, um livro, farinha, vinho, lápis, camisa, rua, carro, laranja, escola, passagem, sapato… Pode até fulgurar nas cifras multinacionais, mas é na feira de nosso bairro que sua potência se realiza.