MAIS ARTICULAÇÕES NA CMM DO PASSE LIVRE CONTRA OS ESTUDANTES

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Ontem ocorreu na comissão de Finanças, Economia e Orçamento da CMM uma reunião sobre o Passe Livre. Na pauta, como sempre, nenhuma informação técnica e muito “achismo” por parte dos vereadores. Na comissão, além dos vereadores Jairo da Vical – o mesmo do projeto Passe Livre que acabava com a meia passagem e não instituía o passe livre – estavam Roberto Sabino (ambos do PRTB), Jorge Maia (PTB), Gilmar Nascimento (PSB) e Lúcia Antony (PCdoB), além de representantes do “Vírus” Sinetram (incluindo Acir Gurgacz, indiciado em mais de dez processos e condenado em um, cujo pai foi preso ano passado na Operação Articulados da PF, que apreendeu sete ônibus articulados com “idade” adulterada) e entidades estudantil.

Nos bastidores que antecederam a reunião, chamou a atenção o fato do vereador José Ricardo (PT) questionar – com razão – a realização da reunião, já que o compromisso do IMTU, ainda na gestão do virótico Marcelo Ramos, atual vereador, era de realizar um levantamento sócio-econômico dos estudantes usuários da meia passagem e dos custos do benefício no sistema de transporte coletivo urbano de Manaus. Nada disso foi feito, e nem havia representantes do instituto na reunião, o que leva à silogística conclusão de que o IMTU não tem ingerência e importância nenhuma para o transporte coletivo urbano. E que todo o trabalho de controle estatístico e prático do sistema é feito pelos empresários. Nenhuma novidade, no entanto. O próprio vereador José Ricardo já havia proposto que este controle passasse às mãos do Estado, o que foi condenado pelo então presidente do IMTU e pelo prefeito Serafim.

Entre idas e vindas, sem sair do lugar, o vereador Jorge Maia teria afirmado que por ele, os estudantes ganhariam 200 passes livres por mês, já que não serão os empresários nem o governo que irão arcar com o ônus, mas os pais dos estudantes. Maia desconhece que as produções coletivas de uma cidade tocam em todos os habitantes, e que a educação, quando transformadora, aumenta a potência criadora política da cidade, melhorando a existência de seus habitantes. Com essa produção, não há ônus, mas investimento. Como não há educação nem transporte na cidade, o ônus é também de todos. Mas para Maia, o poder público e os empresários não fazem parte da constituição coletiva da cidade. Ele está certo.

Sem as informações necessárias à análise da questão, restou aos vereadores e convidados o papo tatibitate imóvel que caracteriza a CMM. O presidente da comissão, Paulo De’ Carli (PRTB), intimou o Sinetram a fornecer dados sobre os custos do sistema, e foi informado de que as informações estão no site do Sinetram. Nenhuma palavra sobre o projeto do então vereador Praciano, que obrigaria as empresas a uma prestação de contas trimestral pela operação do serviço público, e que não foi implementada pelo veto do prefeito Serafim.

Ao final da reunião, o vereador Jairo da Vical indicou que apresentará projeto de lei sobre o passe livre junto com seu colega Roberto Sabino. Só faltou Massami, o vereador-empresarial, provavelmente afastado das negociações pela excessiva exposição negativa de seu nome em ano eleitoral junto à categoria dos estudantes.

Portanto, estudantes, cuidado. Vindo desta câmara que é incapaz epistemologicamente de compreender um problema social, e partindo dos vereadores que já tentaram implantar um PL do passe livre nocivo aos estudantes, a frase soa mais como ameaça do que como esperança.

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