A exposição da professora Arlene Clemesha, no Seminário do enfrentamento ao Antissemitismo organizado no Itamaraty, absolve Clara Ant – organizadora do evento – acusada de privilegiar o sionismo radical
Diretora do Centro de Estudos Palestinos (CEPal) da USP, em menos de 20 minutos Arlena traçou um diagnóstico preciso da situação atual do antissemitismo.
Sua aula foi de uma lógica devastadora:
Lembrou o holocausto como um processo sistemático de assassinato não só de judeus, mas de ciganos, árabes, homossexuais e pessoas com deficiência.
A Europa criou o conceito de holocausto para tentar isolar o evento, como algo excepcional na história do continente, deixando de lado os sucessivos genocídios praticados pelos europeus ao longo da história. Holocausto, então, é um método de exterminação de populações, que vai muito além do holocausto judeu.
O sionismo surgiu com a ideia de um Estado judeu, que se incumbiria da defesa de todos os judeus no mundo.
Ao mesmo tempo, os atos do Estado de Israel passaram a ser apresentados por Netanyahu como proposta de todos os judeus.
Essa armadilha política fez com que comunidades judias, em várias partes do mundo, passassem e entender as críticas ao genocídio de Gaza como crítica ao povo de Israel. Chamaram para si todos os crimes de Netanyahu.
A partir desse raciocínio, a professora sustenta que uma lei contra o antissemitismo só seria legítima se acompanhada de uma lei contra o antiislamismo.
E conclui com o óbvio: o antissemitismo está sendo alimentado pelo apoio cego de comunidades judaicas a todas as loucuras genocidas cometidas por Netanyahu.