COLUNA VERTEBRAL

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A MAIS-VALIA DA MÍDIA NA IMAGEM DE ISABELLA

Começou outro frisson tanático/fúnebre na mídia. Com a reconstituição dos percursos e desfecho simulado pela polícia sobre o fato infanticídio da meiga criança, a mídia atrofiada entrou em despudorado (a essencialidade de seu corpo corrompido) encarniçamento: Quer saber quem era a boneca usada pela polícia usada na reconstituição? Qual o nome dela? Se era batizada, crismada e se fez a primeira comunhão? Qual o time que torcia? Se gostava da Xuxa, Eliana, Angélica e Malhação? Se tomava Coca-Cola? Todas as notas imprescindíveis para a produção venal do humano-mercadoria. A ilusão fundamental de que tudo se troca (Baudrillard). A ilusão produtora da sociedade/voracidade pervertida. Se nada pode ser trocado, porque nada tem equivalente, que a mídia construa o mundo dos conceitos com seus objetos equivalentes. A mais-valia da avareza imagética.

O GRANDE SAQUE DA GLOBO

Enquanto as outras mídias ficaram presas às questões pessoais da boneca reconstituidora, a Globo, como sempre lhe ocorre, saiu na frente, procurou um furo metafísico: Procurou saber se a boneca arriada do sexto andar do edifício já estava morta quando chegou ao solo. Ou se haveria nela algum sinal que pudesse incriminar seus autores.

Admoestada pelas autoridades de que se tratava apenas de um recurso policial-jurídico para auxiliar na conclusão do crime, ela, viciada em transformar o irreal no real em nome do lucro, em sua onipotência, sentenciou que, no mundo da troca, mesmo qualquer encenação é verdadeira. A boneca tinha vida. Se não tivesse não teria sido usada na reconstituição para assemelhar com o real, e não teria atraído tantas pessoas perto do local e diante dos aparelhos televisivos. E asseverou, contundente: “As pessoas me assistem porque sabem que tudo que apresento é verdadeiro. Logo, o telespectador quer saber qual o estado da boneca depois da queda. E se possível quem a socorreu. E se ela tinha plano de saúde.

Indagada se não se sentia envergonhada com sua atitude sórdida, respondeu: “Nem um pingo. A vida é um espetáculo, e eu vivo do Show que sou: Vida e morte, tudo é igual. Tudo faz parte do Show. E em nome do sucesso, o Show não pode parar!”. E para sustentar mais ainda sua voracidade tanática, avisou que as outras emissoras iam ter que ficar consoladas em suas insignificâncias, pois já estava muito à frente de todas no caso da boneca: Comprara uma entrevista exclusiva com os fabricantes da boneca.

Para a mídia, um fato/mercadoria só não serve mais ao lucro quando deixa de emitir qualquer signo mais-valia de consumo.

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