QUAL É A RAPAZIADA DA GLOBO?

Gonzaguinha, cujo pensamento inquietante permanece em movimento, foi um dos poucos artistas brasileiros que durante a ditadura perturbou o sistema sem nenhum senso de heroísmo e muito menos senso de coragem romanceada. Apenas fez, como lembra o barbudo alemão, Marx, observou seu tempo-histórico, analisou e a partir de então começou a mandar. Mandou tanto que foi sempre perseguido não só pela censura militar, como também pela estupidez da classe média com sua limitação intelectual e ausência social, que o considerava um pessimista, só aceitando-o depois de seu LP, Pessoa. Uma pessoa que continuava no mesmo movimento político, mas a boa classe continuava limitada. Lembramos de seu Show suado, no melhor sentido de um artista engajado, em meados de 70 no Teatro Amazonas. Como disse, na época, o filósofo Rui Brito: “Uma porrada!”. Na repressão e na ostentação fálica do templo orgulho dos ajuricabanos colonizados. A força de sua poesia e a leveza de sua melodia sacudindo as esperança lutando para o muro cair. Sua magreza exuberante espargindo o amor que “acredita nas pessoas e no futuro que seja fruto de nossos corações”. “Quando eu soltar a minha voz, por favor entenda…”. Daí, a rapaziada sempre lhe procurar como um companheiro com a palavra da amizade sempre a ser dita. O inquieto companheiro de Lulu. Das vozes pela democracia. Tudo como Show da rapaziada. Mas eis que a Globo usa sua arte para vender sua violência televisiva ilustrando uma rapaziada pálida como se fosse deste artista/itinerante. Poderíamos dizer, “É blasfêmia!”. Mas não é: a Globo jamais poderá se aproximar deste político. Ninguém, nem na maior estupidez, pode relacionar Gonzaguinha à rapaziada da Globo. Não porque ela, ao servir a ditadura, tenha sido inimiga do artista, não. É que ela é miserável demais para tocar em sua riqueza. A tirania dolorosa da Globo nem como lusco-fusco pode enganar a beleza de Gonzaguinha. Portanto, não há rapaziada na Globo. A rapaziada da Globo é a malhação e os seus tristes-passados Ali Kamel, Jabor, Bonner-Simpson… Esta a rapaziada que ninguém acredita, porque não “vai a luta com a juventude e nem enfrenta o leão”. Nem mesmo o leão da metro, que como dizia o comediante, “são dois urros e o resto é fita”.

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