*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

Θ A BATALHA DOS CORPOS INERTES I – A final do Mundial Interclubes, ao contrário do esperado, até foi movimentada no plano
sensório-motor. Vontade não faltou aos dois times. No entanto, uma diferença marcou a vitória até certo ponto fácil do time italiano: um pouquinho a mais de técnica, embora esta não venha de onde os holofotes apontam. Quatro a dois, gols iguais, Milan com suas armas mais que conhecidas, e o Boca com suas ausências também mais que decantadas em verso e prosa. Parabéns aos berlusconianos, que têm um time melhor – poder-se-ia dizer: têm um time – e têm ao menos duas jogadas, que continuam funcionando, pelo menos contra os sudamericanos.
Θ A BATALHA DOS CORPOS INERTES II – O grande responsável pela única jogada que hoje tem o time milanês não tem a cara de baixinho da
Xuxa, não pertence a Jesus e nem recebe os flashes das câmaras do futebusiness internacional. Quem carrega o piano do Milan é um meio-campista chamado Clarence Seedorf. É ele o responsável por colocar o burocrático Kaká em condições de fazer o que ele sabe – correr e servir. Por sua vez, o humilde cordeiro de Deus serve a bola para o porteiro Inzaghi, que arremata quando a defesa lhe dá espaço. Não sendo esta jogada, sobra para o Pirlo resolver, de falta ou num lançamento. A isso se resume atualmente o campeão do mundo, 11º da Serie A da Itália.
Θ A BATALHA DOS CORPOS INERTES III – Do Boca, não se pode dizer nada. Nada de defesa, nada de meio-campo, nada de ataque. Talvez tenham se salvado, com alguma boa vontade do torcedor crítico, o esforço e a garra do ‘el negro’ Ibarra, a atuação discreta, sem comprometimentos de Ever Banega (na mira da lupa financeira do time milanês antes mesmo da partida) e um dos poucos que não ficou abaixo da média, o cabelinho da moda, Palacio (na média, um jogador mediano). De resto, a ausência, e apenas uma presença. Este time do Boca não chega a meia-boca. Tem garra, mas isto apenas não basta. Um time que pretende ser campeão do mundo sem uma jogada, apenas chuveirando na grande área. Desconfiamos que o Grêmio faria papel melhor.
Θ KAKÁ, O BUROCRÁTICO. Uma das principais batalhas do Catolicismo Apostólico Romano e suas derivações durante os últimos dois mil anos, consiste em se apoderar dos corpos e suas ações/afecções. O filósofo luso-holandês Espinosa diz que um corpo, em contato com outro corpo que lhe faça produzir um afeto mau, tem sua potência de agir – sua força vital e capacidade criadora – diminuída. A máquina subjetivadora do cristianismo de São Paulo e da Igreja Vaticana (sem Cristo) conduz os corpos a um verdadeiro ‘pastoreio’ (a metáfora não é por acaso) das potências e dos afetos produzidos pelos corpos. E não somente no seu aspecto sexual, mas de sua atuação e movimentação intensiva no mundo. Assim é o corpo-Kaká. Vitimado pela subjetividade do capital igrejal – ele é fiel à Igreja Renascer, mas podia ser qualquer outra, inclusive a católica – Kakazinho não liberta o corpo nem mesmo dentro de campo. Somente numa época pobre em talento e autonomia futebolísticos, onde o futebol é “descerebrado”, é que um Kaká pode ser considerado o melhor do mundo. Seus adversários na premiação, Cristiano Ronaldo e Leo Messi, ao menos tem algumas fagulhas, microfissuras por onde de vez em quando – Messi muito mais – passa à ‘outra’ dimensão, que desfoca e altera a percepção e as certezas do espaço. É quando o movimento intensivo do existir altera o real. Garrincha fazia isso. Maradona também. E Canhoteiro, e Jairzinho, e Ronaldinho, e tantos outros. Até Robinho, de vez em quando, tem. Kaká não. Não há um só movimento dele em campo que não seja burocraticamente previsível. É o corpo inpossibilitado de produções subjetivas autônomas. Kaká e a FIFA sabem disso. Em recente entrevista ao site da entidade, o meia afirmou que a conquista da Champions League foi determinante para que ele fosse indicado e o favorito a receber o prêmio amanhã. Vigor físico não é talento, e nem isso o meia tem. Domina bem os fundamentos do futebol: passe, colocação, velocidade. Nada além disso. Ganhará, amanhã, salvo cataclisma, o prêmio da FIFA de melhor do mundo, demonstrando duas evidentes situações: a ausência de criatividade e inteligência do futebol, que se rendeu ao técnicos-estrelas e aos operários da bola, e a confirmação de que a FIFA é prejudicial ao desenvolvimento do futebol como estética do existir do homem no devir-lúdico.
Θ E FALANDO NA PERICULOSIDADE DA FIFA, a entidade aproveitou o ensejo para re-afirmar sua hegemonia política, e usar de dois artifícios característicos da ditadura: primeiro, não permitiu à rede transmissora do jogo repetir os lances considerados duvidosos na partida. Embora os chamados replays não alterem o resultado dos jogos, e seja apenas um acessório na programação das emissoras de TV, o impedimento do uso deste recurso demonstra um corte na linguagem imagética do esporte, já epistemologicamente reduzida. Típico de quem pretende controlar a pragmática lingüística para tiranizar. Segundo, afirmou que reconhece como campeão mundial somente aqueles que participaram das cinco edições do torneio realizadas até agora por ela. Pretende, desta forma, ignorar os trinta anos de competição que, se não respeitou a representatividade de todos os continentes, foi uma demonstração de autonomia das federações durante muito tempo. Como ignorar os três títulos mundiais de Nacional e Peñarol, do Uruguay? E as finais antológicas de 1962/63, entre o Santos de Pelé, Milan e o Benfica? Um dos recursos de que dispõem os tiranos é se fazer acreditar que a história só existe depois deles e a partir deles. Quando fixou um calendário cristão, a Igreja pretendeu que o mundo passe a existir a partir do nascimento de Jesus. A FIFA pretende estabelecer o mesmo logro. Sem sucesso, claro. Ou algum torcedor vai abrir mão do título mundial de seu clube?
Θ E NA SEGUNDINHA AMAZONENSE, o Nacional não teve como parar a laranja mecânica do Rio Preto da Eva. A final, contra o time B do Nacional, onde os laranjas jogavam pelo empate, terminou sem gols. Com o resultado, Holanda e CEPE garantiram participação no campeonato amazonense 2008, que você vai acompanhar aqui no ‘Chagão!’.
Θ REGIONAIS EUROPEUS EM CLIMA DE ESQUENTA! Enquanto a temporada sudamericana encerra suas atividades, no continente do easy money a temporada começa agora a engrenar. Veja os resultados dos principais certames:
BUNDESLIGA: na 17ª rodada, o campeonato embola na liderança, com Bayern Munique e Werder Bremen com 36 pontos. Enquanto os vermelhos tropeçaram fora de casa num empate sem gols com o Hertha Berlin, os alviverdes de Bremen sapecavam sonoros 5 a 2 no Bayer Leverkusen. O Hamburger SV, quatro pontos atrás, o Leverkusen e o Schalke 04 completam os cinco primeiros.
LA LIGA: o Real Madrid vence e continua firme na liderança, na véspera do confronto clássico com o Barcelona. O time merengue venceu o Osasuña em casa por 2 a 0. Os blaugranas, quatro pontos atrás, foram a Valência e golearam os locais, 3 a 0. Villareal, Atlético de Madrid e Espanyol completam os cinco, na 16ª jornada.
LIGUE 1: o Lyonaiss tropeçou, empatando em casa com o Nice, pela 18ª rodada. Mas não precisou se preocupar, pois o segundo colocado, o Nancy, também empatou sem gols fora de casa com o Strasbourg. Le Mans, Bordeaux e Valenciennes completam o quinteto superior da tabela.
PREMIER LEAGUE: Perseguição implacável continua, após a 17ª rodada do Inglês. Arsenal, 40 pontos, venceu difícil jogo contra o Chelsea, terceiro colocado, com 34 pontos. O vice-líder, Manchester United, venceu fora de casa o forte time do Liverpool, gol de Carlitos Tevez, e mantém a diferença de um ponto. Manchester City e Everton completam os cinco primeiros.
SERIE A: Após a 16ª jornada, sete pontos separam a líder Internazionale da vice-líder Roma. Os azurris venceram fora de casa o Cagliari, 2 a 0, enquanto os romanistas empataram sem gols com o Torino. Juventus, Udinese e Fiorentina completam os cinco primeiros.
BWIN LIGA: FC Porto avança e fica dez pontos à frente do Benfica, na 13ª rodada do Português. Os portistas venceram por dois tentos a zero o Guimarães, enquanto as Águias foram abatidas fora de casa pelo Belenenses, por 1 a 0. Sporting, Vitória de Setúbal e Guimarães completam os cinco da ponta.