INVERSÕES ECONÔMICAS: A TERATOGENIA TELEVISIVA

Dos Conceitos

& Inversão. Do latim inversione. Inverter. Por ao contrário. Oposto a uma função dita normal. Usado em economia, designa uma aplicação de capital em algum negócio. A aplicação de capital estrangeiro de forma direta e indireta no processo de construção da economia de um país, fazendo com que aja uma dependência econômica. Como ilustração temos nos fins da segunda guerra mundial os países da América Latina recebendo um avanço das inversões norte-americanas frente ao recuo dos interesses europeus. Como o medium televisivo é homônimo à economia de mercado, ele age de acordo com os interesse daqueles que realizam as inversões do capital nas redes de televisão, fazendo da comunicação/informação uma série de mensagens teratológicas, na tentativa de denegrir a construção coletiva da realidade.

& Teratogenia. Produção de monstruosidades, anomalias. Seqüências de flashes sucessivos que hipnotizam o receptor. Surgem das imagens produzidas pelos vários pontos luminosos eletromagnéticos que se formam. Esses vários pontos não conseguem preencher por completo a imagem, obrigando, no caso do médium televisivo, o tele-espectador a ocupar os espaços vazios com sua percepção. A imagem, enquanto um emissor de comunicação/informação, traz consigo sinais independentes (que quando juntos constituem uma mensagem) de sua estrutura . Estes sinais, para que a comunicação/informação possa existir, devem ser decodificados pelo receptor. Se não há a decodificação da mensagem emitida pelo receptor, a comunicação/informação não existe e o que passa a ser produzido são sobrecodificações fomentadas pela redundância do significante que passa ao significante, ecolalia (palavra de ordem). Estas sobrecodificações não estão somente ao nível da imagem, mas também do som e da grafia. Estes três níveis, no médium televisivo são teratogenicizados. Há a tentativa da imobilização da realidade impondo ao público enunciados sintéticos, construtores da mensagem teratológica que pretende condicionar a visão, a audição e a grafia dos receptores, impedindo a percepção criativa da realidade.

& Modo de Produção. As relações materiais que foram surgindo e se tornando necessárias à produção social da própria vida. Contrai necessidades, relações de produção e constitui uma forma social. Social enquanto práticas que movimentam as relações no espaço público que garantem os aspectos materiais e imateriais para a existência. A totalidade destas relações levam a uma estrutura econômica da sociedade que determinam formas de Estado em seus níveis jurídicos, administrativos, religiosos, familiares, educacionais, informacionais, entre outros. O modo de produção surge como gênero, virtual que nasce do movimento das relações materiais e imateriais, enquanto a formação social é a atualização destas relações em ações concretas. No medium televisivo o modo de produção surge quando a estrutura da tevê determina relações entre o emissor e o receptor de forma a definir uma formação social sintetizada no binômio produtor-consumidor.

Notas Teratológicas

Como já apareceu neste Bloguinho Intempestivo, Fernando Henrique Cardoso, a confirmação da definição de sociologia de Fernando Pessoa como a inutilidade teórica e prática da política, ao dizer que para se ter brasileiros bem educados se faz necessário o falar bem a língua, talvez não tenha percebido a palavra como acontecimento vivo no mundo que vai movimentando seu significado (e não conservando seu estado estagnado de significante impositivo) como o poeta português citado diz:

    Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha”!

Assim notamos uma aproximação do entendimento de FHC com o medium televisivo quanto o embuste de querer a comunicação/informação e a linguagem falada e escrita como uma hegemonia do emissor sobre o receptor. Para FHC a palavra deve ser um ato impositivo, assim como o é para o medium televisivo. É por esta e outras tentativas de teratologicizar a linguagem que esta coluna separou duas notas.

& No programa Roda Viva da TV Cultura, o entrevistado venezuelano Teodoro Petkoff, diretor do principal jornal de oposição ao governo de Hugo Chávez, ao ser perguntado por um dos entrevistadores do programa sobre a censura que Chávez faz aos meios de comunicação na venezuela, Petkoff respondeu perguntando que censura. Os entrevistadores que estavam prontos e ávidos para expor toda a verborragia da direita embusteira democrática, ficaram sem mais perguntas. Quando o medium televisivo declara seu condicional amor às inversões e dependência do capital estrangeiro, faz para manter isso a repetição dos enunciados saquelados da mídia comercial globalitária. Tudo que coloque em risco o domínio que o capital norte americano exerce no mundo deve ser teratogenicizado.

& A Rede Globo de Televisão (RGTV), através do seu tele-jornal Jornal Nacional, divulgou no dia 28 (Quarta-feira) a notícia relâmpago sobre o recorde da taxa de dinheiro estrangeiro no Brasil. Logo em seguida dedicou uma reportagem longa sobre a cassação do Senador Renan Calheiros, onde fez menção direta do corpo a corpo que o Senador está fazendo para ganhar votos a seu favor, principalmente de políticos da base governista. A notícia relâmpago poderia ter uma melhor abrangência, por parte do tele-jornal da RGTV, caso este tivesse o entendimento do quanto é positivo explicitar para o público a importância deste fato semi-noticiado. Se desde a chegada dos europeus cá nestas terras, a entrada do capital estrangeiro interferiu na independência econômica do país. Hoje a entrada deste capital no Brasil significa queda do risco-país, “indicador que mede o interesse do investidor estrangeiro em aplicar recursos nos títulos da dívida brasileira”, o que proporciona mais investimentos para a economia do país. Que o medium televisivo é contra tudo que é público, isto é, a máxima inerente a sua estrutura, mas não noticiar de maneira ética o que é necessário a um país e o seu povo é a afirmação da sua capacidade em transformar a mensagem em recursos teratológicos.

O medium televisivo tem como exclusividade o contrato com o capital. Ele forja os meios que o conserve como modo de produção burguesa, uma vez que instala, através da hegemonia do emissor sobre o receptor, uma relação sem disfarce entre produtor e consumidor. O modo de produção televisivo implica em uma formação social que evidencie todas as contradições do capitalismo globalizado, mas não para alertar e sim para confirmar. Todavia, como diz Eduardo Galeano, a Burguesia da América Latina, e isto bem podemos ver no Brasil, entra em estado de decrepitude antes de crescer.

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