OBSCENATÓRIO DA IMPRENSA
Um sacada fora (ob) da cena (scenus) do lugar da ação (torius) da imprensa

<- “Memória Ativa”, afirma a BANDNEWS. Publicidade de si mesma composta por imagens de fatos do Brasil tomadas como jornalisticamente importantes, cujas imagens finais apresentam os ridículos cansadosfrênicos. Muito importante para quem tem Mitre, sensitivamente PSDBista, como chefe de jornalismo. Marketing televisivo bombástico eminentemente raso como só acontece na mídia de mercado. Desconhecimento óbvio dos conceitos Memória e Ativa. No primeiro, desconhece que a memória não é ativa, mas um inventário de imagens-lembranças – passado – sem força de atualização de novas percepções para construir o real. Como afirma o filósofo Bergson: “O que não atua mais”. No segundo, desconhece o ativo como ídeo-motor: o atuante da percepção pura como presente experimentador modificante do real anterior para surgir o real futuro/movente. Marx sacava: a repetição é farsa. Farsa não como teatro, mas como caricatura do passado: o irrecuperável. Nietzsche ironizaria dito jornalismo como niilista, tal o desfile de saberes pessimistas não ativadores do pensamento. Nada esperar de território imóvel onde imagens Jabour, Miriam Leitão, Nêummane Pinto, Hipólito, etc, se mostram espectrais. Daí, a BAND ser New só na imaginação.
<- “Tirando o fato de Huck ser uma celebridade, há uma tendência, visível em todo o mundo, de maior valorização do local, do cotidiano, do que está mais próximo do consumidor de notícias”, afirmou o jornalista Gilberto Dimenstein do Conselho Editor da Folha de São Paulo, ao escrever sobre a repercussão do roubo do Rollex do ilustre globiano. Seu texto ao negar a existência de democracia no Brasil, citar insegurança, Congresso desrespeitado, nos mostra a ingenuidade do realismo/jornalístico da Folha. Escreve “celebridade” sem notar que a classificação saiu da miséria cognitiva do jornalismo midiático. “Valorização do local’. Todo local tem valor seja ele aterrador ou acolhedor. E representa uma pré condição de se situar como dentro ou fora de um sistema. Como o jornalista, o ladrão e o globiano estão inseridos no mesmo sistema, não pode sair um texto examinador com rastros de um outro sistema. “Está mais próximo do consumidor de notícias”. Estas metrificações jornalísticas de próximo e distante o filósofo da dromografia, Paul Virilio, já tratou muito bem: a dissipação ofuscou o espaço e o tempo. Estas notícias próximas carregam discursos/miragens por isso atraem um público tomado pelo jornalista como interessado pelo político. Infelizmente o texto de Dimenstein continua “infanto/juvenil”. Principalmente quando pretende tratar sobre educação.
<- “O porco fedorento Che Guevara”, exclamou o possesso guru da Veja, Mainardi. Em sua miséria cognitiva, o boy continua ridicularizando a si mesmo em um Show lítero/cacográfico proto-risível. Boy, não sabe que o porco nada tem a ver com o enfraquecimento do ânimo de viver anêmico estereotipado. Além do mais, o referido porco, como animal, não é porco. E não sendo porco/humano, não pode ser responsabilizado por quem carrega fedor. Em seu viver não há fedor. O fedorento é com os homens, principalmente com os jornalistas venais. Como carrega infantilização a expressão ”Porco fedorento!”. Quanta dor. Quanta infância interditada. Lembra menino babão na escola dedurando o coleguinha à professora. Quanto a Che, o que o boy/burguês/bem nutrido e conformado pode saber de liberdade, de Sartre, de América Latina, de mundo? Nada. A existência ressentida, travada pela culpa lhe imposta, manifestada pela inveja dos que são livres, não concede esse saber ao boy.
<- “Tem algo errado com os telespectadores, que até pouco tempo eram tão fanáticos pelo que a TV lhes mostravam”, concebeu o telenovelista Aguinaldo Silva, respondendo à Globo que lhe cobra por maior audiência. Aguinaldo Silva é daqueles tele/escritores possuidores de um túnel de inutilidades, que chamam de realismo, sempre com várias luzes em seu começo, meio e fim. O mago da cultura descartável que alguns sociólogos, antropólogos urbanos, jornalistas, acreditam ser necessário. E chegam a classificar telenovela de arte. Embora não passem de seqüências ininterruptas de clichês compostos de paixões tristes fortalecedores da apatia/social. Sem contar com as técnicas de filmagens apresentadas com seus enfraquecidos/empáticos/planos hipnogógicos direcionados ao inebriamento dos sentidos, inteligência, atenção, vontade e autonomia. É o gênio brasileiro responsável pela adaptação, segundo ele, da vida de Zé Dirceu à sua telenovela despencada em audiência. Elogiada, como saque genial, pela ‘inteligentísssima’ Ruth de Aquino, editora-chefe da revista Época, também da Globo. Tudo em casa. Pois o Aguinaldo, não fazendo jus ao Silva, não sabe por onde andam os telespectadores. Como um gênio da TV não sabe por onde andam os telespectadores? Se deixar a megalomania fantasiosa do psicodelismo midiático vai saber. Como vai saber também, porque a cansada Ana Maria Braga com seu desqualificante, “Mais Você”, está em curva decadente juntamente com o “Fantástico o Show da Vida” da Globo e outros. E saber que existe a turbulência, como diria o filósofo Michel Serres, a declinação do ângulo dos “sem mídias”.
Vai aprender a escrever, zé ninguém.