!!!!! O MUNDO É GAY !!!!!

O PODER É FALO, A POTÊNCIA É FLUXO
O poder, fofuras, corrompe. Essa frase batidíssima, que não pode faltar em roteiro de filme pseudo-engajado e supostamente político produzido nos mega studios de Hollywood, até que tem razão de ser.
Acontece que o poder é uma idéia inadequada. Uma idéia que não tem correlato no chamado mundo real. É uma invenção do homem, criada a partir de um (des)entendimento sobre certos afetos produzidos a partir dos encontros que ele tem.
O poder advém da idéia equivocada de que é preciso, para produzir a potência-afeto, subjugar outros corpos. Significa tentar fazer com que os outros corpos só produzam os afetos que este corpo quer. Como ele próprio não é capaz de produzir afetos alegres, que aumentam a potência de agir, então os outros corpos também não podem, sob o risco de forçá-lo a mudar também. É preciso que estes corpos disseminem, inoculem em outros corpos estes afetos imobilizadores.
Pois bem, na sociedade do Capital, predominam os afetos tristes. Portanto, o exercício do chamado poder político está mais para o exercício do poder do que para a distensão da imobilidade e o aumento das potências.
Por isso, quando surgem pessoas (nunca um só indivíduo) que, nesta estrutura de poder, distendem, pelos afetos que carregam, a imobilidade do capital, passam a ser vistas como perigo para o status quo. Assim, o quinteto “infernal” da América do Sul é visto como perigoso para as chamadas elites locais e para os estadunidenses. Chávez, Evo, Lula, Cris Kirchner e Tabaré Vazquez (Uruguai).
Daí a imprensa sequelada venezuelana, por exemplo, para tentar desestabilizar o governo Chávez, tachá-lo primeiro de gay, para depois “revelar” um suposto caso amoroso de Huguito com a governadora do Pará, Ana Carepa.
No sentido gay, Tabaré no Uruguai e Cris na Argentina são os governos que mais se aproximam politicamente das demandas sociais da população gay.
Para amedrontar ou ofender os inimigos, costuma-se usar aquilo que amedronta ou ofende a nós mesmos. Por isso a imprensa tenta adesivar o signo-clichê gay em Chávez e não consegue. É que o poder, que corrompe, é o Falo (Hominismo, Machismo), e a potência, que é fluxo, é gay, alegre, criadora. Ui!
E agora vamos ver os sopros gayzísticos (ou não) que passaram no nosso Mundico!
Φ Jogadores do time do Barueri comemoram gol com beijaço! Esta colunéeeeesima já tinha avisado que não existe maior expressão do homoerotismo do que 23 homens se enroscando por 90 minutos tendo como efêmera justificativa a bola. Maradona e Caniggia não tinham o menor receio. Daí o atacante Thiago Humberto, do Barueri, que disputa o campeonato paulista, marcou um gol, se soltou, e foi comemorar com o volante Max Carrasco. A comemoração deixou muita comentarista enru-ru iradíssima pensando com seus botões: “por que
não foi comigo, Senhor?”. Daí choverem comentários homofóbicos e piadinhas que dizem mais da insegurança afetiva dos piadistas do que da condição dos jogadores. Mas é claro, num país onde a imprensa não sabe sequer organizar uma investida inteligente contra um governo popular, e sendo a imprensa esportiva ainda mais limitada intelectualmente, nem Soninha escapando, só pode ficar mesmo na estupidez e no pavor de desmunhecamento (in)consciente debaixo da bancada do programa esportivo. Sentiu a brisa, Neném?
Φ O Bispo sul-africano Desmond Tutu, que já tinha ganhado um prêmio Nobel pela sua luta no enfraquecimento da subjetividade racista no seu país e no mundo, agora ganhou outro reconhecimento, desta vez da Comissão Internacional dos Direitos Humanos de Lésbicas, Gays, Trans e Bissexuais, pela sua luta também no enfraquecimento da subjetividade homofóbica. Tutu, que é da Igreja Anglicana, comprou briga até com membros da sua própria igreja, que é mais aberta que a católica, mas que também se incomoda com o sopro gayzístico. Evidência de que é possível se acreditar num Deus menos antropomorfizado e que carregue paixões tão humanas, demasiado humanas. Sentiu a brisa, Neném?
Φ Violência homofóbica não mobiliza Manaus. Enquanto em Alagoas, o assassinato de Daniel Acelino, 43 anos, morto a pedradas, movimentou as entidades GLBTT de Maceió, em Manaus, morte decorrente também de rancores homofóbicos parece não comover as entidades da categoria. No último dia 26 de março, o jovem Thiago Nogueira foi morto por dois homens em uma moto, na Avenida Getúlio Vargas, no centro da cidade. Somente neste mês, contando Thiago, já são 3 os assassinatos com características homofóbicas. Infelizmente, a população GLBTT de Manaus parece só se mexer quando o assunto é Parada Gay, mas na hora de brigar pelos direitos civis, tudo fica a cargo da presidente da associação, Bruna La Close, que tem de recorrer aos órgãos públicos. O próprio movimento em Manaus é muito dependente de ações governamentais, e não tem autonomia para promover eventos nem atividades sociais, ficando à mercê de madrinhas e padrinhos oportunistas, que sabem que voto não tem orientação erótica. Cadê a gayzarada de Manaus, oxente? Sentiu a brisa, Neném?
Φ Alguns gays ainda não largaram a subjetividade familialista. O casamento é uma instituição que foi muito bem aproveitada pela moral burguesa. Colocar cada coisa em seu lugar, o homem no papel de chefe da família, a mulher submissa, a fidelidade paranóide, o cotidiano mesquinho das brigas… o fracasso da monogamia, letra de Aldyr Blanc, voz de João Bosco: “Wanderley e Odylon / Yolanda e Adelina / Cada um faz o que gosta / E o relacionamento / Continua a mesma bosta”. Ui! Mesmo assim, alguns homoeróticos querem, insistem na palavra “casamento”. Que é diferente de uma uma união civil estável, que garante os direitos e preserva o patrimônio em comum, necessidade da sociedade da propriedade. Mas o casamento é muito mais que uma união civil, e a família moderna, graças às mudanças nas relações econômicas e do trabalho, prescinde deste ritual social. Embora, assim como o saudosismo infantil de épocas remotas e o retorno a um igrejismo medieval, a “onda” dos casamentos tenha retornado mais como embrutecimento do que como distensão. Agora a briga no meio GLBTT é saber quem casou primeiro. Bastou o jornalista Felipeh Campos anunciar seu junta trapinhos com o produtor de moda Rafael Scapucim como “o primeiro casamento gay do Brasil”, pra outros casados entrarem em POL-VO-RO-SA! Puro marketing, bobinh@s, com direito a todo o protocolo de um casamento tradicional, e a presença do governador do Rio, Sérgio Cabral Filho. Agora, se o assunto é o Day After, com as brigas, os desentendimentos, as expectativas jamais cumpridas, o ódiozinho reprimido, o esvaziamento do erotismo, a eterna luta de duas consciências tentando aniquilar uma à outra, será que se essas monas sacassem isso, teria esse bafafá todo? DU-VI-DE-Ó-DÓ! Sentiu a brisa, Neném?
Beijucas, até a próxima, e lembrem-se, meninas/os:
FAÇA O MUNDO GAY!