Se a Vertebral não analisou nada se realizou

Coluna Vertebral

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A BELA E OS CHAUVINISTAS DA DIREITA

Era uma vez uma bela jovem estudante, amante dos princípios de liberdade democrática construídos nos entrelaçamentos de suas experiências familiares. Berço onde as crianças compõem suas singularidades com os outros e fecundam a respeitabilidade e o compromisso social. A potência constitutiva do amor socializante. Vivenciando sua infância e adolescência nos laços ternos e graciosos da alteridade comunicante, atingiu um grau superior de inteligência que lhe permitiu “apropria-se da matéria em pormenor, analisar as suas formas de desenvolvimento e encontrar seus elos internos” (Marx: sobre a Dialética). Detentora destes elementos epistemológicos, compreendeu o discurso despótico predominante, inquietou-se, engajou-se e se pôs no centro do mundo burguês. A bela jovem estudante se fez mulher atuante nas lides libertárias contra a ditadura perseguidora de todos que se colocavam contra suas idéias violadoras da democracia. Certo dia, como ocorreu com a maioria de seus companheiros, foi presa, torturada e banida do mundo das inquietações sociais. Violentada em seu corpo, e privada da liberdade, seu espírito movimentou-se, aquecendo sua graça feminina como potência vital. Assim, a bela menina seguiu na contigüidade da bela mulher.

Anos seguintes, passado o terror e a miséria tirânica, um certo operário Sapo Barbudo, depois de juntamente com companheiros de instâncias múltiplas fundar um partido político com olhar nas causas sociais populares, foi eleito presidente do Brasil. Elevado ao grau maior de chefe da Nação Brasileira, o Sapo Barbudo convidou-a para compor seu ministério. Então, como diz o cancioneiro popular, “mais bela”, a inteligente mulher ocupou seu cargo com o humor grego vitalidade, e o logos epistemológico democrático. Seu talento para as causas públicas logo despertou o interesse político do operário/presidente, ao mesmo tempo que despertava a inveja da direita chauvinista, vendo nesta deferência do torneiro mecânico pela bela mulher uma ameaça às suas oralidades alucinadas de poder. Delirando vingativamente, colocou em prática o seu atavismo político/financeiro: a sordidez patológica nazi/fascista. Anomalia superior de seu corpo deformado. Desprovida de qualquer prurido moral, distribuiu em todos seus territórios psicóticos sua pustulência, visando atingir o governo produtivo do Sapo Barbudo. Caindo rastejante na última refrega eleitoral para presidente, quando foi democraticamente escorraçada pelo povo, continuou em sua tara sinistra. Agora, escolhendo para sua vítima parlamentar, midiática e empresarial, a bela mulher: Dilma Rousseff.

Enfraquecida, e em estertor desesperante, sob a força produtiva de Lula, capaz de eleger para presidente qualquer candidato, até Arthur“5,5%”Neto (que Deus tenha piedade de nossa alma, e que os anjos maus jamais digam amém), ela viu pela primeira vez o real: Dilma presidente do Brasil. Então, não deu outra: mergulhou de vez no lodo de sua ignóbil existência e revelou despudoradamente seus chauvinismo, mesmo com mulheres em sua família. Dilma passou a ser o objeto de seu ódio das mulheres. Principalmente as livres e inteligentes.

O CHAUVINISMO DE MÃO SANTA

Aprisionado no chauvinismo histórico da dor patriarcal/sacro/burguesa a anomalia hominista: medo da fêmea, o simulante de senador Mão Santa, manifestou sua alma santa chauvinista mandando Dilma cacarejar. Clara duplicidade pejorativa: tentou assemelhar a ministra à galinha/prostituta. Em sua atrofia cognitiva atribuiu à espécie galinha seu antropomorfismo pornô. O dom moral pervertido do próprio chauvinista. O medo diante da mulher, o que a psicanálise existencial chama de fracasso ontológico na relação mater-filial. Angústia da culpa e dívida familial. Proferido seu chauvinismo em plenário, alguns senadores pediram que não constasse nos anais do Congresso. Entre estes senadores, Arthur“5,5%”Neto. Ato improcedente: deve constar para servir de documento de prova para o povo saber que tipo freqüenta o Senado. O pior corpo senatorial da história política do Brasil.

O CHAUVINISMO DE ARTHUR“5,5%”NETO

Imobilizado pelo medo de Dilma, candidata real para vencer as eleições para presidente, o “orgulho do Amazonas”, pretensioso candidato à presidência da república, manifestou seus sintomas de quem vê na vagina, no clitóris, no útero, no ovário e nos seios, a impotência chauvinista: a mulher é um perigo. Sintomaticamente, perguntado sobre se as palavras da ministra lhe convenceram, respondeu que só ficaria convencido quando ela dissesse a verdade. A um chauvinista nenhuma mulher carrega verdade, o que Freud mostrou muito bem em sua teoria sobre a inveja do homem sobre a mulher. Assim, verdade para ele é o que se harmoniza com as alucinações perversas da moral da direita: a nostalgia da mulher submissa. Tudo que a bela mulher não é. O que exacerba mais ainda o chauvinismo, porque se trata de uma mulher que não é uma passiva Cinderela dos contos da política brasileira. Mas uma mulher que sabe quem são os conspiradores inimigos da democracia. Uma mulher não iludível pelo Complexo de Jocasta que a direita cultua.

O CHAUVINISMO DE ÁLVARO DIAS

Anomálica atavicamente, a direita não carrega inteligência e nem criatividade por onde possa escapar um só pontinho de realidade. Em sua secura, ela causa arrepios de deboches nos franceses quando denomina de dossiê fragmentos de contas técnico-burocráticas. Habituados com o sentido jurídico-social como corpus-processo, os franceses ironizam a sabedoria jurídica-política da direita, que transforma o sentido jurídico de dossiê em anotações de vendas fiadas em cadernetas de tavernas. Destrambelhado no carrossel dossiêstico chauvinista, o senador Álvaro Dias se revela um real parlapatão: escorrega, se lambuza e baba em despropósitos indignos de um parlamentar. Desesperado com a ternura poiética da bela mulher em ascensão política social, assume o personagem de informante do baixo gueto, o dedo duro lambanceiro, e entrega à pauteira de suas causas parlamentares a Veja o que ele acreditava ser a rasteira geral na ministra: “Agora ela vira Roseane Sarrney”. A bela mulher sequer sentiu epidermicamente o anêmico sopro malsão. Então ele se estatelou de vez na sarjeta pútrida. Agora, sem saber o que fazer com seus dias, Dias afirma que não tem culpa nenhuma na sórdida teia chauvinista. A culpa é da ministra, que é inteligentemente bela. Como Álvaro mira no alvo, sem perceber que o alvo é ele mesmo: o Álvaro. Obnubilado em seu chauvinismo, aplica-se cascudos flageladores por não entender que seria muito ódio da ministra contra si mesma para montar uns remendos de cadernetas de taverna e chamar de dossiê.

Chegado 2010, Dilma Roussef é eleita a primeira mulher presidenta do Brasil, humilhando eleitoralmente o candidato da direita. Quanto aos três, Mão Santa, depois de profícua atuação dos movimentos das mulheres em todo Brasil , que balançou as esposas, maridos e filhos do Piauí, não foi reeleito. O parlapatão Álvaro Dias, cassado por decoro parlamentar, se recolheu a sua insignificância e ficou chupando o dedo de inveja do irmão. Arthur“5,5%”Neto, sem apoio de nenhum empresário, por estarem lucrando como nunca no governo Lula, e sem ajuda da Assembléia de Deus, na pessoa de um dos seus influentes proprietários, deputado federal Silas Câmara, não se reelegeu, sobrando para si candidatura a presidente dos bois Caprichoso e Garantido. O que lhe levou a tomar aulas de dança de dois pra lá, dois pra cá.

O Brasil continuou sua vocação para o desenvolvimento e a alegria popular.

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