OS ESTADISTAS FERNANDO HENRIQUE E ARTHUR


No pensamento político de Sócrates/Platão, encontram-se dois fundamentos essenciais ao conceito de estado. 1- A homologia: a identidade do discurso. 2– A homonóia: identidade do pensamento. Ambos resultantes da Aidós, respeito da opinião publica; e da Díké, norma pública de conduta (justiça social). Nada mais do que a prática social. O que engrandece o estado. A virtude por excelência como obra da temperança (Sophrosyne) aliada a coragem (Andréia). Eis a democracia como sociedade de todos. Onde, embora, o discurso e o pensamento sejam plurais, constituíssem em práxis social dirigida ao mesmo objetivo: o Bem Comum. Um modelo de inteligibilidade social compreendido nas partes social e individual. Não há dúvida que historicamente as democracias são organizações (táxis) políticas resultantes das experiências singulares de cada povo, principalmente do que lhe é próprio, mas também, não há dúvida, que a idéia grega como relação de produção política de todos, permanece implicada em todas democracias como o invariante social. A subjetividade social capaz de implicar todos, principalmente, no caso da modernidade, a democracia representativa. Idéia obrigada a todos que representam um cargo legislativo e executivo.
A DOXA DE FERNANDO E ARTHUR
Entretanto, não é o que acontece com a auto-alcunhada oposição. Acometida pela patológica síndrome da pseudologia: o falso discurso. Síndrome manifestada todo dia nos quadrantes múltiplos da democracia brasileira. E para não fugir da comoção, ela dissemina agora o seu cacólogo nas nuances da violência geo-jurídica promovida pelo governo Uribe, presidente (sob suspeição eleitoral) da Colômbia (nada a ver com o povo colombiano) contra o Estado do Equador (que tem a ver com o povo equatoriano). Não podendo se furtar ao ato disseminador, o iludido (quer acreditar que alguém acredita que fala) Fernando Henrique, ao ser indagado sobre a decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez deslocar tropas militares para a fronteira com a Colômbia, respondeu ser uma coisa muito audaciosa, que não era preciso. Opinião do estadista contrária às opiniões dos democratas do planeta, mas homo a de seu amigo tirano Bush. E para não deixar nenhuma dúvida sobre sua submissão estadista a Bush, ao ser indagado se havia algum perigo no conflito entre os dois países, não pestanejou e mandou seu conhecimento diplomático-belicista, afirmando ser a América do Sul da paz, e que em um conflito como este os Estados Unidos podem até intervir na América do Sul. Este, o ex-presidente do Brasil. Este, o que ainda fabula voltar à presidência. Este que, como um menininho medroso diante de um fato que não sabe resolver, evoca a figura do ‘pai primordial’. Da parte representativa da direita escandalizante, a que se nutre de intrigas simbiotizada com a mídia seqüelada, mostrou-se o Bem Mandado Arthur ‘3%’ Neto. Como não podia deixar vazio o palco para seu strip-tease parlamentar cotidiano, aproveitou as purpurinas velhacas e acusou o governo Lula de vender armas à Venezuela, afirmando também, com seu molejo caricato, seu fascínio, como seu mestre, por Bush. Acusação logo rebatida pelo ministro Nelson Jobim. Talvez o ‘3%’, tenha visto no impasse internacional, um colorido imperdível para exercitar sua verve de diplomata, que é como se toma: diplomata de carreira. Bem, lá nos Estados Unidos, o governo Bush também tem diplomata de carreira. Agora, resta ao senhor Bem Mandado, convocar uma reunião com o aguado Agripino Maia, e sair na busca de assinaturas para criar a CPI da venda de armas. A indústria bélica comandada por Bush agradece, pois é para isso que servem estes estadistas: a propaganda do fim da democracia. Os autos excluídos no Brasil da homologia e homonóia. Os sem democracia.