O MEDIUM TELEVISIVO E A OPINIÃO PÚBLICA

O NÍTIDO PRECONCEITO DA MÍDIA

Em um blog do jornalão Estadão de ontem, houve reforço para a homofobia e o preconceito na mídia televisiva. Em resposta a um e-meio que criticava uma cena de beijo entre dois atores e condenava o apoio do blog a cenas homossexuais na tevê, houve os seguintes esclarecimentos:

Elogiei a performance de Guilherme Weber [um dos dois atores] que está fantástico nesse papel e não a decisão da autora de mostrar um beijo entre dois homens”.

Antes deste judicativo esclarecimento, ainda houve um: “Tenho diversos amigos gays e sei o quanto sofrem por serem discriminados”.

No primeiro esclarecimento fica claro a despreocupação de uma análise política/social sobre a forma que a tevê usa o acontecimento gay em sua programação. Daí não ocorrer a percepção da relação existente entre homofobia, tevê e mercado.

Na segunda, justificando um não preconceito e uma solidariedade aos gays e aos seus sofrimentos por causa dos preconceitos, faz saltar a sabedoria popular que diz que quem muito justifica acaba se entregando.

Quanto ao conteúdo do e-meio, não se percebeu que tal conteúdo foi desencadeado como reprodução da programação da própria mídia que é criticada.

O início do texto no blog diz: “A temática gay voltou a agitar a TV”.

Não voltou, porque nunca existiu, e a volta é uma ilusão do tempo cronológico que ajusta as convenções. E tão pouco agitou a “TV”. Se na tevê não há movimento fora da realidade constituída pela lógica do mercado; logo, pelo grande capital. Não há agitação, pois não há deslocamento, desvio, fuga do já constituído.

E como poderia haver agito gay se a mídia, por mais que se esforce (equivocadamente), não consegue se aproximar do Mundo Gay. Não tem a alegria, a leveza, beleza e objetividade necessária para esse corte na superfície terrena.

E sobre o beijo: o que há de gay nisso? A boca tem sexo?

Nisto observamos que a mídia confirma sua insuficiência cognitiva, posto que esclarece seu preconceito, e o torna nítido, no momento em que tenta demonstrar que não é preconceituosa. Senão, o que são seus programas de humor decadentes homofóbicos? Os beijos nus apelativos para ganhar audiência, colocados como “beijos homossexuais”?

TV GLOBO É CONDENADA

A mídia é ávida por fazer justiça. E os telejornais tomam esta empreitada como o seu principal objetivo na sociedade. Mas como não percebem a justiça como a despersonalização dos interesses privados para que se abra um espaço público onde as opiniões possam movimentar os diversos modos de existência, acredita fazer justiça quando exige e/ou constrói culpados, manipula informações, espalha testemunhos, sejam eles certos ou duvidosos, insere palavras acusatórias em seus enunciados, faz ligações entre enunciados de violência e aqueles que quer atingir, se acredita a dona da verdade e fabrica-a. Daí que os telejornais, e em especial o Jornal Nacional, não chegarem nem próximo ao conceito de justiça do Estado de Direito que diz que algo é justo quando está atrelado à lei. Em um Estado de Direito, o que a lei prescreve é o que determina se algo é justo ou não. E quando se trata de informações que estão ligadas à formação da opinião pública, a justiça deve ter no mínimo a imparcialidade da notícia. Veja o que ocorreu com a TV Globo por causa da prática do Jornal Nacional de quanto mais comunicar menos informar; logo, mais desinformar. Texto de Venício A. de Lima no Blog do Nassif.

Esta coluna acredita na possibilidade da expansão da consciência pelas experiências autênticas que fazem soltar novas percepções, a criação de novos olhares sobre o mundo. Na alegria-estética de perceber o medium televisivo como uma violência à inteligência coletiva, contamos com a sua contribuição.

 

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