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@ DELEGADO VIRA OFICIALMENTE INVESTIGADO PELA TURMA “DD ORELHUDA”. No dia seguinte a uma palestra em uma universidade onde falou sobre os desdobramentos da operação Satiagraha, o delegado Protógenes Queiroz teve sua casa invadida por policiais federais, em busca supostamente de ligações do delegado com vazamento de informações da operação. O laptop de Protógenes foi confiscado pelos policiais, além de celulares, chips de máquinas fotográficas e pendrives. A operação foi desencadeada pelo juiz Ali Mazloun – que foi investigado pela Operação Anaconda, ainda na época da PF republicana, de Paulo Lacerda – e conduzida pela corregedoria da PF. Ao mesmo tempo, o STF se reunia para julgar o mérito do habeas corpus de Gilmar Mendes a Daniel ‘Orelhudo’ Dantas, que foi aclamado, não fosse a negativa solitária de Marco Aurélio de Mello e a “coincidente” ausência de Joaquim Barbosa, que estava nos EUA, por todos os ministros, com destaque para a defesa apaixonada do ato gilmariano por parte dos ministros “progressistas” Eros Grau e Ayres Britto. Da parte do governo federal, nenhuma manifestação: Lula não chamou o ministro Mendes às falas, nem se manifestou quanto às declarações de Protógenes à Agência Brasil, quando afirmou que cerca de 100% das instituições brasileiras estão envolvidas com os esquemas de Daniel Dantas. A operação desencadeada pela corregedoria não se prestou a constranger apenas o delegado, mas outros agentes envolvidos na operação que sacudiu as estruturas ilícitas do país. No blogue do jornalista Luis Nassif, duas informações reveladoras: o depoimento de um dos agentes contra-investigados, denunciando o caráter “político” da investigação, e a notícia de que eles foram – comprovadamente – vítimas de grampo ilegal por parte da PF. Enquanto a imprensa oficial fala sobre crise econômica a cada 5 segundos em todos os telejornais, o Brasil vai assistindo a uma tentativa de varrer para baixo do tapete um episódio que expõe de forma definitiva o aspecto corrupto dos governos brasileiros, não apenas no seu aspecto mais visível, o desvio de recursos, capitulação de agentes até os mais altos graus de hierarquia, mas no seu aspecto mais danoso: o fortalecimento de uma subjetividade decadente e cultuadora da dor, que evidencia a doença existencial das pessoas que por ela são capturados. I inda tem françêis…
@ O “OLHAR PARA FRENTE” DE NELSON JOBIM. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, parece estar contra a abrangência da Lei de Anistia por ela contemplar os crimes de pessoas que praticaram crimes de tortura durante o regime militar, por considerarem estes crimes imprescritíveis. Daí o ministro falar, dia 5 (quarta-feira passada), no lançamento da Frente Parlamentar da Defesa, no Clube Naval, que para o Brasil, o momento é de “olhar para frente”. Como justificativa, o ministro injetou a idéia de que o país vem vivendo uma realidade multipartidária que reúne pessoas de todas as tendências políticas e que a ditadura é uma coisa do passado. Para o ministro, a história parece ser algo absoluto, abstrato, onde a própria história pré-supõe as produções humanas no espaço e no tempo. Para ele a história de um país não é a produção material e imaterial dos acontecimentos das ações humanas no mundo, responsáveis pela criação e transformação da realidade. Além disso, ele parece não perceber que o passado de um país, para não se manter nefasto, dá continuidade a uma realidade que rebaixa o ser humano a qualidade de uma besta por não ser nem democrático nem justo para com a dignidade da liberdade humana, tem que ser conversado e não conservado. O ministro Jobim, com esta sua atuação sem ato, nos leva a pensar que ele não é um homem equilibrado que faz com que as lembranças passadas não possam servir para uma ação na vida. Mas parece um impulsivo que apenas responde a uma excitação imediata, sem antes pensar no que isso pode resultar na vida pública e privada de várias pessoas. Seu olhar para frente é uma viseira para esconder os seus nas suas costas largas. I inda tem françêis…
@ O VOTO PODE SER UM EFEITO DOS GENES? Para o cientista político James Fowler, da Universidade da Califórnia, San Diego (UCSD), talvez sim. Ele está fazendo um estudo que procura comprovar a influência dos genes nas escolhas, dos eleitores, desde partido até o voto. Segundo o cientista político, “A evidência disponível sugere que é preciso ter informação sobre os genes e sobre o ambiente para se fazer previsões sobre o comportamento político”. O que pode parecer um estudo sociológico genético pode acabar em um controle biológico bem aproveitado pelo capitalismo. Isto em razão do entendimento da política ser reduzida simplesmente ao sufrágio geral da democracia representativa, segundo a constituição genética. Mas como irá ficar a política emancipada dessa limitação que busca fissuras nas produções políticas na família, na comunidade, nas igrejas, nos grupos de jovens, nos bares, nas escolas, nas relações afetivas, ou seja, na política como produção da realidade fora de toda imposição legal? Por mais que James Fowler diga que “isso não significa que a genética fixe o destino”, a ciência, aliada à política, pode ir além do controle epistemológico da verdade e ir de encontro a padronização total da existência. I inda tem françêis…
@ LULA CHAMA PAÍSES RICOS DE IRRESPONSÁVEIS na abertura da reunião do G20 (agrupamento das 20 maiores economias mundiais), que está ocorrendo no Brasil. Diante de ministros da área econômica e presidentes de bancos centrais de 18 países e da União Européia, Lula fez uma leitura fenomenológica do crash atual que vai do Capitalismo Selvagem à Globalização: “Por muitos anos, especuladores tiveram lucros excessivos, investindo o dinheiro que não tinham em negócios mirabolantes. Todos estamos pagando por essa aventura.” À frente do diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Lula não deixou de fora o órgão, que em outros momentos (mais recentemente nos dois governos de Fernando Henrique) impôs estúpidas leis que pioraram a situação do Brasil, mesmo não havendo uma quebradeira generalisada como agora: “Os países desenvolvidos e instituições como o Fundo Monetário Internacional [FMI] devem adotar medidas para restaurar a liquidez nos mercados internacionais.” É a prova de que agora, além de dinheiro em caixa, a principal segurança brasileira é a capacidade de se colocar com autonomia no cenário econômico mundial. I inda tem françêis…
Vamos que vamos
Pois se não formos logo
Também não chegaremos
Se não formos…