“TEM QUE TER MAIS 50 FILMES SOBRE A DITADURA”, DISSE BRUNO GAGLIASSO, QUE PROTAGONIZA ‘HONESTINO’

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Longa dirigido por Aurélio Michiles chega aos cinemas e resgata a trajetória do líder estudantil morto pela ditadura

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Bruno Gagliasso como Honestino | Crédito: Divulgação

Nesta quinta-feira (13), chega aos cinemas de todo o país o filme “Honestino”, homenagem a um dos mais importantes militantes no combate à ditadura militar. Protagonizado por Bruno Gagliasso e dirigido por Aurélio Michiles, o longa narra a trajetória do goiano Honestino Guimarães, líderança do movimento estudantil morta aos 26 anos pelo regime.

Em entrevista ao Conversa Bem Viver desta terça-feira (11), Dia do Estudante, Gagliasso conta que não conhecia o personagem quando foi procurado para o papel. O ator acredita que muitos brasileiros também desconheçam sua história. “É um cara que está dentro de todo mundo, que luta por democracia, por liberdade, por educação, saúde. Eu acho que o Honestino está mais vivo do que muita gente acha. Mataram o corpo, mas não mataram a alma, não mataram o espírito”, analisa.

O ator traça um paralelo entre o personagem Honestino, que associa ao “lado certo da história”, e seu papel como o torturador delegado Sérgio Fleury em “Marighella”, no qual ele viveu “o lado da escória da história“.

Bruno Gagliasso lamenta que, apesar de a ditadura ser tema de diversos filmes e, felizmente, o tema estar sendo sempre colocado em discussão, ainda haja uma parcela da população que relativiza o período. “É inacreditável”, desabafa. Para ele, por mais que o golpe de 1964 tenha ocorrido “há mais de 50 anos”, todo cuidado continua sendo pouco. “Esse ano já estão bolando uma maneira de fazer a mesma coisa, como aconteceu há três anos atrás”, afirma, em referência à tentativa de golpe de 8 de janeiro e aos atuais ataques à urna eletrônica feitos pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ), bem como declarações de bolsonaristas de que vão questionar as eleições caso Lula seja reeleito.

“Eu acho que é preciso estar atento e forte mesmo. Tem que ter mais 50 filmes sobre a ditadura. Porque fazer um filme sobre a ditadura no Brasil é contar a nossa história. E precisamos nos apropriarmos da nossa história. Nós precisamos conhecer os nossos verdadeiros heróis. Nossos heróis eram humanos e morreram porque acreditaram em um mundo democrático”, defende o ator.

O diretor Aurélio Michelis também participou do programa e falou sobre a relação íntima que teve com Honestino, com quem teve uma grande amizade. “Fazer o filme foi muito dilacerante porque era uma história que estava dentro de mim. Eu nunca me julgava preparado emocionalmente para contar essa história, porque eu sabia que ia entrar em uma atmosfera muito sombria”, relata.

O cineasta acredita que, em 2013, iniciou-se um período político que desembocaria na chegada da extrema direita ao poder. Ele então sentiu que era urgente revisitar essa memória e, sobretudo, contar essa história.

“Essa presença do neoliberalismo muito forte, conquistando corações e mentes, e as pessoas entregando o melhor daquilo que nós conquistamos: os direitos sociais, direitos trabalhistas, as relações sociais, os objetivos, o tópico da transformação da sociedade estavam sendo substituídos por esse ambiente que ainda permanece entre nós, que é o individualismo, o consumismo e a transformação do trabalho espiritual das pessoas no comércio. Tudo virou um comércio”, desabafa.

Michelis destaca que, no período da resistência e da luta estudantil, o foco era o coletivo. “Se lutava por todos, uma sociedade melhor para um Brasil onde todos tivessem a mesma oportunidade”, afirma.

Confira a entrevista completa:

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Editado por: Gia Matheus Almeida

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