O porta-voz do governo chinês, Lin Jian, afirmou que a captura forçada do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores pelos EUA contrariam os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas fundamentais das relações entre Estados, comprometendo a paz e a estabilidade regional. A declaração foi feita nesta quarta-feira (25), véspera da segunda audiência judicial do presidente nos Estados Unidos.
Em coletiva de imprensa no Ministério das Relações Exteriores em Pequim, na China, Jian respondeu a perguntas do Brasil de Fato sobre a situação na Venezuela e destacou a postura de Pequim diante das pressões externas.
“A captura forçada de um chefe de Estado pelos Estados Unidos viola claramente os propósitos e princípios da Carta da ONU, infringe o direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, e a China se opõe firmemente a tais ações”, afirmou. “Apoiamos a Venezuela na defesa de sua soberania, dignidade e direitos legítimos.”
O porta-voz chinês enfatizou que Pequim não reconhece ações unilaterais que interfiram na autodeterminação dos povos e destacou que qualquer tentativa de desestabilizar o país contraria o direito internacional e os princípios fundamentais de convivência entre nações.
Lin Jian concluiu afirmando que a China continuará a trabalhar com a comunidade internacional para garantir o respeito à soberania da Venezuela e à ordem internacional, reafirmando seu compromisso com a estabilidade regional e a proteção dos direitos legítimos do povo venezuelano.
No início de janeiro de 2026, logo após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a China exigiu a libertação imediata do casal. Pequim também pediu que Washington garantisse a segurança pessoal de Maduro e de Cilia Flores e que a crise fosse resolvida por meio do diálogo e da negociação, posições que são constantemente reiteradas ao Brasil de Fato em coletivas quando porta-vozes são indagados sobre a questão venezuelana.
Pequim reforça solidariedade a Cuba e condena bloqueio dos EUA
Também questionado pelo Brasil de Fato sobre o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba e a restrição no fornecimento de combustíveis, Jian afirmou que os EUA “impuseram um bloqueio abrangente e sanções ilegais a Cuba por mais de 60 anos, causando profundo sofrimento ao povo cubano”.
Ele destacou que a China “se opõe firmemente ao abuso de sanções unilaterais pelos Estados Unidos e apoia resolutamente Cuba na busca de um caminho de desenvolvimento de acordo com suas condições nacionais, na defesa de sua soberania e segurança e na resistência a toda interferência externa”.
Lin Jian acrescentou ainda que “exigimos que os Estados Unidos suspendam imediatamente o bloqueio e as sanções contra Cuba e cessem toda a pressão sobre a ilha sob qualquer pretexto. Isso também é uma exigência incontestável da comunidade internacional”.
Segundo ele, as medidas coercitivas prejudicam diretamente a população cubana e violam os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, reforçando a posição de Beijing em solidariedade ao povo cubano frente a décadas de restrições externas.
Além do discurso diplomático, Pequim tem demonstrado solidariedade com ações práticas: em janeiro de 2026, a China aprovou um pacote de ajuda emergencial de US$ 80 milhões e doou 60.000 toneladas de arroz à Cuba, como parte de esforços para aliviar a crise econômica e energética agravada pelo bloqueio. Em cerimônia oficial em Havana, autoridades cubanas também agradeceram a entrega de 30.000 toneladas de arroz, destacando o gesto como expressão concreta da cooperação estratégica entre os dois países e da solidariedade internacional.