ÀS VÉSPERAS DA AUDIÊNCIA, CHINA REAFIRMA APOIO A MADURO E DENUNCIA AÇÃO DOS EUA COMO ILEGAL

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VENEZUELA-US-CONFLICT-CRISIS

A supporter of ousted Venezuela's President Nicolas Maduro carry his portrait during a rally outside the National Assembly in Caracas on January 5, 2026. Venezuela's parliament swore in Delcy Rodriguez as interim president on January 5, two days after US forces seized her predecessor Nicolas Maduro to face trial in New York. Members of the new National Assembly offered their full backing to Rodriguez -- who had been Maduro's vice president -- and reelected her brother Jorge Rodriguez as parliament head. (Photo by Juan BARRETO / AFP)

PRESIDENTE RAPTADO

Indagado pelo Brasil de Fato durante coletiva, o porta‑voz, Lin Jian, defendeu a soberania da Venezuela e de Cuba

Manifestação em Caracas, na Venezuela, contra o sequestro e a prisão de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos | Crédito: Juan Barreto/AFP

O porta-voz do governo chinês, Lin Jian, afirmou que a captura forçada do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores pelos EUA contrariam os propósitos e princípios da Carta das Nações Unidas e as normas fundamentais das relações entre Estados, comprometendo a paz e a estabilidade regional. A declaração foi feita nesta quarta-feira (25), véspera da segunda audiência judicial do presidente nos Estados Unidos.

Em coletiva de imprensa no Ministério das Relações Exteriores em Pequim, na China, Jian respondeu a perguntas do Brasil de Fato sobre a situação na Venezuela e destacou a postura de Pequim diante das pressões externas.

“A captura forçada de um chefe de Estado pelos Estados Unidos viola claramente os propósitos e princípios da Carta da ONU, infringe o direito internacional e as normas fundamentais das relações internacionais, e a China se opõe firmemente a tais ações”, afirmou. “Apoiamos a Venezuela na defesa de sua soberania, dignidade e direitos legítimos.”

O porta-voz chinês enfatizou que Pequim não reconhece ações unilaterais que interfiram na autodeterminação dos povos e destacou que qualquer tentativa de desestabilizar o país contraria o direito internacional e os princípios fundamentais de convivência entre nações.

No início de janeiro de 2026, logo após o sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, a China exigiu a libertação imediata do casal. Pequim também pediu que Washington garantisse a segurança pessoal de Maduro e de Cilia Flores e que a crise fosse resolvida por meio do diálogo e da negociação, posições que são constantemente reiteradas ao Brasil de Fato em coletivas quando porta-vozes são indagados sobre a questão venezuelana.

Pequim reforça solidariedade a Cuba e condena bloqueio dos EUA

Também questionado pelo Brasil de Fato sobre o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba e a restrição no fornecimento de combustíveis, Jian afirmou que os EUA “impuseram um bloqueio abrangente e sanções ilegais a Cuba por mais de 60 anos, causando profundo sofrimento ao povo cubano”.

Ele destacou que a China “se opõe firmemente ao abuso de sanções unilaterais pelos Estados Unidos e apoia resolutamente Cuba na busca de um caminho de desenvolvimento de acordo com suas condições nacionais, na defesa de sua soberania e segurança e na resistência a toda interferência externa”.

Lin Jian acrescentou ainda que “exigimos que os Estados Unidos suspendam imediatamente o bloqueio e as sanções contra Cuba e cessem toda a pressão sobre a ilha sob qualquer pretexto. Isso também é uma exigência incontestável da comunidade internacional”.

Segundo ele, as medidas coercitivas prejudicam diretamente a população cubana e violam os princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, reforçando a posição de Beijing em solidariedade ao povo cubano frente a décadas de restrições externas.

Além do discurso diplomático, Pequim tem demonstrado solidariedade com ações práticas: em janeiro de 2026, a China aprovou um pacote de ajuda emergencial de US$ 80 milhões e doou 60.000 toneladas de arroz à Cuba, como parte de esforços para aliviar a crise econômica e energética agravada pelo bloqueio. Em cerimônia oficial em Havana, autoridades cubanas também agradeceram a entrega de 30.000 toneladas de arroz, destacando o gesto como expressão concreta da cooperação estratégica entre os dois países e da solidariedade internacional.

Editado por: Thaís Ferraz

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