“Sejamos perfeitamente claros: a Primeira Emenda não é opcional, e o jornalismo não é crime. Um governo que responde ao escrutínio visando o mensageiro não está protegendo o público, está tentando intimidá-lo — e, diante de incidentes recentes envolvendo agentes federais, está tentando distraí-lo.”
A declaração da Associação Nacional de Jornalistas Negros dos EUA, assinada pelo Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), sintetiza a reação às prisões do jornalista Don Lemon, da cineasta Georgia Fort e outros dois ativistas, pelo governo Trump.
O governo dos Estados Unidos ordenou a prisão de Lemon, Fort e dois ativistas por participação em protestos contra a atuação do ICE, o serviço de imigração americano, em St. Paul, Minnesota. O protesto, realizado em 18 de janeiro, interrompeu um culto em uma igreja onde um funcionário do ICE atuava como pastor. O governo alegou que a manifestação teria privado fiéis de praticarem sua religião.
Lemon foi detido na quinta-feira à noite em Los Angeles, onde cobria o Grammy, e liberado na sexta-feira seguinte; Fort passou um dia sob custódia em Minneapolis antes de ser solta. Ambos foram acusados de interferir nos direitos civis dos fiéis e de violar a Lei de Liberdade de Acesso às Entradas de Clínicas (FACE), originalmente criada para proteger o acesso a serviços de saúde reprodutiva, mas reinterpretada pelo governo federal para processar jornalistas.
Organizações da sociedade civil nos EUA convocaram nova onda de protestos contra o ICE, incluindo paralisações e atos em cidades como Atlanta, Nova York e Minneapolis, com a promessa de continuar até que os agentes federais sejam retirados das ruas.
Na esfera política, senadores do Partido Democrata bloquearam uma votação crucial para manter o financiamento de departamentos de segurança federal, após agentes do ICE matarem dois manifestantes em Minnesota. A paralisação parcial do Executivo, conhecida como shutdown, começa após a meia-noite deste sábado.
Lemon, ex-âncora da CNN e atualmente apresentador do programa independente The Don Lemon Show, afirmou que “Não serei silenciado. Passei toda a minha carreira cobrindo as notícias e não vou parar agora. Na verdade, não há momento mais importante do que agora para uma mídia livre e independente que ilumine a verdade e responsabilize os que estão no poder.”
*Com informações da Agência Reuters