*……….::::: CHAGÃO! :::::……….*

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Quien quiera entender como funciona el mundo deberá entender el fútbol”.
Roberto Perfumo (ex-jogador argentino).

CHAGÃO PERGUNTA

O ‘Chagão!’ quer saber: Garrincha estava de banda, meio ressabiado. Já havia sido rejeitado por meio mundo, e estava li, olhando o treino do Botagogo, quando o técnico da estrela solitária, Gentil Cardoso, mandou que ele entrasse. Garrincha pegou a bola na ponta, e tinha um cracasso de bola como seu marcador. Cinco segundos depois, o cracasso estava no chão, e Garrincha era incorporado ao elenco do alvi-negro de General Severiano. Em que data isso ocorreu, e quem era o cracasso de bola que foi o primeiro João da vida profissional de Mane? Resposta: 09 de julho de 1953, data em que Garrincha entrou pela primeira vez num treino no Botafogo, e logo para encarar a enciclopédia do futebol, Nilton Santos, que ficou de pernas pro ar diante da assombrosa perna torta do gênio.

CONTA OUTRA, LEONOR!

Dos tempos em que o futebol era ludicidade, não exploração da força-de-trabalho, e a torcida não era escrava de afetos tristes, da ilusão da vitória na vida pelos pés dos jogadores de seu time, e o futebol mambembe carregava elementos da teatralidade do existir. O texto abaixo foi uma tabelinha com o blogue Histórias do Brasil, e descreve uma jogada espetacular do Divino Mestre, Domingos Da Guia, um dos primeiros negros a ser ídolo no futebol carioca.

MAIS UMA JOGADA DE DOMINGOS

Foi em 1931, no Estádio das Laranjeiras, em um disputadíssimo Brasil versus Uruguai pela Copa Rio Branco. Campeões olímpicos em 1924 e 1928 e mundiais em 1930, os uruguaios eram favoritíssimos. O Brasil, porém, tinha Domingos da Guia, o Divino Mestre. Foi ele que protagonizou, naquela partida, uma das maiores jogadas da história do futebol, devidamente relatada pelos grandes Mário Filho e Ivan Sotter, maiores conhecedores da história do escrete e incapazes de contar mentiras. Aos fatos.

O jogo estava equilibradíssimo quando o atacante uruguaio Dorado, conhecido por sua velocidade de corredor de cem metros e temível artilheiro, partiu com a pelota em direção ao gol brasileiro. Domingos emparelhou com o uruguaio, que acabou deixando nosso zagueiro pra trás, driblou o goleiro Veloso e foi parar dentro das redes. Os uruguaios correram para abraçar Dorado e comemorar o tento conquistado. Festa da pequena torcida celeste, muxoxos nas arquibancadas brasileiras. Mas faltava alguma coisa naquele golaço.

Observando a cena, rigorosamente parado, em pose majestosa, Domingos da Guia estava com a bola nos pés. Sem que Dorado, os uruguaios, os brasileiros, os torcedores e os juízes percebessem, Da Guia tirou a pelota do adversário, colocou o pé direito sobre o balão e aguardou, com a compostura e a paciência de um gentleman, o fim da comemoração do gol que não houve para prosseguir jogando.

A torcida, a princípio, gargalhou. Logo, logo, começaram os aplausos. O valente Dorado, um velocista inconteste, saudou o zagueiro brasileiro com uma discreta mesura.

Quanto foi o jogo? Dois a zero para o Brasil”.

LINHA DE PASSE

O Tribunal Arbitral do Esporte anunciou hoje decisão favorável aos clubes no tocante à liberação de jogadores para as seleções olímpicas, e abriu precedentes para algumas considerações um tanto “eufóricas” de jornalistas brasileiros. Houve quem dissesse estarmos testemunhando uma nova era no futebol, que talvez significasse o início do fim da era das seleções nacionais e da própria Copa do Mundo. Houve quem considerasse a vitória dos clubes o enfraquecimento do “poder” da FIFA sobre o futebol. Exageros à parte, a situação expõe alguns elementos constitutivos do futebusiness e das relações de exploração do pé-de-obra mundial. Chega a ser comovente a FIFA apelar para o espírito olímpico (os gregos se sacodem nas covas – de rir). Do seu lado, o TAS deu ganho de causa para os clubes, pero no mucho, já que reitera que a condição de convocados dos jogadores que já estão com suas seleções não deve mudar. Nenhum dos lados é santo: são facções do capital internacional disputando nichos de mercado. A decisão do TAS se baseia numa prerrogativa simples: o torneio olímpico não faz parte do calendário FIFA. Do seu lado, se a FIFA pretende apelar ao espírito olímpico, que obrigue as seleções a mandar somente atletas amadores ao torneio, já que o profissionalismo nunca fez parte das olimpíadas originais. Nenhuma “revolução”, nenhum sinal de “novos tempos”, apenas uma rusga entre os donos dos meios-de-produção nas novas relações do trabalho, onde a mais-valia é produzida não pelo excedente físico-temporal da produção, mas pela inovação e pela produção subjetiva imaterial: a beleza do futebol, ainda que surgida mesquinhamente dos pés de um jogador mediano, tomado como craque no mar de pernas-de-pau. No dia em que FIFA e clubes levarem em conta a posição e opinião dos jogadores, respeitando a vontade e iniciativa deles, podemos falar em revolução. Fora isso, é delírio e revanchismo gratuito.

* * *

E o Brasil do futebol-mulher começou a caminhada no torneio olímpico. E, não fosse o futebol o esporte disputado, poder-se-ia dizer que o torneio começou pela final: Brasil e Alemanha, as duas potências do futebol mulher, se encararam logo na abertura. E não foi desta vez que as belas do belo esporte venceram suas rivais. Um empate em zero a zero, que não fez jus ao placar, já que as duas equipes criaram com condições de vencer. O resto, se os acasos futebolísticos não atuarem intempestivamente, deve ser passeio.

CAMPEONATOS NACIONAIS

Sete jogos da rodada 18 da Série A do Brasileirão. Os gremistas já não sabem mais onde enfiar a cara de vergonha. A cólera contra si mesmo esconde o fervor contrário à presença de Celso Roth no banco de reservas do tricolor gaúcho à época de sua contratação. Não tendo o time nenhum jogador extraordinário, resta reconhecer o trabalho do treinador no até o momento sólido primeiro lugar do clube. Hoje, em casa, primeiro e último do certame se encontraram no Olímpico, e deu Grêmio, pelo placar magro. Com o tropeço do São Paulo no brincalhão Fluminense, que pensou estar novamente na Libertadores e mandou bronca, o jogo de hoje entre Palmeiras e Vitória se transforma em uma partida crucial nos interesses dos clubes em se manter no topo da tabela. Se vence o verdão cor-de-marcador de texto, abre vantagem sobre o tricolor e se isola na terceira posição, no mínimo. Se dá Vitória, o clube baiano se acomoda na terceira posição, derrubando os arqui-rivais sudestinos. E na artilharia, Kléber Pereira (Santos), com onze gols, nem pode comemorar. Primeiro, porque seu time ruma firme para a segundona, e depois, seus rivais diretos só jogam hoje, e podem ultrapassá-lo. Resultados:

18ª Rodada Série A – 06 e 07/08

Grêmio 1 – 0 Ipatinga

Vasco 0 – 2 Coritiba

Atlético/PR 2 – 0 Náutico

Sport Recife 2 – 0 Portuguesa

Santos 2 – 3 Atlético/MG

Goiás 2 – 1 Flamengo

Fluminense 3 – 1 São Paulo

Cruzeiro – Internacional

Palmeiras – Vitória

Figueirense – Botafogo

Classificação*

Grêmio  –  38

Cruzeiro  –  33

Palmeiras  –  31

São Paulo  –  30

Vitória  –  29

Coritiba  – 29

Flamengo  –  28

Sport Recife  –  27

Botafogo  –  25

Internacional  –  25

Atlético/MG  –  24

Figueirense  –  24

Goiás  –  23

Atlético/PR  –  20

Vasco  –  19

Portuguesa  –  19

Náutico  –  18

Santos  –  17

Fluminense  –  16

Ipatinga  –  13

* Em azul, os classificados para a Libertadores ’09; em verde, os classificados para a Sulamericana ’09, e em vermelho, os rebaixados para a série B.

* * *

E o Juventude perdeu a chance de tirar uma casquinha do Corinthians na Série B do Brasileirão. E com exceção do Avaí, só dá São Paulo nas cabeças da segunda divisão. Já na ponta de baixo, três clubes são do nordeste. Mas vai ver quantos jogadores dos clubes sudestinos são do nordeste. O entendimento é econômico, não geopolítico. Túlio Maravilha continua na sua campanha, um voto, um gol, mas estacionou nos 15. Confira os resultados:

16ª Rodada Série B – 05/08

Bragantino 1 – 0 América/RN

São Caetano 3 – 1 Fortaleza

ABC 1 – 3 Santo André

Criciúma 3 – 2 Marília

Corinthians 2 – 0 Juventude

Bahia 2 – 1 Ponte Preta

Paraná Clube 1 – 2 Gama

Ceará 1 – 0 CRB

Brasiliense 0 – 1 Avaí

Barueri 0 – 1 Vila Nova

Classificação*

Corinthians  –  35

Avaí  –  30

Barueri  –  27

Ponte Preta  –  26

Ceará  –  26

Vila Nova  –  26

Juventude  –  25

Bahia  –  25

Santo André  –  24

São Caetano  –  22

Criciúma  –  22

Bragantino  –  21

ABC/RN  –  20

Gama  –  17

Paraná Clube  –  17

Marília  –  17

Fortaleza  –  16

América/RN  –  16

Brasiliense  –  12

CRB  –  09

  • Em roxo, os classificados para a Série A do Brasileirão ‘09; em cinza, os rebaixados para a série C.

* * *

Representante amazonense na Série C do Brasileirão se complicou. Na rodada dos confrontos locais, o carrossel jaraqui empatou em 1 a 1 com o Clube do Remo em casa, e soma apenas dois pontos na tabela. Já no embate paraense, o Águia empurrou 2 a 0 no Paysandu, que ainda não corre riscos. Na Arena da Floresta, o Rio Branco, do Acre, venceu por 4 a 3 o Luverdense (MT), e é líder do grupo 17, que tem ainda Holanda e Remo empatados na segunda posição. Os paraenses dominam o grupo 18, com o Águia em primeiro e o Papão em segundo.

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