Depoimento estava previsto para esta quinta (27), mas foi adiado para sexta (28) após falha técnica na videoconferência

Preso preventivamente desde março deste ano, o empresário é investigado sob uma série de suspeitas: desde relações suspeitas com ex-supervisores do Banco Central (BC) até o recebimento de vantagens indevidas durante o processo que resultou na liquidação extrajudicial do Master pela autoridade monetária. A tomada de depoimento ocorre após o insucesso das negociações para a assinatura de um acordo de delação premiada.
Investigação aponta propina a fiscais
O foco dos investigadores centra-se nas condutas de Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, ex-servidores do Banco Central. Segundo a PF e relatórios do próprio BC, a dupla teria recebido repasses financeiros para beneficiar a instituição de Vorcaro em discussões internas sobre socorro financeiro e fiscalização.
Segundo Aquino, os dois fiscais sob suspeita demonstravam resistência recorrente ao aprofundamento das investigações e defendiam como solução uma fusão com o BRB. O diretor também reportou ter recebido relatos sobre pagamentos de R$ 500 mil, remunerações mensais via empresa de fachada e a compra de uma propriedade rural por R$ 4,5 milhões envolvendo pessoas ligadas ao ex-banqueiro.
Vazamentos e apurações paralelas
A cúpula do Banco Central também identificou o vazamento sistemático de informações sigilosas sobre os rumos da fiscalização, o que levou os diretores a restringirem a decisão sobre a liquidação a um grupo altamente restrito.
Além da frente criminal conduzida pela PF, os ex-servidores respondem a processos administrativos disciplinares na Controladoria-Geral da União (CGU).
Em nota, a defesa de Bellini Santana criticou o vazamento do depoimento de Aquino e afirmou que o cliente “nunca favoreceu o Banco Master, não recebeu vantagens indevidas nem compartilhou informações sigilosas“, ressaltando que as decisões de supervisão dependiam de múltiplos setores. Os demais citados não responderam aos contatos.