VORCARO DEPÕE À PF NESTA SEXTA-FEIRA APÓS FRACASSO DE DELAÇÃO

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Depoimento estava previsto para esta quinta (27), mas foi adiado para sexta (28) após falha técnica na videoconferência

Daniel Vorcaro – Reprodução
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, depõe à Polícia Federal nesta sexta-feira (28) no âmbito de inquérito que apura um esquema de corrupção envolvendo a fiscalização a instituição financeira. A oitiva, realizada por videoconferência, estava prevista para a manhã de quinta-feira (27), mas precisou ser adiada devido a falhas técnicas na conexão. As informações são da CNN Brasil.

Preso preventivamente desde março deste ano, o empresário é investigado sob uma série de suspeitas: desde relações suspeitas com ex-supervisores do Banco Central (BC) até o recebimento de vantagens indevidas durante o processo que resultou na liquidação extrajudicial do Master pela autoridade monetária. A tomada de depoimento ocorre após o insucesso das negociações para a assinatura de um acordo de delação premiada.

Investigação aponta propina a fiscais

O foco dos investigadores centra-se nas condutas de Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, ex-servidores do Banco Central. Segundo a PF e relatórios do próprio BC, a dupla teria recebido repasses financeiros para beneficiar a instituição de Vorcaro em discussões internas sobre socorro financeiro e fiscalização.

As irregularidades ganharam tração a partir de declarações do diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. Ele relatou que as inconsistências do Master se avolumaram no início de 2025, quando o banco realizava operações bilionárias de cessão de crédito com o Banco de Brasília (BRB), apesar de enfrentar severa crise de liquidez. Posterior auditagem concluiu que parte das carteiras de crédito apresentadas pela instituição simplesmente não existia.

Segundo Aquino, os dois fiscais sob suspeita demonstravam resistência recorrente ao aprofundamento das investigações e defendiam como solução uma fusão com o BRB. O diretor também reportou ter recebido relatos sobre pagamentos de R$ 500 mil, remunerações mensais via empresa de fachada e a compra de uma propriedade rural por R$ 4,5 milhões envolvendo pessoas ligadas ao ex-banqueiro.

Vazamentos e apurações paralelas

A cúpula do Banco Central também identificou o vazamento sistemático de informações sigilosas sobre os rumos da fiscalização, o que levou os diretores a restringirem a decisão sobre a liquidação a um grupo altamente restrito.

Além da frente criminal conduzida pela PF, os ex-servidores respondem a processos administrativos disciplinares na Controladoria-Geral da União (CGU).

Em nota, a defesa de Bellini Santana criticou o vazamento do depoimento de Aquino e afirmou que o cliente “nunca favoreceu o Banco Master, não recebeu vantagens indevidas nem compartilhou informações sigilosas“, ressaltando que as decisões de supervisão dependiam de múltiplos setores. Os demais citados não responderam aos contatos.

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