EUA VIOLARAM CESSAR-FOGO E O IRÃ RESPONDEU DERRUBANDO PRINCIPAL DRONE DE COMBATE ESTADUNIDENSE
afinsophia 26/05/2026 0
É GUERRA
Ataques acontecem em meio a negociações de paz
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
Em meio a negociações para o fim da guerra contra o Irã, os Estados Unidos atacaram novamente o país nesta terça-feira (26) após semanas de trégua. Já a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter abatido um drone Reaper dos EUA que entrou em seu espaço aéreo.
Em declaração divulgada na televisão estatal, o líder supremo Mojtaba Khamenei afirmou que Washington está perdendo influência e que se afasta “a cada dia mais de seu antigo status” no Golfo Pérsico.
“Os Estados Unidos não têm mais um lugar seguro na região para lançar suas agressões”, avaliou Khamenei, que não aparece em público desde que assumiu o cargo no início de março, sucedendo seu pai, assassinado no primeiro dia da guerra. Segundo ele, os países do Golfo, atacados quase diariamente pelo Irã em represália à ofensiva israelense-estadunidense iniciada em 28 de fevereiro, “não servirão mais de escudo para as bases dos EUA”.
O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária, Seyed Majid Mousavi, afirmou que a corporação está preparada para responder ao que descreveu como violações do cessar-fogo por parte dos EUA durante as negociações de paz em curso. Em uma publicação no X, Mousavi criticou a diplomacia em andamento, dizendo que “negociar com o inimigo é pura perda de tempo”.
Anteriormente, o Ministério das Relações Exteriores do Irã divulgou um comunicado acusando os EUA de violarem o cessar-fogo com “atos agressivos” na região iraniana de Hormozgan, onde se localiza Bandar Abbas.
O cessar-fogo alcançado em 8 de abril entre Estados Unidos e Irã foi seguido por semanas de bloqueios e ameaças, até que, nos últimos dias, ambas as partes anunciaram avanços nas conversas. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a sugerir um compromisso iminente durante o fim de semana.
No entanto, as esperanças de paz foram frustradas com o anúncio de Israel, na segunda-feira (25), de que intensificaria sua ofensiva no Líbano e com o ataque estadunidense ao Irã. Segundo o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom), o ataque desta terça-feira teve como alvo instalações de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam colocar minas.
Em Bandar Abbas, no sul do país, fortes explosões foram ouvidas por volta da meia-noite (17h30 no horário de Brasília), indicaram meios de comunicação iranianos. O Exército estadunidense ressaltou que atuou “com moderação durante o cessar-fogo”, alcançado após várias semanas de guerra que provocaram milhares de mortes, principalmente no Irã e no Líbano, e abalaram a economia mundial.
Cautela global
Após o anúncio desses ataques, os mercados mundiais adotaram um “tom mais cauteloso”, apesar do “otimismo do fim de semana”, apontou Daniela Hathorn, analista da Capital.com. As bolsas europeias abriram sem uma tendência clara e o petróleo registrou uma leve alta.
Os últimos ataques estadunidenses conhecidos remontam ao início de maio, quando o sul do Irã foi alvo de um bombardeio, o que provocou uma resposta do exército iraniano com ataques contra navios no Estreito de Ormuz. A ação foi minimizada pelo presidente americano.
Na frente diplomática, autoridades iranianas, entre eles o principal negociador, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, viajaram na segunda-feira (25) para Doha em sua primeira visita desde o início da guerra.
“Chegamos a uma conclusão sobre grande parte dos temas em discussão”, declarou no mesmo dia o porta-voz do Ministério iraniano das Relações Exteriores, Esmail Baghaei. “Mas dizer que isso significa que a assinatura de um acordo é iminente […], ninguém pode fazer tal afirmação”, acrescentou.
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, ordenou o restabelecimento do acesso à internet após um bloqueio quase total em todo o país que durou mais de 87 dias, segundo a mídia estatal. As autoridades haviam imposto o apagão durante a guerra, alegando preocupações com a segurança e ameaças cibernéticas.
Durante uma visita oficial à Índia, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, assegurou que o acordo continua sendo possível e mencionou negociações “sobre a linguagem específica no documento, então isso levará alguns dias”.
Segundo a agência de notícias Tasnim, as negociações em curso também incluem o pedido do Irã para liberar cerca de US$ 24 bilhões (R$ 120 bilhões) em bens congelados no exterior como parte do processo para pôr fim à guerra. Donald Trump busca uma saída para essa guerra, que perturbou gravemente a economia mundial devido ao bloqueio iraniano do estratégico Estreito de Ormuz, por onde costuma transitar um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. Sua reabertura é um dos principais objetivos das negociações.