ALCOLUMBRE, QUESTIONADO SOBRE A ABERTURA DA CPI DO MASTER, RESPONDEU: “ÉGUA DA PERGUNTA! GOSTOU DO ÉGUA?”

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O comportamento do presidente do Senado deixa claro, na prática, que ele não pretende viabilizar a comissão; há pelo menos cinco pedidos de abertura protocolados

Davi Alcolumbre em foto de Marcelo Camargo – Agência Brasil

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi questionado nesta terça-feira (19) sobre a possibilidade de abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes do Banco Master. A resposta foi indireta: “Égua da pergunta. Gostou do égua? É lá do Amapá”. A expressão, comum no Norte do país, é usada para indicar espanto ou consternação.

Atualmente, há pelo menos cinco pedidos de abertura de CPI protocolados: um exclusivo da Câmara, três do Senado e um pedido de CPI mista, que reuniria deputados e senadores. Além disso, tramitam no Supremo Tribunal Federal pedidos tanto da oposição quanto da base governista para que o parlamento seja obrigado a instalar o colegiado — caminho semelhante ao que resultou na criação da CPI da Covid, determinada pelo STF em 2021.

O comportamento de Alcolumbre deixa claro, na prática, que ele não pretende viabilizar a comissão. O presidente do Senado convocou para esta quinta-feira (21) uma sessão do Congresso Nacional com pauta única: a análise de um veto à Lei de Diretrizes Orçamentárias que restringe o repasse de verbas federais a municípios inadimplentes — demanda levada por prefeitos reunidos na Marcha dos Municípios, em Brasília. Não há previsão de leitura do requerimento de abertura da CPI nessa sessão.

Essa seria a ocasião adequada para o ato: pelas regras do regimento do parlamento, um pedido de CPI mista com assinaturas suficientes precisa ser lido na primeira sessão subsequente à sua protocolização. Alcolumbre já havia ignorado o pedido na primeira sessão do ano, em abril, quando o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto de lei da dosimetria — que abre caminho para a redução de penas de condenados pelos ataques do 8 de janeiro, inclusive a do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante o plenário desta terça, três senadores — Jaime Bagattoli (PL-RO), Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE) — cobraram publicamente que a sessão conjunta fosse aproveitada para criar a CPI do Master. Alcolumbre também não os respondeu.

Resistência nos bastidores

Apesar do barulho público em favor da CPI, o cenário nos bastidores é diferente. Parlamentares de todos os espectros políticos admitem que a investigação não interessa à cúpula do Congresso — nem ao governo, nem à oposição. Deputados e senadores apontam ainda que o calendário eleitoral de 2026 reduz o espaço e o apetite político para tocar adiante a criação das comissões.

*Com informações do g1.

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