OPERAÇÃO AZZARDO ATINGE FINTECH QUE ALERTOU COAF SONRE WILLER TOMAZ, AMIGÃO DE FLÁVIO

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Esquema de bets movimentou R$ 1 bilhão; fintech alvo da PCDF já tinha bloqueado conta do amigo do senador

Por: Diego Feijó de AbreuPUBLICADO: 05/11/2026 –
Flávio Bolsonaro no Senado – Operação Azzardo – Flávio Bolsonaro no plenário do Senado, em foto de arquivo (Carlos Moura/Agência Senado)

06:29

AOperação Azzardo, deflagrada nesta quinta-feira (5) pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), mira uma rede de apostas ilegais que movimentou cerca de R$ 1 bilhão. Um dos alvos é a fintech paulista A55, que já tinha alertado o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre movimentações do advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL).

A ofensiva também atingiu empresas suspeitas de receber o dinheiro de apostadores em contas usadas para esconder de onde os recursos vinham e para onde iam.

Flávio, Willer e um doador de campanha do PL investigado em outro caso de apostas não aparecem entre os alvos divulgados pela PCDF.

Operação Azzardo mira esquema de R$ 1 bilhão

A investigação começou há cinco meses, depois que a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda encontrou sites que recebiam apostas sem autorização federal.

Ao simular apostas, os investigadores viram que os depósitos via Pix iam para empresas que não tinham nada a ver com jogos. Entre elas estavam uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, as duas em Sobradinho, no Distrito Federal.

Outras empresas dividiam endereços, telefones e valores de capital social. Em Ceilândia, dez empresas usavam o mesmo número de telefone. Parte do dinheiro era transferida para outras contas e transformada em criptomoedas.

As empresas analisadas movimentaram cerca de R$ 739 milhões. Somando a fintech paulista e as empresas do mesmo grupo, o volume chega a cerca de R$ 1 bilhão.

A Justiça autorizou o bloqueio de bens de 64 pessoas e 120 empresas, até o limite de R$ 3,483 bilhões. Esse é o teto autorizado, não o valor efetivamente apreendido. A Justiça também suspendeu o registro de 100 empresas e quebrou os sigilos bancário e fiscal de 165 pessoas e empresas.

Cerca de 200 policiais participam da operação no Distrito Federal, em São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.

Fintech da Operação Azzardo bloqueou conta de amigo de Flávio

Entre as empresas atingidas está a A55 Sociedade de Crédito Direto S.A., com sede em São Paulo.

A fintech já tinha identificado movimentações fora do padrão em uma conta usada por Willer Tomaz para transferências ligadas à plataforma de apostas Blaze. A área de conformidade da empresa encerrou a conta, bloqueou o CPF do advogado para novas operações e comunicou o caso ao Coaf.

Em 30 de julho, o Banco Central publicou o Comunicado nº 45.658, em que anuncia a intenção de cancelar a autorização de funcionamento da A55. A licença ainda não foi cancelada de forma definitiva.

Willer também é investigado pela Polícia Federal por suspeita de lavagem de dinheiro com apostas. A Fórum revelou que a Rede Loto, controlada por uma offshore ligada ao advogado, lançou três casas de apostas, embora tenha dito publicamente que não havia começado a operar.

A mesma empresa estrangeira pagou viagens de Flávio Bolsonaro à Europa. A PF investiga se o senador tem participação escondida nos negócios de apostas ligados a Willer.

O advogado diz que seu dinheiro tem origem legal e foi declarado à Receita Federal. Flávio nega irregularidades e afirma que sua relação com Willer é de amizade.

O alerta da A55 ao Coaf foi uma medida de prevenção da própria fintech e não faz parte da Operação Azzardo. Não há indicação de que o dinheiro de Willer estivesse no esquema investigado pela PCDF.

Doador do PL é investigado por bets na Paraíba

Outro nome ligado ao PL aparece em uma investigação sobre apostas: João Maria Sátiro de Barros, sócio-administrador da Univebet Gaming Ltda.

Nas eleições municipais de 2024, ele doou R$ 7 mil à campanha de Salatiel Maciel de Souza (PL) à Prefeitura de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, segundo a prestação de contas registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

João Maria é investigado pela Polícia Civil da Paraíba no Inquérito 061/2026/DRACO, por suspeita de lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude eletrônica.

O caso envolve o Consórcio JP, do qual a Univebet faz parte. Segundo decisão do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), a empresa declarou capital social de R$ 13,2 milhões, não tinha nenhum funcionário registrado e usava uma caixa postal em Cuité como endereço fiscal.

Em setembro, o tribunal negou um habeas corpus que pedia o fim da investigação. A defesa alegou que a empresa tinha credenciamento estadual válido para explorar loterias.

A investigação paraibana envolve 53 pessoas e empresas, com bloqueios autorizados de até R$ 101,99 milhões.

A doação de João Maria foi feita em 2024, antes da abertura da Univebet, em janeiro de 2026. Não há indício de que dinheiro de apostas tenha financiado a campanha do PL.

Autorizações estaduais de loteria

A Operação Azzardo também investiga empresas que usaram autorizações de loteria dos estados do Rio de Janeiro e da Paraíba. Segundo a PCDF, os sites investigados não estavam cobertos por essas permissões.

A PCDF não divulgou a lista completa de investigados. Univebet, Consórcio JP e Rede Loto não constam das informações divulgadas até agora. Os próximos passos da investigação são identificar os verdadeiros donos das empresas e rastrear o caminho do dinheiro.

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