POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA SE DINHEIRO DE VORCARO BANCOU EDUARDO BOLSONARO NOS EUA

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Os investigadores trabalham com três hipóteses: o recurso foi integralmente destinado ao filme; houve desvio de finalidade; ou parte do dinheiro foi usada para custear a permanência de Eduardo no exterior

Imagem: Reprodução Redes sociais
A Polícia Federal investiga se recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram usados para financiar despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde o ex-deputado vive desde fevereiro de 2025. A linha investigativa, divulgada inicialmente pelo G1 e confirmada pela Folha de S.Paulo, faz parte de um esforço mais amplo para mapear o alcance político e financeiro das conexões em torno de Vorcaro.

O ponto central da apuração é entender se o dinheiro foi realmente aplicado na produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro com estreia prevista para setembro no Brasil, ou se esse projeto serviu apenas como justificativa formal para a transferência dos valores. Os investigadores trabalham com três hipóteses: o recurso foi integralmente destinado ao filme; houve desvio de finalidade; ou parte do dinheiro foi usada para custear a permanência de Eduardo no exterior.

O caminho do dinheiro

Segundo dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a empresa Entre Investimentos e Participações teria atuado como intermediária nos repasses ligados a Vorcaro para o filme. A empresa recebeu R$ 159 milhões de fundos investigados pela PF e conectados ao banqueiro. O acordo total para o financiamento da produção previa o pagamento de R$ 124 milhões, dos quais R$ 61 milhões já foram desembolsados.

Ainda não está claro quanto desse total foi efetivamente destinado ao projeto audiovisual. Uma das suspeitas é que parte dos recursos tenha chegado a um fundo sediado no Texas, estado onde Eduardo Bolsonaro reside. O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou em vídeo publicado nesta quinta-feira (14) que US$ 2 milhões de Vorcaro foram transferidos a esse fundo, que teria como sócio o advogado de Eduardo. “O filme era um código quando Flávio Bolsonaro falava com ele. O verdadeiro filme era livrar a cara de Jair Bolsonaro fazendo uma campanha contra o Brasil”, disse o parlamentar.

O papel de Flávio Bolsonaro

Nos bastidores da investigação, cresce o interesse sobre o papel do senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, nas negociações com Vorcaro. Na quarta-feira (13), o The Intercept Brasil divulgou mensagens em que Flávio cobra do banqueiro verbas prometidas para o filme.

O senador confirmou ter pedido recursos a Vorcaro, mas negou qualquer irregularidade. “É preciso separar os inocentes dos bandidos. O que aconteceu foi um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público”, afirmou. Ele disse ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024 e garantiu não ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido qualquer benefício em troca. Flávio também declarou ser favorável à instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.

A versão, no entanto, esbarra em contradições. O produtor executivo do filme, o deputado federal Mário Frias, e a produtora Go Up Entertainment divulgaram notas afirmando que a cinebiografia não recebeu nenhum repasse de Vorcaro, posição que vai de encontro ao que Flávio relatou sobre as negociações.

A situação de Eduardo

Eduardo Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal por coação no curso do processo de forma continuada. A acusação sustenta que ele buscou a imposição de sanções contra o Brasil e contra autoridades brasileiras com o objetivo de interferir no julgamento de Jair Bolsonaro pelo envolvimento na trama golpista. A denúncia foi apresentada pela PGR em setembro de 2025, após a condenação do ex-presidente, e aceita por unanimidade pela Primeira Turma do STF em novembro do mesmo ano.

Procurado pela reportagem nesta quinta-feira (14), Eduardo Bolsonaro não respondeu. Já nas redes sociais, o ex-deputado se limitou a compartilhar posts de outras pessoas, entre eles os de Paulo Figueiredo, a afim de tentar descredibilizar as notícias recentes envolvendo o clã Bolsonaro.

“Começaram com o Intercept dizendo que eram 134 milhões do Vorcaro pro filme. Caiu para 61 milhões no Metrópoles. Depois, 2 milhões no Globo. Já já vocês vão descobrir que NÃO TEM dinheiro do Vorcaro no filme e a turma da ejaculação precoce vai passar vergonha de novo… Duvidam?”, publicou o jornalista, que foi repostado por Eduardo.

*Com informações do g1 e da Folha.

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