LULA, EM CAMAÇARI, NA BAHIA, AO ENTREGAR CASAS PARA SEUS HABITANTES, FALOU SOBRE O ESQUEMA DE FLÁVIO E VORCARO

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O presidente da República esteve na Bahia para realizar entrega de mais de trezentas moradias do Minha Casa Minha Vida

Por: Marcelo Hailer: 14/05/2026 – 
Lula – Reprodução

 

06:49

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve nesta quinta-feira (14) na cidade de Camaçari, na Bahia, para realizar a entrega de 384 moradias do Programa Minha Casa, Minha Vida.

Durante o seu discurso, Lula, sem citar nominalmente Flávio Bolsonaro, falou sobre o esquema do pré-candidato do PL à Presidência com o banqueiro Daniel Vorcaro, revelado por reportagem do Intercept Brasil.

Em uma clara referência a Flávio Bolsonaro, Lula afirmou que quem pretende governar o Brasil não pode mentir para o eleitorado:

“Vocês estão vendo na televisão. A verdade tarda, mas não falha. Minha mãe dizia: ‘Mentira tem perna curta. Ela pode causar prejuízo’. Vocês viram o que fizeram comigo para que eu não fosse candidato em 2018. Fiquei 580 dias preso. Eles acharam que eu tinha acabado no Brasil. Eles não conheciam o povo da Bahia e eu voltei a ser o presidente da República pela terceira vez […] A gente não pode permitir a prevalência da mentira nesse país.”

 

Presidente Lula entrega 384 unidades habitacionais do Minha Casa, Minha Vida na Bahia

 

Dinheiro de Vorcaro a Flávio Bolsonaro pode ter sido usado para financiar coação de Eduardo nos EUA

A Polícia Federal (PF) vai investigar oficialmente os indícios de que os recursos financeiros ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro — no centro do escândalo do Banco Master — podem ter sido usados não para o filme Dark Horse, mas para financiar atividades políticas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, incluindo suposta coação internacional contra o Supremo Tribunal Federal (STF). A nova linha de investigação ganhou impulso após a divulgação de mensagens e áudios entre o senador Flávio Bolsonaro e Vorcaro, e após pedidos de apuração feitos por parlamentares como o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).

O caso conecta duas investigações em curso: o escândalo do Banco Master, que levou à prisão de Vorcaro sob suspeita de fraude bilionária e outros crimes financeiros, e o processo no STF contra Eduardo Bolsonaro (Ação Penal 2.782), que trata da coação no curso do processo por meio de lobby político e pressão internacional contra o Judiciário brasileiro.

Áudios e mensagens de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Reportagem do The Intercept Brasil revelou que, em novembro de 2025 — com as investigações sobre o Banco Master já públicas — Flávio Bolsonaro enviou áudios e mensagens a Daniel Vorcaro pedindo repasses que somariam cerca de US$ 24 milhões (aproximadamente R$ 134 milhões) para financiar a produção do filme Dark Horse, uma cinebiografia sobre seu pai, o ex‑presidente Jair Bolsonaro. Parte desses recursos — cerca de US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) — teria sido enviado em seis operações entre fevereiro e maio de 2025.

No áudio, Flávio reconhece a necessidade de dinheiro para continuar a produção e chega a chamar Vorcaro de “irmão”, apesar do contexto de investigações federais que já cercavam o banqueiro e o banco que ele controlava.

O senador confirmou ter solicitado o apoio financeiro, mas nega irregularidades, sustentando que se tratou de patrocínio privado para um projeto privado e que não houve uso de dinheiro público ou ilegal.

Coação de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Paralelamente, Eduardo Bolsonaro enfrenta acusação formal da Procuradoria‑Geral da República (PGR) no STF por atuar em uma ofensiva de pressão internacional para intimidar ministros da Corte e tentar travar o julgamento do processo que envolve a condenação de seu pai por tentativa de golpe de Estado e outros crimes políticos. A denúncia qualifica a ação como crime de coação no curso do processo, previsto no Código Penal, por meio de ameaças políticas, econômicas e diplomáticas.

O processo se apoia em evidências de lobby nos Estados Unidos organizado por Eduardo, incluindo ações junto à administração norte‑americana para aplicar sanções a magistrados brasileiros e criar um ambiente de pressão sobre o Supremo.

Nova linha de apuração da PF

O elemento novo que motiva a investigação da Polícia Federal é a revelação de uma possível triangulação financeira: repasses do banqueiro Vorcaro intermediados por Flávio Bolsonaro, que podem ter sido usados para financiar atividades de aliados no exterior, incluindo um fundo no Texas ligado a associados de Eduardo Bolsonaro. Segundo parlamentares de oposição, essa movimentação levanta indícios de lavagem de dinheiro transnacional, evasão de divisas e financiamento ilegal de atividades políticas.

O deputado Lindbergh Farias alegou que os recursos que teriam sido destinados oficialmente ao filme Dark Horse poderiam, na verdade, ter financiado a campanha internacional de Eduardo para pressionar a justiça brasileira, e defendeu que a PF investigue em profundidade o destino dos recursos.

As revelações intensificaram a ofensiva política contra Flávio Bolsonaro. Partidos como PT, PSOL e PCdoB protocolaram pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico, além de representações junto à PF e à PGR, pedindo inclusive a prisão preventiva do senador e a instauração de CPI ou CPMI para apurar o caso Banco Master e as relações financeiras da família Bolsonaro com o banqueiro.

A crise também ressoa no contexto eleitoral de 2026: com Flávio pré‑candidato à Presidência, aliados de setores da oposição defendem que as revelações e possíveis irregularidades associadas à negociação com Vorcaro podem ter impacto direto nas expectativas de campanha.

Escândalo Master

O caso do Banco Master já vinha sendo investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura um esquema bilionário de fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção e outros delitos ligados ao banco. Vorcaro foi preso em novembro de 2025 enquanto tentava deixar o país, e o banco foi liquidado pelo Banco Central. A ligação dos recursos com figuras políticas agora ganha novo foco na PF, que busca mapear o fluxo de dinheiro e possíveis crimes conexos.

A apuração prospectiva pode revelar conexões ainda mais amplas entre atores políticos, operadores financeiros e interesses econômicos, com potencial de repercussão significativa na cena política brasileira nas vésperas das eleições presidenciais.

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