O esquema funciona assim:
1. A perícia da Polícia Federal analisa o conteúdo dos celulares.
2. Identificando alguma fala suspeita, a PF vai a Vorcaro para que apresente o roteiro da propina.
3. Com as provas coletadas, procede-se à prisão dos suspeitos.
No caso de Paulo Henrique Costa, a perícia identificou mensagens de WhatsApp que mostravam “intimidade e proximidade” entre Vorcaro e ele. Em uma dessas conversas, Costa chega a sugerir que seria “legal” a sua esposa conhecer, antes, um apartamento em São Paulo, sugerindo que o imóvel seria entregue posteriormente, como benefício. O que fortaleceria a hipótese de que recebeu até R$ 140 milhões em imóveis, em troca de favorecimento ao Master.
No início dos vazamentos da operação, a jornalista Malu Gaspar acusou frontalmente o diretor de fiscalização do BC de ter induzido o Conselho do BRB a adquirir o Master. Até hoje não retificou a acusação.
Além dos textos, o padrão de comunicação entre os dois, combinado com planilhas e registros de valores em outros aparelhos, reforça o foco da PF em comprovar que o “acesso do Master ao BRB foi condicionado a vantagens indevidas” para o então presidente do banco.
Resta saber como se desenrolará a delação. Sabe-se que a supina falta de esperteza da articulação política do governo permitiu que tanto a CPI do INSS quando a do Master caísse nas mãos suspeitas do Ministro André Mendonça.
Ainda no início da operação, a corrente lavajatista da PF e da mídia conseguiu emplacar a narrativa de que o Master era um escândalo do governo Lula. Agora, com um oceano de diálogos e registros à mão, Mendonça e os delegados da PF poderão definir o roteiro com muito mais poder. Ou através de operações fundamentadas – como a que prendeu Paulo Henrique Costa – ou através de vazamentos com fins políticos, como ocorreu no início do processo.
Há grande possibilidade que as próximas semanas reservem surpresas impactantes no caso Master.