CASO MASTER: DURANTE GESTÃO BOLSONARO, INSS MUDOU REGRAS PARA BENEFICIAR BANCOS
afinsophia 05/04/2026 0
FRAUDE FINANCEIRA
Apuração da Folha mostra que, após pedido do banco, instituto alterou regras para permitir cartão de benefícios
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
Durante o governo Bolsonaro, em 2022, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) alterou as regras para o crédito consignado, o que permitiu a criação do Credcesta, uma modalidade de crédito que possibilitou a expansão do Banco Master, de Daniel Vorcaro, preso por suspeitas de organização criminosa e gestão fraudulenta. A mudança em uma das regras foi feita pelo INSS apenas 16 dias após o recebimento de um ofício do Master demonstrando a intenção de operação do cartão.
Por meio do Credcesta, o Master se expandiu para 24 estados e 176 municípios com contratos que saltaram de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024, abrangendo servidores públicos municipais e estaduais, aposentados e pensionistas do regime geral de previdência, além de beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
Os documentos do Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o INSS e o Master, obtidos pela Folha, mostram que as regras alteradas em 2022, sem detalhamento da operação, possibilitaram um funcionamento quase imediato do Credcesta e sua expansão acelerada e de forma irregular, segundo análise da atual gestão do INSS. O acordo vigorou de 2020 a 2025 e deixou de ser renovado diante das suspeitas de fraudes em carteiras do banco de Vorcaro, investigadas pela PF.
Vorcaro afirmou, também segundo apuração da Folha de S.Paulo, ter recebido em casa o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil), que é pré-candidato a governador da Bahia. O encontro teria ocorrido em maio de 2024 e foi registrado em fotos e mensagens trocadas entre Vorcaro e o empresário Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações do governo Bolsonaro.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) aponta que, entre março de 2023 a maio de 2024, a A&M Consultoria Ltda, empresa de ACM e da esposa dele, recebeu R$ 3,6 milhões do Master e da Reag Investimentos, que também teve as atividades encerradas por graves violações às normas financeiras. Segundo o Coaf, a A&M movimentou “recursos expressivos, acima de sua capacidade financeira declarada”.
Diante das afirmações do Coaf, ACM Neto respondeu que a empresa prestou serviços de consultoria, “notadamente relacionados à análise da agenda político-econômica nacional”, e negou irregularidades. Ele finalizou dizendo que à época, não existia nada que desabonasse o Master e a Reag no período do contrato.
A quebra do sigilo do celular de Daniel Vorcaro vem revelando um complexo esquema de relações com políticos, banqueiros e empresários, que é investigado por denúncias de tráfico de influência para o enriquecimento ilícito e operações bancárias fraudulentas.
Além de Vorcaro, estão presos Fabiano Zettel; Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e Marilson Roseno da Silva, acusados de formar uma milícia utilizada para monitorar ilegalmente e intimidar adversários, autoridades e jornalistas.