LUIS NASSIF: QUANDO O ESTADO SE ASSOCIOU AO CRIME PARA FINS GEOPOLÍTICOS
afinsophia 03/02/2026 0
Whitney Webb, em seu livro, mostra que Epstein era o produtor final de uma rede mundial de crime e espionagem

Em podcasts nos EUA, a autora tem alertado que, mais relevante que os escândalos de pedofilia, é a identificação de uma rede mundial de crime e espionagem, que movimenta centenas de bilhões de dólares em tráfico de armas, drogas, pessoas e promove insurreições e golpes de estado.
Whitney Webb constrói uma história estrutural, não um “true crime”. Jeffrey Epstein aparece como produto final de um ecossistema que vem sendo montado desde a Segunda Guerra:
- Aliança Estado–crime organizado: a partir da Operation Underworld, a cooperação entre inteligência dos EUA (ONI/OSS, depois CIA) e máfias se torna política de Estado, não exceção .
- Blackmail como tecnologia de poder: sexo, drogas e dinheiro não são desvios morais — são ferramentas operacionais para controle político, empresarial e midiático .
- Bancos, offshore e drogas: o livro mostra como o narcotráfico alimenta liquidez bancária, inclusive em momentos de crise sistêmica, e como isso se conecta ao crescimento do sistema financeiro offshore .
- Epstein não era “o cérebro”: ele funciona como gestor de dossiês, protegido por redes que atravessam inteligência, finanças, lobby e grandes fortunas — daí a blindagem judicial recorrente.
- Mídia e silêncio seletivo: quando as conexões chegam perto de instituições “respeitáveis”, o interesse jornalístico evapora.
Porque o modelo descrito no livro ajuda a explicar escândalos financeiros blindados, a apatia institucional diante de crimes de colarinho branco e o uso recorrente de “moralismo” como cortina de fumaça para disputas de poder.
A montagem da estrutura
A autora remonta aos anos da Lei Seca para reconstruir a trajetória dessa rede.
Os arquitetos históricos
- Charles Lucky Luciano, o mafioso fundador do modelo,
- Meyer Lansky, engenheiro financeiro do crime,
- Frank Costello, operador político.
A fusão crime-inteligência
- William Donovan, que criou a OSS (embrião da CIA), definindo o pacto com mafiosos como método legítimo.
- Sidney Gottlieb, o laboratório mental do sistema de chantagens.
- George White, operador de campo, montando a Operation Midnight Climax, um subprograma secreto do projeto MK-Ultra da CIA, ativo principalmente nos anos 1950–60. Seu objetivo: testar técnicas de controle e extração de informação combinando drogas psicoativas, ambientes sexualizados e observação clandestina — tudo sem consentimento dos alvos.
O eixo financeiro-offshore
- Paul Halliwell, criando bancos, seguradoras e empresas de fachada para operações da CIA e do crime. Foi a base para a criação do Epstein financeiro, ao lado do empresário especializado em investimentos.
- Miami National Bank, canal de lavagem de dinheiro.
O lobby político permanente
- Ray Cohn, especialista em chantagem, dossiês, proteção seletiva. Modelo direto do método Epstein.
- J Edgar Hoover, chefe do FBI e apresentado como refém do sistema, chantageado.
Eixo Israel-inteligência-negócios
Robert Maxwell, elo entre a inteligência israelense, mídia e finanças. Pai de Ghislaine, a principal operadora de Epstein.
Mossad, parceiro estrutural, mas não o único. Uso de chantagem sexual como ferramenta geopolítica.
O caso Epstein
O livro não é sobre Epstein. Ele entra como estudo de caso de um sistema centenário.