PROTESTOS CONTRA TRUMP IRÃO CONTINUAR NOS EUA, AFIRMARAM LIDERANÇAS DE MOVIMENTOS POPULARES DO PAÍS

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CONTRA IMPERIALISMO

No próximo sábado (10), haverá novos protestos contra os ataques e as sanções à Venezuela

Manifestantes se reuniram em frente a Casa Branca para protestar contra os ataques dos EUA.| Crédito: Party for Socialism and Liberation

Ativistas de diferentes movimentos populares dos Estados Unidos estão se mobilizando contra a invasão do governo do republicano Donald Trump na Venezuela. Desde o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores, ocorrido no último sábado (3), inúmeros protestos eclodiram pelo país. Manifestantes encheram as ruas das cidades de Chicago, Washington, Dallas, Nova Iorque, Filadélfia, Pittsburgh, São Francisco e Seattle. Com o sequestro de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidenta interina  da Venezuela nesta segunda-feira (5).

A liberdade do presidente e da primeira dama venezuelana, o fim das agressões dos EUA contra a Venezuela — tanto os ataques militares, quanto as sanções — e o impeachment de Trump por crimes de guerra, são as principais reivindicações de movimentos, como o Answer Coalition (Aja Agora para Parar a Guerra e Acabar com o Racismo), dos Socialistas Democráticos da América (na sigla em inglês, DSA) e do Partido pelo Socialismo e Libertação (PSL). 

“Estamos organizando mobilizações de massa para demonstrar a ação popular contra este ataque e temos dois dias nacionais de ações: 10 e 20 de janeiro. Legislativamente, estamos trabalhando com o restante da esquerda dos EUA para tentar aprovar uma nova Resolução de Poderes de Guerra (WPR, na sigla em inglês) sobre a Venezuela no Congresso”, diz Luisa Martínez, que integra o comitê político nacional do DSA. 

A Resolução dos Poderes de Guerra (1973) é uma lei dos EUA que restringe o envio de forças armadas pelo presidente a um período máximo de 60 a 90 dias sem autorização do Congresso. Surgiu para evitar novos conflitos prolongados como o Vietnã, mas sua eficácia prática permanece um ponto de tensão entre os poderes, como no atual caso da invasão e de ataques à Venezuela. Nas últimas semanas, a Câmara dos EUA rejeitou duas propostas para controlar os poderes de guerra de Trump.

Luisa Martínez, que integra o comitê político nacional do DSA, pondera que a resposta dos congressistas dos EUA tem sido mista e insuficiente. “No fim das contas, é nossa responsabilidade como socialistas responsabilizar a essas elites do Congresso, e é por isso que temos estado e continuaremos a estar nas ruas exigindo o fim destas ações criminosas do governo. Faremos o nosso melhor para manter essa solidariedade avançando até encerrarmos esta ‘guerra’ contra a Venezuela.”

Gabriela Silva, integrante do Answer Coalition, ressaltou que alguns membros do Congresso se opuseram abertamente contra a ilegalidade das ações de Trump, ainda assim ela avalia que “eles não estão tomando medidas concretas necessárias”. 

Um exemplo é a manifestação de Rashida Tlaib, a deputada democrata tem sido uma das vozes contra a ação. “O primeiro ato de Trump em 2026? Um ato ilegal de guerra contra outro país. Nosso governo sempre encontra dinheiro para violência e guerra. Nem um centavo para saúde”, disse na rede social X.

Socialistas democratas dos EUA convocam para manifestação no sábado (10)
Socialistas democratas dos EUA convocam para manifestação no sábado (10) | Crédito: @demsocialists

Martínez lembra que manifestantes em mais de 100 cidades dos Estados Unidos foram às ruas no sábado (3). “Esses protestos refletem o fato de que o povo dos Estados Unidos não quer uma guerra contra a Venezuela. É crucial que continuemos a nos mobilizar e a agir contra as agressões ilegais de Trump e que continuemos a crescer e fortalecer o movimento aqui.”

Os EUA investem 1 trilhão de dólares em guerra, valor que “roubam dos programas sociais e das necessidades básicas do povo estadunidense”, destaca Claudia De la Cruz, do Partido para o Socialismo e a Libertação (PSL) que também é diretora da Pastores pela Paz/IFCO, uma organização ecumênica que busca construir laços de segurança entre os povos e avançar nas lutas sociais. 

“Se o governo continuar neste caminho, serão os jovens de comunidades pobres que serão enviados para lutar na guerra das empresas petrolíferas e da classe rica”, diz a ativista.

Manifestação contra o ataque à Venezuela em Nova York
Manifestação contra o ataque à Venezuela em Nova York | Crédito: @nycpsl

Para ela, a maioria da população estadunidense não quer agressões contra a Venezuela. “Há um setor que apoia as ações de Trump, mas é a minoria que, infelizmente, tem acesso aos meios de comunicação e todo o apoio para abafar as vozes das maiorias. O povo estadunidense não entende por que este governo investe em guerra na Ucrâniagenocídio em Gaza e agora na Venezuela, e não resolve o dia a dia da população dos EUA”, critica. 

Grande parte da população está mais consciente dos interesses corporativos por trás dessas ações e entende que não é para “libertar” ninguém, relata. “Pelo contrário, essas ações de guerra são pelo petróleo e para derrubar um governo que não convém aos imperialistas dos EUA.” 

A compreensão da ativista é retratada na pesquisa Reuters/Ipsos, divulgada na última segunda-feira (5), segundo o estudo 72% dos americanos disseram estar preocupados com a possibilidade de os EUA se envolverem demais na Venezuela, enquanto apenas 25% afirmaram não compartilhar dessa preocupação.

Diante deste cenário, ela também acredita que alguns dos democratas denunciaram a ilegalidade das ações, mas “não estão fazendo nada” para impedir novas ações como estas ou para revertê-las. 

Michael Galant, pesquisador do Centro para Pesquisa Econômica e Política (CEPR, na sigla em inglês) e membro da Internacional Progressista, explica que há um longo histórico de abdicação do Congresso de sua responsabilidade de reagir e de afirmar seus direitos e sua autoridade exclusiva de autorizar uma “guerra”. 

Segundo ele, desde a era Truman (ex-presidente dos EUA de 1945 a 1953) ações militares consideradas “bárbaras”, como as ocorridas na Coreia em 1950, são promovidas pelo país.

No exemplo citado pelo pesquisador, o ex-mandatário ordenou a intervenção militar das forças aéreas e navais dos EUA para apoiar a Coreia do Sul contra a invasão norte-coreana. Ele caracterizou a intervenção como uma “ação policial” liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU), e não como uma guerra formal, para evitar uma escalada para a Terceira Guerra Mundial.

Dessa forma, Galant aponta que o que ocorre atualmente é um “reflexo disso”. De acordo com ele, o Congresso deve votar novas resoluções de poderes de guerra ainda nesta semana. 

Ele avalia que as pessoas nos EUA estão, na verdade, preocupadas com o próprio custo de vida. “Ninguém acha que verá os benefícios do roubo desse petróleo. Tudo isso vai para as empresas petrolíferas. Então, parece um ato muito descarado, corrupto, ilegal e brutal. E acho que há muitos do lado democrata que estão batendo nessa tecla.”

Editado por: Luís Indriunas

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