“A CULTURA POPULAR É A VERDADEIRA HEROÍNA DO PAÍS”, AFIRMOU ARTISTA VENEZUELANO, JAVIER MARÍN

0
COLOMBIA-VENEZUELA-US-CONFLICT-CRISIS

People hold Colombian flags during the March for Sovereignty and Democracy against US President Donald Trump's threats to Colombia's President Gustavo Petro in Cali, Colombia, on January 7, 2026. On January 5, Colombian President Gustavo Petro said he was ready to "take up arms" in the face of threats from US counterpart Donald Trump, who over the weekend seized the leader of neighboring Venezuela in a military strike. (Photo by JOAQUIN SARMIENTO / AFP)

VENEZUELA

Artista vê na cultura popular uma ferramenta central de resistência e soberania

14:34

Download

Pessoas seguram bandeiras da Colômbia durante a Marcha pela Soberania e Democracia contra as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao presidente da Colômbia, Gustavo Petro, em Cali, Colômbia, em 7 de janeiro de 2026.| Crédito: OAQUIN SARMIENTO / AFP

Mais do que nomes, cargos ou disputas de poder, é o povo venezuelano quem sustenta, na prática, a noção de soberania e resistência do país. Em meio a crises políticas, sequestros e pressões internacionais, a população segue mobilizada, ocupando as ruas e afirmando seu direito de existir como nação independente e faz da cultura uma de suas armas mais potentes de luta. É a partir dessa perspectiva que o músico e produtor venezuelano Javier Marín, vencedor do Grammy Latino, analisa o momento vivido pelo país em entrevista ao Conversa Bem Viver. Profundamente ligado à cultura popular, ele vê na arte uma ferramenta histórica de resistência, organização e afirmação coletiva.

Para Marín, a música, as festas tradicionais e as manifestações culturais herdadas de matrizes indígenas, africanas e crioulas sempre tiveram papel central na defesa da identidade venezuelana.

“A cultura popular venezuelana, em toda a sua diversidade, tem um papel protagonista na defesa da cultura, dos direitos e do território venezuelano. Fazer música tradicional e cultura popular no país é, por si só, um fator revolucionário e de esquerda”, diz Marín.

Essa visão se conecta diretamente à Grande Missão Viva Venezuela, Minha Pátria Querida, criada em 2024 por Nicolas Maduro para valorizar, preservar e dar reconhecimento às expressões culturais tradicionais em todo o território nacional. O músico integra articulações que atuam nesse fortalecimento cultural, considerado um dos pilares do projeto bolivariano.

Ainda mais em um contexto de fortes tensões políticas e pressões internacionais intensificadas após o sequestro do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Veja destaques da entrevista

Brasil de Fato: Como foi o começo desse ano, o dia 3? Você estava próximo do local do bombardeio?

Javier Marín: Sim. Estávamos em casa, por volta de uma da manhã, quando sentimos a primeira explosão. Moramos muito perto das centrais de antenas de comunicação, então o impacto foi forte. No início, achamos que pudesse ser um tremor, porque meus irmãos, que moram no México, relataram algo parecido dias antes.

A sensação nos vidros foi muito intensa, achei que eles poderiam quebrar e que precisaríamos sair de casa. Logo depois vieram outras explosões, em sequência, junto com disparos de armas. Foi muito difícil, principalmente por ter que explicar tudo para meus filhos, de 9 e 16 anos.

Depois de cada explosão, ouvíamos uma sirene. Nesse momento, eu disse para minha companheira que eram bombas. A sonoridade era muito parecida com o que vemos nos filmes, mas dessa vez era real.

Como seu trabalho como artista e defensor da cultura popular se relaciona com a luta anti-imperialista da Venezuela?

Definitivamente, a cultura popular venezuelana, em toda a sua diversidade, tem um papel protagonista na defesa da cultura, dos direitos e do território venezuelano. Fazer música tradicional e cultura popular no país é, por si só, um fator revolucionário e de esquerda.

O presidente Nicolás Maduro teve uma iniciativa muito importante ao criar, há alguns anos, a Grande Missão Viva a Venezuela, Minha Amada Pátria. O objetivo principal foi valorizar as tradições venezuelanas, os autores do país, a música, a dança e a culinária, dando reconhecimento real às expressões populares e aos cantores populares.

Não é à toa que hoje tenho a segurança de que, mesmo diante de discordâncias e conflitos, qualquer cantor estará atento e disposto a defender sua música e sua cultura, que são a verdadeira essência do povo venezuelano.

A cultura pode ser considerada protagonista nesse processo político?

Sem dúvida. A criação da “Grande Missão Viva a Venezuela, Minha Amada Pátria”, pelo presidente Nicolás Maduro, foi muito importante para valorizar tradições, músicas, danças, culinária e autores venezuelanos.

Essa iniciativa fortaleceu as expressões populares e deu reconhecimento aos artistas. Hoje, tenho a certeza de que, mesmo com divergências políticas, os cantores e artistas seguem defendendo sua música e sua cultura, que são a essência do povo venezuelano.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.