PETRO REPUDIA AMEAÇA MILITAR DE TRUMP CONTRA A COLÕMBIA E DEFENDE UNIÃO DA AMÉRICA LATINA

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COLOMBIA-WESTERN CARIBBEAN-SUMMIT

Handout picture released by the press office of the Colombian Presidency of Colombian President Gustavo Petro during the II Peoples of the Western Caribbean Summit in San Andres, Colombia, on December 11, 2025. Colombia has not ruled out granting asylum to Venezuelan President Nicolas Maduro if he agrees to step down amid pressure from the United States, the Colombian Foreign Minister said on Thursday. (Photo by Handout / COLOMBIA'S PRESIDENCY PRESS OFFICE / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE-MANDATORY CREDIT AFP PHOTO / COLOMBIAN PRESIDENCY-NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS-DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS

AGRESSÃO TRUMPISTA

O presidente colombiano classificou as acusações dos EUA como ‘ilegítimas’ e voltou a denunciar o sequestro de Maduro

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro| Crédito: HANDOUT / COLOMBIA’S PRESIDENCY PRESS OFFICE / AFP

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, rechaçou as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que no domingo (4) afirmou “gostar da ideia” de uma possível ação militar contra o país latino-americano. As declarações ocorreram um dia após a invasão das forças estadunidenses à Venezuela, que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro em Caracas.

“Aprendi a não ser escravo e rejeito seus pronunciamentos que nos subjugam unilateralmente ao seu domínio. Nós, latino-americanos, somos republicanos e independentes, e muitos de nós somos revolucionários. Não pensem que a América Latina é apenas um ninho de criminosos envenenando seu povo”, escreveu em resposta publicada no X na noite de domingo.

Trump acusou Petro de “produzir e enviar cocaína aos Estados Unidos” e sugeriu que o governo colombiano não permaneceria por muito tempo no poder. Questionado por jornalistas a bordo do avisão presidencial sobre uma eventual intervenção militar, o republicano respondeu que a hipótese lhe parecia “boa”.

Petro rebateu diretamente as acusações de Trump, afirmando que seu nome jamais apareceu em investigações judiciais sobre narcotráfico. “Pare de me caluniar, senhor Trump. Não é assim que se ameaça um presidente latino-americano que surgiu da luta armada e depois da luta pela paz do povo da Colômbia”, declarou. Ele também voltou a classificar a prisão de Maduro como sequestro.

“Sem base legal para realizar uma ação contra a soberania da Venezuela, a detenção se transforma em sequestro”, escreveu o presidente colombiano.

Já nesta segunda-feira (5), em nova publicação no X, Petro disse que aguardaria a tradução exata das falas de Trump antes de responder formalmente às “acusações ilegítimas” e denunciou uma tentativa de desestabilização política articulada por interesses ligados ao narcotráfico e a setores da política colombiana aliados a Washington.

Na mesma declaração, Petro criticou secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, acusando-o de desconhecer a Constituição colombiana e de reproduzir informações falsas. Segundo o presidente, essas narrativas buscam romper as relações entre Colômbia e Estados Unidos para favorecer a expansão do narcotráfico.

O presidente colombiano também reforçou sua autoridade constitucional como comandante supremo das Forças Armadas e da polícia, lembrando que a atual Constituição foi fruto do acordo de paz firmado após a desmobilização do movimento M-19, do qual fez parte. Segundo ele, foi sob esse marco institucional que seu governo realizou “a maior apreensão de cocaína da história do mundo” e freou a expansão dos cultivos de folha de coca.

Petro advertiu que operações militares sem inteligência adequada tendem a produzir mortes de civis e crianças, alimentando ciclos de violência. “Se você bombardeiam um desses grupos sem inteligência suficiente, matarão muitas criança”, afirmou, ao criticar a lógica militarista dos Estados Unidos no combate às drogas.

Na noite de domingo, o presidente ainda condenou o ataque dos EUA à Venezuela, afirmando que os Estados Unidos se tornaram “o primeiro país da história a bombardear uma capital sul-americana”. Para Petro, o episódio marca uma ferida profunda na memória regional e reforça a necessidade de integração latino-americana frente ao que chamou de políticas imperiais.

Encerrando suas manifestações mais recentes, Petro defendeu a união dos países da América Latina e o fortalecimento de alianças regionais independentes. “Os amigos não bombardeiam”, escreveu, ao afirmar que a região precisa deixar de ser tratada como “serva ou escrava” e assumir um papel soberano no cenário internacional.

Editado por: Geisa Marques

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