CHINA TERÁ POSTURA FIRME PELA LIBERTAÇÃO DE MADURO DURANTE REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DA ONU

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Maduro-xinhua

ATAQUE DOS EUA

Em ação coordenada, o presidente Xi Jinping, o chanceler Wang Yi e o porta-voz Lin Jian reforçam apoio a Caracas

Presidente da China Xi Jinping e sua esposa Peng Liyuan posam para fotografia oficial com o presidente venezuelano Nicolás Maduro Moros e sua esposa Cilia Flores, durante encontro em Beijing que simboliza a aliança estratégica entre os dois países| Crédito: Xinhua/Huang Jingwen

O Conselho de Segurança da ONU se prepara para uma reunião de emergência para tratar da crise na Venezuela, marcada pela invasão militar dos Estados Unidos, bombardeios contra alvos militares e civis que deixaram dezenas de mortos, e o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores.

Enquanto isso, a China já exigiu libertação imediata de ambos, classificando as ações dos Estados Unidos como uma violação flagrante do direito internacional e da soberania venezuelana. As declarações foram feitas pelo presidente Xi Jinping, pelo ministro das Relações Exteriores Wang Yi e pelo porta-voz da chancelaria chinesa, Lin Jian, em um movimento coordenado de defesa do multilateralismo e da ordem internacional.

Xi Jinping critica hegemonia e reforça defesa do multilateralismo

Em encontro com o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, o presidente chinês criticou neste domingo (4) as práticas unilaterais de grandes potências e o uso da força para impor sua vontade. Sem mencionar diretamente os Estados Unidos, Xi Jinping afirmou:

“O mundo de hoje vive mudanças e turbulências não vistas em um século, com atos unilaterais de hegemonia minando severamente a ordem internacional.”

O presidente chinês destacou que todos os países devem respeitar os caminhos de desenvolvimento escolhidos de forma independente pelos povos de cada nação, cumprir o direito internacional e observar os princípios da Carta da ONU. Segundo ele, as grandes potências têm uma responsabilidade especial de liderar pelo exemplo, e não pela força, reforçando o papel que devem ter na manutenção da estabilidade global.

Xi reforçou ainda sua mensagem com outra declaração velada sobre cooperação e governança global. “A comunidade internacional deve se unir para defender a autoridade da ONU e promover o desenvolvimento do sistema de governança global de maneira mais justa e razoável.”

Em uma terceira declaração, Xi sublinhou o papel de liderança das grandes potências e disse que “os países mais influentes devem assumir responsabilidade especial para garantir que ações unilaterais não prejudiquem a paz e a estabilidade globais, e que o direito internacional seja respeitado por todos.”

O presidente chinês afirmou que China e Irlanda compartilham a defesa do multilateralismo e da governança global, defendendo um sistema mais justo e equilibrado, em contraste com práticas unilaterais que podem desestabilizar a paz internacional. Ele concluiu destacando a importância do diálogo, do respeito mútuo e da observância das normas internacionais como base para a cooperação entre os países.

‘Ninguém pode agir como polícia mundial’

Já o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reafirmou neste domingo (4) a posição de Pequim sobre a Venezuela, declarando que a China sempre se opôs ao uso ou ameaça de força, assim como a qualquer tentativa de impor a vontade de um país sobre outro. Wang, que também é membro do Bureau Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, fez as declarações durante a Sétima Rodada do Diálogo Estratégico China-Paquistão entre Ministros das Relações Exteriores, em Beijing, ao lado do vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Mohammad Ishaq Dar.

Segundo o ministro, a situação internacional atual está cada vez mais volátil e interconectada, e o bullying unilateral se torna cada vez mais grave. Ele destacou que a mudança súbita na situação da Venezuela tem atraído atenção de toda a comunidade internacional.

“Nunca acreditamos que qualquer país possa desempenhar o papel de polícia mundial, nem concordamos que qualquer país possa se colocar como juiz internacional. A soberania e a segurança de todos os países devem ser plenamente protegidas pelo direito internacional”, afirmou Wang Yi.

Wang salientou o papel do multilateralismo e da diplomacia:

“A China está disposta a trabalhar com a comunidade internacional, incluindo o Paquistão, para defender a Carta da ONU, manter os princípios da moral internacional, proteger a igualdade entre os países e salvaguardar a paz e o desenvolvimento mundiais.”

O chanceler enfatizou que a cooperação internacional é essencial para construir uma comunidade de futuro compartilhado para a humanidade, reiterando a posição firme da China em defesa da soberania venezuelana e do respeito às normas internacionais.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, também disse em coletiva de imprensa em Pequim que a China exige a libertação imediata de Maduro e Flores. Ele destacou que o país asiático já deixou clara sua posição sobre o sequestro forçado pelos Estados Unidos e expressou grave preocupação:

“A China manifesta grave preocupação com o sequestro forçado do presidente Maduro e sua esposa e com sua remoção do país. A ação dos EUA é uma clara violação do direito internacional, das normas fundamentais das relações entre Estados e da Carta das Nações Unidas. Instamos os Estados Unidos a garantir a segurança pessoal de Maduro e sua esposa, libertá-los imediatamente, cessar a subversão do governo da Venezuela e resolver questões por meio do diálogo e da negociação”, afirmou Lin Jian.

o porta-voz reforçou a importância do multilateralismo e da atuação da ONU:

“É fundamental que divergências internacionais sejam resolvidas diplomaticamente e que o Conselho de Segurança da ONU exerça plenamente seu papel na manutenção da paz e da segurança globais. A China continuará a defender a soberania da Venezuela e a ordem multilateral, protegendo os princípios do direito internacional.”

Lin Jian concluiu afirmando que a China trabalhará junto à comunidade internacional para garantir justiça, equidade e respeito às normas internacionais, reiterando solidariedade ao governo e ao povo venezuelano.

 

Editado por: Nathallia Fonseca

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