‘JUVENTUDE E SUSTENTABILIDADE’: CONHEÇA PROJETO QUE UNE CULTURA E JUSTIÇA CLIMÁTICA NO AMAZONAS
afinsophia 05/01/2026 0
COLETIVOS
Drica Albuquerque, coordenadora do Grito Rua, e Rafa Pimentel, jovem que participou do projeto, falam sobre a iniciativa
Unindo cultura, ativismo e formação política, o projeto Grito Rua: Clima e Cultura, da Associação Intercultural de Hip Hop Urbanos da Amazônia (AIHHUAM), atua capacitando coletivos de jovens para integrar arte e luta por justiça climática. Neste ano, a iniciativa visou preparar os grupos para a incidência na 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).
O projeto, que foi desenvolvido no estado do Amazonas, tem foco em debates sobre identidade, juventude e sustentabilidade. Ao Conversa Bem Viver, Drica Albuquerque, coordenadora do projeto, e Rafa Pimentel, jovem que participa da iniciativa e atua no Espaço Buriti, em Parintins, explicam a importância e o impacto do Grito Rua.
“O Grito Rua fortaleceu dez coletivos em uma jornada formativa: sete de Manaus e três do interior do estado. Eles receberam formação sobre justiça climática e COP, aprendendo como ouvir a comunidade e levar ações de melhoria para seus territórios. Cada grupo recebeu recursos para melhorar seus espaços e aquisições, além de uma verba para realizar uma ação direta na comunidade, como muros de grafite, ações em espaços sociais ou cinema”, destaca Albuquerque.
Confira a entrevista completa:
Brasil de Fato – O que é projeto Grito Rua: Clima e Cultura?
Drica Albuquerque – O Grito Rua é uma iniciativa que nasceu da urgência de fortalecer os coletivos artísticos das periferias do Amazonas diante dos impactos da crise climática. Pensamos que, embora estivéssemos em ano de COP30, a maioria das pessoas da periferia não sabe o que é a COP ou para que ela serve. Surgiu a oportunidade de levar para esses coletivos o conhecimento sobre o que é o clima e essa crise climática, focando nos impactos que a periferia sofre mais intensamente.
O Grito Rua fortaleceu dez coletivos em uma jornada formativa: sete de Manaus e três do interior do estado. Eles receberam formação sobre justiça climática e COP, aprendendo como ouvir a comunidade e levar ações de melhoria para seus territórios. Cada grupo recebeu recursos para melhorar seus espaços e aquisições, além de uma verba para realizar uma ação direta na comunidade, como muros de grafite, ações em espaços sociais ou cinema. O projeto visa fortalecer esses coletivos e externar o que eles já fazem, discutindo os impactos climáticos nas periferias.
O Grito Rua usa linguagens das quais a juventude se apropria muito: arte, hip-hop, cinema e música. Rafa, como foi a sua participação?
Rafa Pimentel – Para nós foi muito importante. Trabalhamos com arte e acreditamos que ela comunica de uma forma diferente, alcançando as comunidades e os moradores que vivem essas problemáticas nas margens. Nosso projeto se chama “Cidade Flutuante” e foi contemplado pela AIHHUAM e pelo Grito Rua. É fundamental chegar aos espaços interioranos, onde faltam políticas públicas.
Fizemos o projeto na Orla da União, em Parintins. Embora a cidade seja conhecida pelo Boi Bumbá, temos enfrentamentos sérios que precisam ser olhados. A Orla da União é um lugar esquecido, mas muito visível durante os ciclos de seca e cheia. Tivemos a ideia de fazer murais nos flutuantes dos moradores. Conversamos com eles, explicamos a importância e foi uma troca muito interativa. A arte é educação e esse diálogo entre juventude e comunidade nos fortalece e expande nosso pensamento crítico e social.
Vocês fizeram intervenções de arte urbana nas paredes das casas flutuantes? É como uma galeria a céu aberto e flutuante em plena Amazônia?
Rafa Pimentel – Exatamente. Contamos com a participação de quatro artistas que utilizaram o grafite para comunicar as problemáticas ambientais que enfrentamos. Os moradores ficaram curiosos com as imagens e participaram do processo, até nos ajudando enquanto pintávamos pendurados em canoas.
Foi uma experiência única para nós e para eles, que puderam acompanhar o processo artístico. A Orla da União abriga muitos flutuantes que servem de garagem para barcos e canoas. Quisemos dar visibilidade a esse lugar, que muitas vezes é desvalorizado pela nossa própria gente, mas que abriga trabalhadores, pescadores e moradores essenciais para nossa economia.
Drica, como as pessoas podem conferir o resultado do projeto?
Drica Albuquerque – O Grito Rua teve o apoio fundamental do Instituto Cultura, Comunicação e Incidência (ICCI), que nos propôs unir a COP e as questões climáticas à cultura. A AIHHUAM já tem um trabalho sólido em Manaus e na Amazônia, com o compromisso de apoiar jovens periféricos e construir caminhos criativos para enfrentar os desafios climáticos.
A maioria dos coletivos selecionados é liderada por jovens que querem fazer a diferença em seus territórios. Além de Parintins, fortalecemos coletivos em Iranduba e Presidente Figueiredo, onde há uma biblioteca a céu aberto. Em Iranduba, um coletivo recebe turistas para uma imersão na Amazônia. Em Manaus, trabalhamos com B-boys e coletivos que realizam trabalhos sociais com crianças e hortas.
As pessoas afetadas pelas secas e enchentes extremas são as das periferias. Levar o Grito Rua para esses espaços reafirma o compromisso da AIHHUAM em fortalecer territórios e criar redes de transformação. Todos os trabalhos podem ser conferidos no nosso Instagram: @aihhuam. Esta semana lançaremos mais dois editais para o fortalecimento da Amazônia.
Rafa, o que você leva dessa experiência do Espaço Buriti com o Grito Rua?
Ficamos muito honrados. Atuamos desde 2018 e o apoio técnico e financeiro da AIHHUAM foi muito importante. Aprendemos que, com as ferramentas certas, podemos ajudar nossa comunidade não só com a arte, mas com o conhecimento. Essa rede de líderes e artistas precisa pensar coletivamente para que a comunidade entenda e solucione suas problemáticas. Como dissemos no projeto: “Toda cidade é flutuante”. Nossa Amazônia é importante além do festival e das alegorias; é preciso entender as realidades de quem vive nela.
Se você se interessou pelo Grito Rua ou pelo trabalho da AIHHUAM, acesse o Instagram da Associação Intercultural de Hip-Hop Urbanos da Amazônia.